sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Boas festas!


Afonso Vieira


No momento de festas de fim de ano, começamos a receber mensagens de todos os cantos, de amigos que há muito tempo não temos notícias, de pessoas que são próximas e até mesmo de pessoas que pouco ou nada convivemos, e as correntes de votos de felicidades lotam nossa caixa postal.

O “espírito natalino” é algo totalmente bonito, é uma época de reflexão, mesmo não sendo religioso, acredito que o simples fato de nos unirmos com familiares e amigos, de festejarmos e congraçar em reuniões e trocas de presentes, já é extremamente válido. As pessoas pensam mais na harmonia e evitam o pessimismo.

Como cético, enxergo nisso tudo algo bondoso, as pessoas se tornam mais receptivas, independente de credo, raça, ideologia. Não há como negar que as datas de festas, tanto natalina como de virada de ano, nos contagia com um sentimento bonito e saudável.

Entre erros e acertos, devemos ainda, aproveitar a data para refletir sobre nossas vidas, nossas aspirações e projetos pessoais, olhando nossos defeitos, reconhecendo-os e buscando melhorar a cada dia.

Sem um engajamento pessoal, sem uma busca pelo aprimoramento constante, de nada adianta nos empanturrarmos com comidas e bebidas por alguns dias, e passadas as festas, retornarmos ao nosso cotidiano sem perspectiva de melhora.

Aproveito o momento para chamar à ponderação de idéias, de pedir que todos lutem por um ideal, seja ele qual for, via de regra todos tendem a ser nobres. Devemos ler mais, muito mais, pois o foco de uma vida saudável está no segredo do conhecimento.

Devemos aprender a falar menos e ouvir e agir mais, mas também, planejar antes de fazer. Devemos refletir sobre nossas ações, de forma que elas não nos prejudiquem e nem a outrem. Devemos nos inteirar das coisas que nos cercam, das atividades que de alguma forma interferem em nossa vida. Ao sermos mais apreensivos, na busca pelo que é justo e correto, já estaremos diretamente produzindo uma sociedade melhor.

Costumo dizer que temos que ser mais chatos, temos que brigar com a pessoa que fura uma fila, temos que cobrar pelo serviço prestado, cobrar um bom atendimento, que ao vermos algo incorreto, que tentemos corrigi-lo. Em contrapartida, temos que ser mais prestativos, e que nossos atos busquem a perfeição, a recíproca do valor pago à qualidade do serviço/produto deve ser a máxima seguida.

Que fique para trás tudo de ruim que passamos, que a justiça, educação e a liberdade continue como mote principal de nossas vidas, o resto é conseqüência natural. Que o respeito e a cordialidade continuem sendo aprimorados, e que a vida continue nos brindando com as amizades e oportunidades, e que nós façamos por merecer.

Boas festas!

domingo, 28 de outubro de 2007

Uma música para uma tarde de domingo chuvosa

Ceticismo ideológico


Afonso Vieira

Passados praticamente 18 anos da queda do Muro de Berlim, ainda surpreende
que certas correntes ideológicas existam com tamanha quantidade de seguidores. Este é um fato bastante identificado na América Latina dos dias atuais.

A diversidade de opiniões e culturas, juntamente com a tolerância e compreensão às suas formas de expressão, devem ser busca constante de uma sociedade civilizada; porém nota-se que há muito proselitismo pregado em locais que deveriam respeitar e prezar pela pluralidade.

Conservadores cristãos tendem à radicalização das interpretações descritas na Bíblia, pregando muitas vezes defesas a atos que não respeitam as demais opiniões. Há correntes que beiram a uma verdadeira guerra santa, com um totalitarismo permeando à Santa Inquisição.

Comunistas radicalizam tanto seus discursos que se tornam verdadeiros caricatos; assistir ao horário político do PCB virou obrigatoriedade para quem deseja proferir umas boas gargalhadas.

Liberais beiram a estupidez em defesa do “Deus” Mercado e sua “americanofilia"; ignoram o contexto histórico e as situações práticas das diversas situações.

Socialistas conseguem ter a pachorra de defender o projeto de ditador Hugo Chavez e o Ditador Fidel Castro. Defendem utopicamente idéias impraticáveis e simplesmente desprezam o indivíduo.

A existência das variadas correntes é democrática; a diversidade de opiniões tende a contribuir para o estabelecimento de regras e atitudes que melhorem a convivência e busquem uma sociedade mais justa. Entretanto, o radicalismo que uma minoria extremista adota chega a ser preocupante.

Não existe sistema perfeito, muito menos governo ou empresa que adote apenas uma linha de pensamento. As organizações que dão certo e prosperam, são – justamente - as que conseguem filtrar as coisas boas e expurgar as ruins. A necessidade de aprimoramento constante é condição imperativa - o único ensinamento administrativo absoluto.

Mesmo com tantos exemplos práticos de fracassos, vemos as viúvas da ideologia adotando ao pé da letra o que teóricos escreveram há muito tempo e que já tem mais do que provado sua inaplicabilidade. O conhecimento da teoria é importante, mas ninguém é infalível e senhor da verdade - não se pode levar um único pensador ou linha de pensamento como verdade universal.

Sindicatos tiveram importância tremenda para as relações trabalhistas, só que hoje nada mais são que cabides de pelegos e pseudo-políticos. A Igreja - em nome de seus dogmas - cometeu atrocidades históricas, mas hoje não se pode negar sua importância na preservação e proliferação dos valores morais. As idéias de Adam Smith e Karl Marx serviram para o aprimoramento de toda a sociedade; seu contraponto foi, é e será sempre importante.

Devemos estudar o passado, saber interpretar as idéias – coisa rara em nossos “formadores de opinião” - e verificar se ainda possuem aplicabilidade. Temos que ter consciência que podemos estar errados, admitir as falhas e corrigi-las.

Nenhuma pessoa ou idéia é a personificação das virtudes e muito menos o poço dos defeitos; todos têm algo a ensinar e os sábios, a aprender. Teorias são importantes para embasamento, mas nada supera a prática. Está faltando visão crítica e mais ceticismo nos ideólogos de plantão.

"Aprender é a única coisa que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende." (Leonardo da Vinci)

*
http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=63

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Aumento do número de vereadores


Afonso Vieira

Ao ler a edição de O JORNAL de quarta-feira, 24 de outubro de 2007, me deparo com a pérola: “o aumento do número de vereadores não causará nenhum gasto a mais do que o já existente”, na coluna de Diego Soares. Desculpem-me, mas isso é uma ofensa à inteligência alheia.

Enquanto vemos uma verdadeira briga no plano federal para a manutenção de tributos que já deveriam ter sido extintos, o referido colunista prega o aumento de vereadores, que automaticamente acarretará o aumento de despesas destinadas ao legislativo municipal. Mesmo que tal medida não onere ainda mais o orçamento da Prefeitura Municipal (?), o recurso deverá sair de outro local. Será que podemos nos dar a esse luxo? É claro que não, com a saúde e educação em condições precárias - muito longe do ideal -, um formador de opinião deveria estar clamando por melhoras nesses setores, não no elefante branco.

Qual a relevância de um vereador? Sinceramente, a mesma de um deputado estadual, ou seja, praticamente nula. Já está mais do que provado – pelos exemplos nacionais, estaduais e municipais – que os nossos políticos, na imensa maioria, não estão preocupados com os interesses da população. Políticos são eleitos para representar seus eleitores e defender o interesse público, na prática, preocupam-se única e exclusivamente nas finanças pessoais, muitas vezes por formas ilícitas.

Não há colocação plausível que justifique o aumento de parlamentares, nem mesmo a suposta representatividade. Praticamente todas as ações realizadas pela Câmara Municipal, poderiam ser feitas e substituídas por secretariados eficientes e um modelo de gestão adequado. Aprovar nomes de ruas e autorizar a realização de festas populares, não justifica. Fiscalizar as ações do executivo, seria muito mais eficaz com uma auditoria composta de pessoas qualificadas e técnicas.

O curioso é que só vemos vereadores e pretensos candidatos defendendo um absurdo desses. Ninguém quer largar a “boquinha”, e outros pretendem mamar também. Jamais vi um cidadão comum e sem amarras partidárias, com um discurso semelhante.

O Estado gasta muito, e gasta mal. Um exemplo é a CPMF, criada para ser provisória - demagogicamente combatida outrora pelo PT e hoje pelo PSDB - está se tornando permanente. Eu até prefiro pagar a CPMF, que serve de instrumento para fiscalizar fraudadores do fisco, mas que seja em substituição a outro imposto. Temos a CIDE para manutenir estradas, mesmo assim teremos que pagar pedágios devido à última privatização do governo Lula.

Para embasar melhor meu pensamento, tentei acessar os dados das prestações de contas do município, mas os relatórios estão indisponíveis para consulta, provavelmente por falha de carregamento ou na configuração dos sítios eletrônicos da Prefeitura e da Câmara Municipal de Tangará da Serra.

Infelizmente, em um país onde o Governo Federal defende o aumento da máquina estatal, que já se demonstrou mais do que ineficiente em gerir recursos, não é de surpreender que um militante do PSOL, pretenso candidato a vereador, advogue em causa própria.

*Publicado em O JORNAL de 25 de outubro de 2007.

domingo, 21 de outubro de 2007

Meus amigos socialistas

Afonso Vieira

Em recente artigo, expus minha visão sobre a realidade do nosso sistema econômico e social; para minha felicidade, um grande amigo visitou meu blog e colocou sua posição - contrária à minha. Devido a alguns acontecimentos que presenciei esta semana, escrevo o presente texto.

Como freqüentador assíduo de debates na Internet, me chama a atenção uma certa intolerância praticada pelos debatedores. Até mesmo os chamados “liberais” – que deveriam defender a liberdade acima de tudo - portam-se de forma autoritária.

Costumo dizer que um debate permeado por argumentos bem embasados, não possui vencedores, e sim aprendizes. Dificilmente mudaremos a opinião de alguém que realmente acredita no que defende, também podemos aprimorar nosso conhecimento - mas raramente alteraremos completamente o próprio juízo.

Ambientes virtuais sofrem a imposição das regras de seus moderadores, e estes deveriam prezar pela pluralidade de idéias. Na comunidade do orkut, Apoiamos o Presidente Lula PT, qualquer opinião contrária ou contestatória ao chefe da nação, já é excluída e o postulante expulso; o curioso é que na descrição da comunidade consta: “democracia e liberdade com responsabilidade” – acredito que eles tenham um conceito distorcido dessas palavras. Isso não é particularidade daquele fórum, é prática corriqueira em diversos locais.

Chego a pensar como devem ser essas pessoas na vida real, será que se portam com tamanho fanatismo? Oras, sem o contraditório, dificilmente chegaremos a uma opinião que mereça respeito. Até mesmo nas democracias mais desenvolvidas, há o papel primordial de uma oposição forte, exatamente para contestar certos atos e chegar a um resultado que agrade a todos.

Tenho amigos socialistas, comunistas, liberais, conservadores e de todo tipo que possamos encontrar, não é por causa de sua visão política que irei tratá-lo melhor ou pior.

Alguns blogs deixam claras suas posições, que irão censurar comentários ofensivos ou com o qual não concordam; neste ponto entra Reinaldo Azevedo - onde jamais tive qualquer colocação recusada. No fórum de Paulo Henrique Amorim, minhas únicas duas colocações não foram ao ar, e posso afirmar que não continham nada de ofensivo, apenas mostrava que ele estava errado em seu texto. Um blog bem democrático é o de Luis Nassif, apesar de não concordar com a maioria do que ali é postado, a pluralidade de idéias é respeitada a contento.

Ao preservarmos opiniões divergentes - evitando o proselitismo e deixando o pensamento fluir - chegamos a um aprimoramento saudável; é mais ou menos como exercitar nossa meditação diária, no nosso cotidiano - onde convivemos com pessoas de credos, cores, classes sociais diferentes, e podemos ter a certeza de que aprendemos sempre, até mesmo com o menos erudito dos seres.

Espero que cada vez mais eu tenha encontros com opositores de idéias; pode ter certeza que o calor do debate é facilmente refrescado com a cerveja do bar, onde daremos risadas e faremos piadas, cada qual com sua visão, sem ofensas e com a certeza de que só temos a ganhar.

“Desaprovo o que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo” - Evelyn Hall.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=62

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Discursos bonitos, mas . . .


Afonso Vieira

Muito tenho lido em mídia impressa, artigos exaltando virtudes humanas e sempre condenando o apego aos bens materiais. Discursos bonitos - que levam à reflexão e que são usados até mesmo para justificar certos erros e fracassos - porém, muito longe da realidade.

Já virou clichê no Brasil e até mesmo na maior parte do mundo que todo o fracasso é culpa do capitalismo, da elite, do imperialismo, e por ai vai. Há alhos e bugalhos.

Primeiramente, a ampla maioria das pessoas é individualista antes de ser coletivista; segundo, os culpados por fracassos pessoais normalmente somos nós mesmos e não outrem; terceiro, não há pobre ou rico isento de virtudes e defeitos, o percentual de criminosos não é muito diferente entre a classe mais abastada e os menos favorecidos; quarto, as políticas de outros países nem sempre refletem a exatidão das críticas propostas e nem são de todo ruins, apenas procuram preservar primeiramente seus interesses antes de abrir a guarda aos demais - coisa, aliás, que é pratica corriqueira da maioria dos governos; quinto e último, achar um culpado para as próprias mazelas é comumente usado por incompetentes, pois é muito mais fácil atribuir um problema à outra pessoa do que solucioná-lo e assumir responsabilidades.

Tirar juízo por amostras pequenas ou posições equivocadas de alguns é totalmente errado, já que nos induz ao pensamento medíocre. Nesse culto ao fracassado, ao coitado, temos palavras bonitas e destoantes do que é real.

Será que não está mais do que na hora de pregarmos que a Educação é a única forma de subirmos na vida? Nossos intelectuais - os que são taxados por esta alcunha - são, em sua maioria, exemplos de pessoas que vivem de pregar utopias e que estão longe da realidade do competitivo mercado de trabalho.

Em vez de pregarmos a abolição aos bens de consumo, por que não ensinamos o caminho a ser seguido para conquistarmos nossas aspirações? O mais curioso é que a maioria dos críticos da sociedade consumista também luta por uma moradia de qualidade em um bairro nobre; lutam por comprar um carro bom, uma roupa de grife e se esbaldam usufruindo do melhor que o capitalismo de mercado lhes fornece.

Nossa própria legislação é uma aberração; assim como é cultuado pelas massas, os próprios despachos de ações trabalhistas mostram verdadeiras excrescências. Criou-se uma imagem de que todo empresário é ruim, que sempre explora o trabalhador. Há muita falsidade no perfil alardeado, a maioria dos empregadores não é um monstro sugador, assim como parte dos funcionários não é exemplo de trabalhador.

Não vim fazer apologia a um sistema econômico, nem defender uma concorrência desenfreada ou mesmo justificar erros cometidos. Escrevo o texto simplesmente porque acredito que está faltando uma dose de realidade, os pés devem permanecer no chão e os passos dados do tamanho que as pernas comportam.

A vida é uma batalha constante, o mundo é conquistado pelos mais fortes e mais competentes, não existe e nunca vai existir sociedade sem divisão de classes sociais; o que existe, sim, são sociedades mais justas e dignas, que só são alcançadas com pessoas qualificadas e preparadas, onde se luta por um trabalho melhor e não uma bolsa assistencial.

Preguem a realidade, lutem por empregos e salários dignos - conquistados com o próprio suor - enxerguem os próprios defeitos e busquem corrigi-los. Jamais esperem que as coisas caiam dos céus, corram atrás de seus objetivos, você - como indivíduo - e toda a sociedade só têm a ganhar.

Ser bem sucedido não é crime, pelo contrário, deveria ser a aspiração e objetivo de todos.

*Quadro Ufognose de Aniano Henrique

**Publicado em O JORNAL, de 15 de outubro de 2007.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A História e suas versões

Afonso Vieira


Esta semana a Revista Veja, em sua edição 2028, trouxe uma matéria de capa que reduz o mito do guerrilheiro argentino, Ernesto Che Guevara de la Serna. Em que pese as diferenças sempre gritantes entre o que efetivamente aconteceu e a romantização de qualquer personagem histórico, é de se espantar com a publicação, ainda mais como matéria de capa.

De fato, alguém com senso crítico apurado dificilmente acredita na história oficial que nos é contada, ao menos não acredita ao pé da letra. O jornalista Ali Kamel, do jornal O Globo, já vem denunciando a manipulação dos livros didáticos adotados pelos governos brasileiros nos últimos tempos.

Primeiramente chamo a atenção para uma tendência natural dentro do nicho dos professores de História – principalmente na América Latina -, uma maioria considerável é de esquerda, e dentro dessa amostragem, poucos, realmente muito poucos aceitam contestações sobre o que eles acham que aconteceu no percalço da humanidade.

Segundo, com a publicação da matéria, que denigre um dos mais cultuados mitos já criados pela esquerda, as manifestações nas comunidades virtuais pipocaram. Os militantes que encarnam soberbamente o Manual do Perfeito Idiota Latino-americano, já organizavam manifestações para queimar a revista e procuravam meios para boicotarem o veículo. Desmentir a publicação com dados e provas, não foi cogitado.

Terceiro, é de um espanto imenso que a revista desmistificasse Che, já que em sua edição 1503, de 09.07.1997, em reportagem assinada por Dorrit Harazim, o especial praticamente exaltava o “mito”. Formas totalmente distintas de se abordar um mesmo tema, e praticamente opostas.

Mas o fato que mais chama atenção nesse imbróglio, é exatamente o dado histórico contra a desvirtuação feita por quem conta a História. Acreditar que o guerrilheiro era a encarnação do super-homem, um poço de virtudes e que praticamente estava acima do bem e do mal, é ingenuidade primária, da mesma forma que não se pode acreditar que alguém que não tenha a menor afeição pela figura, possa emitir parecer totalmente confiável sobre o personagem.

Vamos aos fatos, a maior obra de Ernesto Guevara culminou em uma ditadura sangrenta que perdura até hoje. Ele possuía suas qualidades como combatente, ninguém sobreviveria tanto tempo em condições adversas e totalmente desfavoráveis, se não tivesse certo domínio militar. Aceitar uma reportagem contrária ao que você acredita, é sinal de maturidade - poder queimar seus exemplares é uma atitude aceitável, coisas da democracia -, mas não pense que poderia fazer o mesmo com um exemplar do Granma em uma praça de Havana.

Aos admiradores de Che, resta buscar fatos e dados concretos que desmintam a reportagem, mas o façam com coerência e sem paixão, esta é inimiga da razão, não se contradigam.

Particularmente, nunca possuí o menor sentimento de afeto a alguém que lutou para implantar um regime totalitário. Liberdade é algo com que não costumo brincar.

Parabenizo a revista por mostrar uma outra face da história, até então inédita na grande mídia brasileira, quem tem a ganhar é a História - com "H" maiúsculo - e principalmente, a verdade.

domingo, 30 de setembro de 2007

Sepultura

Vai um vídeo da banda, ontem foi o show em Cuiabá, excelente. Não havia muita gente - já era de se esperar - metal não é muito a praia da maioria da população, ainda mais no interior.

Valeu a viagem!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Resposta da Senadora Marisa Serrano


Pode até ser uma mensagem genérica, mas foi a única a se preocupar em dar uma satisfação, segue o conteúdo do e-mail:

RES:‏

De: Sen. Marisa Serrano (marisa.serrano@senadora.gov.br)

Enviada: sexta-feira, 14 de setembro de 2007 14:28:27

Para: Afonso Vieira (afonsohjv@hotmail.com)

Estou convencida de que o relatório que apresentei em conjunto com o senador Renato Casagrande, recomendando a cassação do senador Renan Calheiros e rejeitado por 40 senadores, não foi uma derrota pessoal nem partidária. Foi uma derrota de toda a sociedade brasileira. Tenho a consciência do dever cumprido. Sei que fiz o melhor que pude e agi conduzida pelos fatos e por documentos comprobatórios. O Senado Federal é uma instituição democrática, fundamental para o fortalecimento do espírito republicano e, nada mais justo do que acatarmos, apesar da perplexidade geral, sua decisão soberana.

Mesmo assim, não devemos esmorecer na luta. A construção de um Estado pautado pela ética é um processo feito de avanços e recuos. Tenho esperança de que o passo que foi dado para trás seja fundamental para que se dê dois para frente em futuro próximo. Vamos continuar defendendo os interesses gerais, sem medo dos arreganhos do poder.

Saudações,


Marisa Serrano

Senadora (PSDB-MS)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Vergonha Nacional


Afonso Vieira

O Presidente do Senado Federal Renan Calheiros, envolvido em várias denúncias de corrupção foi absolvido pelos seus pares. Mais um triste e lamentável episódio da pior legislatura da história republicana nacional.

Vergonhoso, deprimente, lamentável, são adjetivos fracos para expressar a indignação de quem tem que suar oito horas todos os dias para conseguir viver de forma digna, e de quatro em quatro anos ser obrigado a votar nessa corja estúpida que sangra nossas instituições.

Pergunto ao leitor, alguém em sã consciência acredita na inocência desse senhor? Pergunto ainda, onde estavam os senadores petistas que sempre vomitaram o falso discurso da “ética e moral”? Onde estavam os hipócritas oposicionistas que outrora votaram a favor do voto secreto, e agora faziam campanha pelo aberto?

Vergonha é termos políticos - eleitos para representar o povo – que só pensam em interesses particulares. Vergonha é ter que ver um ser abjeto como o Almeida Lima, que acha que todo mundo é ignorante e acredita nas besteiras que profere. Vergonha é ter um representante sem voto como o Wellinton Salgado, em um cargo tão importante. Mas o mais triste é saber que energúmenos como esses, serão eleitos e reeleitos pela massa de manobra analfabeta que vota nos rincões de nosso país semi-alfabetizado.

Em outro artigo - neste mesmo espaço - disse que os políticos são cópias fiéis de seus eleitores, cada vez mais vejo que não estou errado, infelizmente estou certo.

Desde quando alguém que se dispõe a disputar uma eleição para representar o povo, pode votar secretamente? Essa excrescência precisa ser revista urgentemente, oras, os atos de um político - pessoa eleita teoricamente para defender interesses públicos – devem ser transparentes; sugiro ainda a inexistência de sigilos bancário e fiscal a quem pretenda ocupar uma cadeira no legislativo.

O Senado sepultou de vez qualquer chance de ser declarado “menos pior” que a Câmara dos Deputados, todo esse episódio serviu para mostrar a podridão do parlamento, que como um todo, é o exemplo a não ser seguido. Não pensem que os legislativos estaduais e municipais são muito diferentes, na verdade tendem a ser pior.

Estou de luto. Aqui jaz a esperança; a vergonha na cara; a honestidade. Nosso país não tem a menor chance de ser considerado sério, não com uma legislatura que produz ilícitos e imoralidades a cada dia, a cada ato.

É triste ver que até os mais otimistas começam a perder fôlego, que começam a cultuar a descrença nas instituições democráticas.

Quarenta ladrões acompanhavam Ali Babá; quarenta usurpadores da vergonha votaram pela absolvição de Renan; seis covardes se utilizaram da abstenção para não assumirem suas reais intenções.

Começo a me preocupar com o futuro do país, como é que seremos uma potência econômica se nem conseguimos produzir representantes dignos, se nossos valores de nada valem para os legisladores do país?

Ética e Moral, pilares de uma sociedade civilizada e honesta, valores tão propagados nas campanhas eleitorais e tão denegridos nas execuções dos mandatos legislativos.

Pobre Brasil, o último que sair, apague a luz...


Publicado:

http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=200468

http://www.tangaratem.com.br/mostra_not.php?cod=279


O JORNAL de 14 de setembro de 2007.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=58



De: Afonso Vieira (afonsohjv@hotmail.com)
Enviada: quarta-feira, 12 de setembro de 2007 23:54:19
Para: adelmir.santana@senador.gov.br; almeida.lima@senador.gov.br; arthur.virgilio@senador.gov.br; augusto.botelho@senador.gov.br; cesarborges@senador.gov.br; cristovam@senador.gov.br; delcidio.amaral@senador.gov.br; demostenes.torres@senador.gov.br; dep.antoniocarlosbiffi@camara.gov.br; dep.chicoalencar@camara.gov.br; dep.fernandogabeira@camara.gov.br; dep.jairbolsonaro@camara.gov.br; dep.nelsontrad@camara.gov.br; dep.onyxlorenzoni@camara.gov.br; dep.rodrigomaia@camara.gov.br; ecafeteira@senador.gov.br; eduardo.suplicy@senador.gov.br; Gaberia Assessoria (assessoria@gabeira.com.br); gerson.camata@senador.gov.br; gilvamborges@senador.gov.br; heraclito.fortes@senador.gov.br; ideli.salvatti@senadora.gov.br; jefperes@senador.gov.br; joaopedro@senador.gov.br; jonaspinheiro@senador.gov.br; jose.maranhao@senador.gov.br; leomar@senador.gov.br; marconi.perillo@senador.gov.br; maria.carmo@senadora.gov.br; marisa.serrano@senadora.gov.br; romero.juca@senador.gov.br; romeu.tuma@senador.gov.br; sergio.guerra@senador.gov.br; siba@senador.gov.br; simon@senador.gov.br; valdir.raupp@senador.gov.br; valterpereira@senador.gov.br; wellington.salgado@senador.gov.br


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Reflexões

Mais um ano se passa, menos um ano da minha breve existência, o fato é que até a presente data só tenho a agradecer ao que a vida em deu.

Diante de todas as dificuldades, adversidades e conquistas, acredito que fico mais rico a cada dia, não em bens materiais – nunca liguei para isso – mas nas coisas boas que os caminhos me trilharam. A cada ano decorrido, agrego mais conhecimento e amigos de verdade; a cada ato e gesto de meus pais e irmãos, vejo a família linda que tenho – independente dos acidentes do percurso – as qualidades superam qualquer defeito.

Aprendo diariamente a ser mais tolerante, a me policiar, a me aperfeiçoar. Nada disso seria possível sem os amigos que conquistei, inclua nesta lista: pais, irmãos, ex-namoradas, colegas de trabalho, do convívio social, amigos virtuais e qualquer outra forma de amizade.

Não tive a oportunidade de ir passar a data perto da maior parte dos entes queridos, mesmo assim o calor recebido foi de igual valor, há quatro dias tenho festejado mais uma primavera, desta vez com os “irmãos” que me acolheram nesta terra. Não posso esquecer dos aliados virtuais, estes de convívio diário, independente de hora e lugar.

Atualmente tenho encontrado uma paz interior que há muito tempo não sentia, as coisas tendem somente a melhorar, dos tombos levamos o ensinamento, dos conselhos a gratidão.

Sai agosto e entra setembro, e me sinto cada vez mais privilegiado.

Se está lendo isso, é porque se preocupou com minha opinião e chegou até aqui, neste blog.

Obrigado, agradeço de coração a quem tenho a honra de chamar de amigo(a).

domingo, 2 de setembro de 2007

Vivendo e aprendendo

Afonso Vieira

A vida nos proporciona diversas oportunidades e é, ao mesmo tempo, repleta de obstáculos; provavelmente está nesses dois elementos o segredo de aproveitá-la de forma satisfatória e alcançar a felicidade tão almejada.

Refletindo sobre o que nos ocorre no dia-a-dia; nas vezes que um evento deixou de acontecer; de uma reunião ou encontro ser cancelada; do não consumar de um fato. Quando nossas expectativas são frustradas por um vacilo ou mesmo por forças aquém de nosso controle, a tendência é se chatear, tentar imputar a culpa a algo. Porém, passado um certo tempo, olhamos para trás e por muitas vezes verificamos que foi melhor ter sido exatamente como ocorreu.

As oportunidades surgem, todos temos aspirações, visões de felicidade e de realização profissional, muito particulares. Por vezes, por falha própria não conquistamos um degrau aspirado, imputamos logo o fracasso a outrem, ficamos irritados e descontamos a frustração ao próximo.

Sem as adversidades, os obstáculos e os espinhos do caminho trilhado, provavelmente pouco aprenderíamos, pouco evoluiríamos. É justamente na dificuldade que vemos brotar as reais qualidades, é onde aflora o espírito de luta, o vigor do valente ante o opositor. Devemos saber aproveitar o momento ideal, quando do fracasso, não desistir e saber esperar o momento oportuno para nova tentativa.

O mundo não gira sempre da forma que desejamos, ele possui uma vida própria muito aquém de nossas vontades; os governos, empresas, profissões, pessoas e o cotidiano são extremamente diversificados. Dentro de todo esse universo, cabe a nós administrar a situação para que seja a mais proveitosa possível. Somos seres extremamente adaptáveis, quando usamos da inteligência conseguimos transformar uma situação desfavorável em algo prazeroso.

Pessoas negativas e rancorosas tendem a afastar a harmonia de si, conseguem estragar um ambiente saudável. Para alguns - que confundem ser crítico com ser indigesto - até a música, o lugar, ou a convivência pacífica entre pessoas de etnias, credos, ideologias e gostos divergentes, incomoda. Resta aos seres desprovidos do dom da tolerância e da conciliação se isolar em um mundo particular sem grandes emoções em sua existência, provavelmente fadados ao ostracismo.

Aos que sabem respeitar as individualidades resta a saúde, o bem viver, resta os louros de conseguir tirar proveito até mesmo da solidão. A busca da felicidade é uma constante, é a procura de uma utopia saudável. Para alguns a liberdade é o valor acima de contestações, sacrificando muitas vezes o que - em outra análise detalhada - pudesse contrapor a primeira idéia.

Os espinhos da vida e o respeito ao que discordamos nos ensina a ser tolerantes; nossos erros educam mais que os acertos; os tombos nos fortalecem; o aprimoramento constante de idéias e a diversificação sócio-cultural de nossos hábitos nos torna um ser plural, rico da mais valiosa de todas as virtudes, que é a sabedoria. Bom seria se os intolerantes e os que enxergam dificuldades em tudo começassem a fazer uma autocrítica de seus comportamentos, os maiores beneficiados seriam os próprios.

A escola da vida é o maior dos educandos, e é exatamente neste mundo adverso que nos formamos e aprendemos a buscar um bem maior. Com certeza um mundo perfeito e sem problemas seria a coisa mais entediante que alguém poderia imaginar. Enfrente os problemas e as dificuldades – reflita - pois até neles há algo de excelente a ser extraído.

"A felicidade às vezes é uma benção, mas geralmente é uma conquista." (Autor desconhecido)

*Foto de Daniela Miolla

**Publicado em O JORNAL, de 04 de setembro de 2007.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Uma música para uma noite de sexta


Bons tempos da cachaçaria Fogo no Rato, em Dourados, grande época.

Um som para relembrar. Creio que a proximidade do meu aniversário está me deixando nostálgico hehehe.

Um ótimo final de semana aos amigos.


segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Momentos felizes são eternos

Quem me conhece sabe o apreço que possuo por minhas amizades, elas estão acima do bem e do mal, do certo e do errado, são dádivas da vida. Fica uma música para celebrar momentos felizes.

Uma ótima semana para todos nós.


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Somos todos hipócritas


Afonso Vieira

Ao longo de nossa breve existência, sempre nos deparamos com duras críticas aos políticos; nas mais variadas vezes as indagações são fortes por parte de alguns e praticamente inexistente da ampla maioria. Ouvimos lamurios de muitos, mas manifestações de peso e que sejam consistentes acabam vindo apenas de uma pequena parcela da população, estes são os que fazem as cobranças mais fortes. Mas será que a culpa das nossas mazelas é única e exclusiva dos políticos?

Este breve ensaio vai generalizar a situação. Reclamamos - na maioria das vezes - com razão, mas será que fazemos ao menos a nossa parte? Ou ainda, temos moral o suficiente para criticar? Que políticos se utilizam de práticas espúrias para conseguirem agrados, e que não produzem nada a contento quando não lhes convém, é fato conhecido por todos – mas não são eles o perfeito reflexo de nossa sociedade?

Oras, vivemos na cultura do “jeitinho brasileiro”, onde levar vantagem sobre os demais – inclusive de forma desonesta - é exaltado como qualidade; quem fura fila é “esperto”; sonegar imposto de renda é regra e não exceção; o suborno do guarda de trânsito é prática corriqueira; os alunos estudiosos são tidos como nerds, malvistos pela maioria de seus pares. Pessoas alcançam padrões de vida elevados de formas impudicas, e devido a sua nova classe, passam a ser tratados como exemplos de retidão.

A baixa valorização da moral e dos bons costumes não possui determinismo geográfico ou posição social, ela possui representantes de todos os credos, raças e classes. Presenciei esta semana um senhor de carro importado estacionando na vaga de deficientes físicos; em contrapartida, os estacionamentos de carros – mesmo tento placas proibindo – estão abarrotados de motos.

Quantas vezes não vemos pessoas abastadas utilizando o nome das igrejas para conseguir benefícios? Quantas vezes buscamos formas de burlar as regras existentes para tirar proveito? Temos que autenticar cópias de documentos, fazer reconhecimento de assinaturas em cartório a apresentar comprovante de residência, pois nossa palavra não é confiável.

Temos o hábito de reclamar de qualquer coisa, mas normalmente não buscamos os meios corretos para sanar os problemas – mesmo tendo plena consciência de como fazê-lo. Existem leis municipais que regulam o tempo de permanência em filas bancárias e, mesmo sabendo disso, as pessoas ficam a reclamar, mas não se utilizam dos mecanismos legais para fazer valer seus direitos. Há ainda as mães que, sem necessidade, levam crianças no colo para escapar da espera.

Não estamos preocupados em resolver a situação, e sim, em tirar proveito. Preferimos assistir novelas estúpidas a ler um bom livro. Não apagamos a luz de estabelecimentos de terceiros – a conta não é nossa. Lixeiras parecem mais ornamentações sem finalidade, pois atirar papel ou latas de cerveja nas ruas é normal. Não nos preocupamos em bem fazer nosso serviço, afinal, o salário estará na conta no fim do mês, independente da produção. O professor bom é aquele que não cobra, mas que enrola a aula.

Pois é, entra governo e sai governo, os escândalos se multiplicam e o povo continua elegendo Jaders e Malufs com votações recordes. Magistrados “aumentam” os próprios salários. As mais ridículas desculpas continuam sendo aceitas. Não nos lembramos em quem votamos na última eleição, e nem cobramos atitudes e esclarecimentos dos representantes. Justificamos tudo com o chavão: “os outros também faziam/fazem”, e fica tudo por isso mesmo.

Somos hipócritas quando cobramos padrões morais de nossos representantes, afinal, eles são nossa cópia elevada à perfeição.

*Quadro "A fábrica de ilusões" de Aniano Henrique

**Publicado em O JORNAL, de 20 de agosto de 2007.

***Publicado no Portal Grito http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=54


terça-feira, 14 de agosto de 2007

Fala Renan!


Afonso Vieira

A quantas andam as investigações que pesam sobre o Presidente do Senado? Pois é, é uma pergunta a que todos os cidadãos devem buscar as devidas respostas. Até agora, as coisas ficam a cada dia mais complicadas para o alagoense, mas não é este o assunto que venho tratar neste artigo e sim, das informações que ele possui sobre os demais políticos.

Muito foi dito sobre a montagem de um possível dossiê contra seus detratores, ele mesmo já ameaçou alguns de forma direta e ao vivo pela Tv Senado. A canalhice suprema ganha formas e vulto na política brasileira.

O que ele sabe a ponto de não renunciar ou mesmo se afastar do cargo? Será que possui algo tão bombástico que possa desestruturar de vez a nossa já combalida república de bananas?

Olhem o nível a que chegamos, o presidente de uma das mais importantes instituições do país ameaçando seus pares para se salvar do calvário. Quando pessoas mais ácidas criticam e mexem nas feridas brasileiras, são duramente criticadas pelos nacionalistas e ufanistas de plantão, mas será que elas estão mesmo erradas? Sou uma pessoa que cultua os valores cívicos, que ama seu país, mas cada vez eu fico mais descrente em nossas instituições. Não vislumbro sequer um representante político confiável nos que estão disponíveis.

Primeiramente, se Renan sabe algo de podre de seus colegas de casa e não diz, está compactuando com o ilícito; segundo, para alguém que preside o Senado da República, este comportamento é no mínimo incompatível com a magnitude do cargo; terceiro, partir para o ataque antes de justificar suas falcatruas, só está comprovando que não possui defesa contundente sobre as denúncias que lhe assombram.

Como qualquer cidadão honesto e que possua vergonha na cara, eu engrosso o coro dos que querem que as denúncias atuais - e todas as que possam vir a surgir - sejam investigadas até a exaustão. Se para que Renan caia e seja punido por seus atos for preciso derrubar meio parlamento, que assim seja. Chega de vermos bandidos sendo beneficiados por decisões ridículas.

Até hoje estou esperando o partido da “ética e da moral” - que há alguns anos pedia a cabeça de qualquer rato por coisa muito menos importante - se manifestar. Cadê os militontos que gritavam o “Fora FHC” e “Fora FMI” todos os dias? Até agora, só tenho visto eles se pronunciarem para defender ou relativizar sobre os fatos.

Volto a bater na tecla de que temos que renovar todas as casas legislativas do país. Tirando as poucas e raríssimas exceções, qualquer um merece mais respeito que a corja que hoje ocupa nosso Senado/Câmara dos Deputados.

E não venha o cara-de-pau do Senador Almeida Lima enviar e-mails querendo justificar o injustificável. Quem defende bandidos e corruptos, também o é. Ninguém é mago das finanças que possa multiplicar o patrimônio tão rapidamente, vendendo produtos por valores muito superiores ao praticado pelo mercado. Se essa conversa fiada cola para alguém, para mim, não.

Torço para que apertem mais ainda Renan Calheiros, que esmiúcem suas contas até o último centavo, quem sabe assim ele fala tudo o que sabe.

Fala Renan, fala que nós queremos ouvir!

Publicado http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=55


De: Afonso Vieira (afonsohjv@hotmail.com)
Enviados: quarta-feira, 15 de agosto de 2007 4:35:49
Para: almeida.lima@senador.gov.br; arthur.virgilio@senador.gov.br; augusto.botelho@senador.gov.br; cristovam@senador.gov.br; delcidio.amaral@senador.gov.br; demostenes.torres@senador.gov.br; dep.antoniocarlosbiffi@camara.gov.br; dep.chicoalencar@camara.gov.br; dep.fernandogabeira@camara.gov.br; dep.jairbolsonaro@camara.gov.br; dep.nelsontrad@camara.gov.br; dep.onyxlorenzoni@camara.gov.br; dep.rodrigomaia@camara.gov.br; ecafeteira@senador.gov.br; eduardo.suplicy@senador.gov.br; gerson.camata@senador.gov.br; gilvamborges@senador.gov.br; heraclito.fortes@senador.gov.br; ideli.salvatti@senadora.gov.br; jefperes@senador.gov.br; joaopedro@senador.gov.br; jonaspinheiro@senador.gov.br; jose.maranhao@senador.gov.br; marconi.perillo@senador.gov.br; maria.carmo@senadora.gov.br; marisa.serrano@senadora.gov.br; renatoc@senador.gov.br; romero.juca@senador.gov.br; romeu.tuma@senador.gov.br; sergio.guerra@senador.gov.br; siba@senador.gov.br; simon@senador.gov.br; valdir.raupp@senador.gov.br; valterpereira@senador.gov.br

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Liberdade, responsabilidade e relatividade


Afonso Vieira

Liberdade, ai está um conceito que caminha concomitantemente com responsabilidade. À medida que dispomos de maior autonomia, nossas obrigações aumentam. É de certa forma relativo, mas indispensável ao ser vivo.

Muito ouvimos sobre liberdades individuais, econômicas e de expressão. A liberdade individual é correlata ao respeito dos direitos de terceiros e à observância das regras estabelecidas pela sociedade; a econômica depende da regulamentação por parte do Estado - sua fiscalização e observância dos preceitos éticos e morais inerentes ao meio social; a de expressão deve ser emitida com a observância dos valores, sem denegrir pejorativamente e difamar alguém ou algo.

A definição conceitual é relativa a cada pessoa, mas o valor é absoluto - assim como ética e moral. Eu posso perfeitamente me encontrar em uma situação que para outrem não represente liberdade e, mesmo assim, considerar-me livre. A liberdade se expressa nas mais diversas maneiras, seja por palavras, atos, gestos, sentimentos e demais formas de manifestação.

Ao me dirigir a alguém, tenho que ter ciência de que posso fazê-lo desde que não desrespeite Leis e a individualidade dos demais seres da comunidade. Posso perfeitamente ter conhecimento e opinião sobre um assunto, posso discordar da legislação vigente, sendo esta o único valor que não posso relativizar - ao menos enquanto esteja valendo; se discordo, sou livre para contestar de forma civilizada e buscar meios para que seja alterada.

Quando alguém ataca qualquer forma de liberdade, e fica somente na retórica, prova-se que ela foi expressa de forma legítima. Vários jornalistas da dita grande imprensa sofreram/sofrem processos jurídicos por exporem suas opiniões, e pelo que tenho lido ganham a maioria das ações. Há muita distorção das palavras, uma espécie de ditadura do politicamente correto, e infelizmente- - somente quando convém aos supostos ofendidos.

Liberdade não é libertinagem, é viver dentro das adversidades tendo plena consciência de seus direitos e deveres. É respeitar as minorias, mesmo fazendo parte da maioria; saber se portar sem desmerecer os demais.

O conhecimento é atributo necessário para que se atinja a liberdade plena. Há a necessidade de Educação, assim como meios mínimos de qualidade de vida. Ser livre necessita entendimento amplo do sistema vigente. Não se justifica o desrespeito e a transgressão das normas alegando parco conhecimento, muito menos se atenua culpa por posição social ou grau de instrução, este último - quando elevado - deve ser tido como agravante e não diminuto de culpabilidade.

Liberdade é fazer criticas, saber que se está sujeito às mesmas e que devemos aprender com elas. É poder vaiar ou aplaudir uma pessoa pública, cobrando-lhe responsabilidades e atitudes.

Ser livre é ser religioso, ateu, agnóstico, apolítico, partidário, apartidário, crítico, conivente, omisso, atuante; mas, acima de tudo, ser responsável por seus atos e ações, assumindo-os de forma clara e jamais fugindo deles com alegação de desconhecimento.

Quanto maior o grau de liberdade, maior é a responsabilidade, independente de relatividade.

*"A liberdade, ao fim e ao cabo, não é senão a capacidade de viver com as conseqüências das próprias decisões".(James Mullen)

**Publicado no Portal Grito http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=53


sábado, 4 de agosto de 2007

A meritocracia que nos falta


Afonso Vieira

Muito tem se falado sobre as qualificações profissionais - e a falta delas - nos mais diversos setores. O que falta para que não se ocorra tantos descalabros e incompetência gritantes no país? Há de se adotar critérios técnicos e processos seletivos mais eficazes para a designação de cargos estratégicos, para que os problemas sejam solucionados a contento.

A tendência natural de um mundo em evolução é o aprimoramento constante; as melhoras virão com mais ou menos rapidez de acordo com o sucesso das pessoas responsáveis pelo gerenciamento das engrenagens.

Nas grandes empresas o nível de exigência aumenta cada vez mais, de sorte que temos dentro de todas as adversidades possíveis, empresas mais competitivas alcançando maiores lucros e com produtos cada vez melhores; em decorrência disso, os cargos são mais bem remunerados e a qualidade de trabalho tende a um patamar mais satisfatório.

As empresas públicas acompanham a tendência globalizada; vemos seus lucros baterem recordes atrás de recordes, mas ainda assim ficam atrás da qualidade do setor privado. O que falta para melhorar estes setores? Vemos exemplos dos mais diversos, até mesmo dentro de governos estaduais e municipais, onde o sistema de méritos e metas estão sendo implantados. Os resultados saltam aos olhos, o enxugamento da máquina pública tem proporcionado a obtenção de resultados maiores em um curto espaço de tempo.

Nos últimos dias, as Agências Reguladoras têm sofrido diversos ataques quanto a sua autonomia; não há problema algum na independência delas; há sim, a falta de qualificação dos nomeados políticos. Quais os méritos e qualificações que o atual governo se utilizou para aparelhar os órgãos reguladores? Ao que tudo indica, fisiologismo e partidarismo doentio, somente.

Temos exemplos bem sucedidos de governos que contrataram consultorias. Entre as mentes brilhantes temos em destaque Vicente Falconi Campos - que inclusive foi sondado para projetos na Previdência Social - que, ao que tudo indica, foi barrado pelo atual Ministro da Fazenda Guido Mantega. O Ministro da Saúde já anunciou que pretende implantar métodos gerenciais nos hospitais financiados pelo SUS.

É nítido que especialistas devem se sair muito melhor em secretarias e ministérios que políticos profissionais, que normalmente só entendem de finanças pessoais. Precisamos de uma renovação nas secretarias, ministérios e qualquer cargo gerencial da administração pública; que se retirem os políticos ineptos e incapazes e se coloquem profissionais qualificados na área. Chega de pagarmos incompetentes e toupeiras que só sevem para aumentar o patrimônio particular e malversar os recursos de sua responsabilidade. Isso vale para as três esferas de poder, municipal, estadual e federal.

Vou citar um exemplo recente: o Presidente da República possui uma assessoria de comunicação, sabemos que Lula adora um improviso e se destaca por proferir gafes. O mínimo que se espera de um representante público é respeito para com o ouvinte, os discursos ao menos devem ser preparados ou debatidos os assuntos abordados. Onde estavam os assessores do presidente quando ele disse - mais uma vez - que “não sabia de nada” sobre o apagão aéreo, mesmo tendo assinado um texto com duras críticas ao setor em 2002? Ressalte-se que este é apenas um dos inúmeros casos. Em qualquer empresa séria, já teríamos novos auxiliares.

Abaixo ao peleguismo e fisiologismo partidário; que venham os profissionais, os méritos e as metas!

*Quadro "O Mágico" de Aniano Henrique

**Publicado em O JORNAL, de 06 de agosto de 2007.


domingo, 29 de julho de 2007

Uma música para alegrar o domingo

Recordando a época das matinês e boates, quando tínhamos que arrumar CPF (então CIC) emprestado para poder entrar nas casas noturnas, vai uma música que traz boas recordações.

sábado, 28 de julho de 2007

Perseguição midiática


Afonso Vieira

Quem persegue os políticos? A mídia? É uma pergunta que levo à reflexão de todos. Já se tornou clichê dos representantes eleitos envolvidos em qualquer tipo de escândalo. Basta surgir um problema ou desvio de conduta, que automaticamente a culpa é imputada aos veículos de comunicação - que têm como missão divulgar fatos.

É público e notório que não existe imparcialidade jornalística, o próprio conceito de imparcialidade é de certa forma utópico. O que um veículo de comunicação tem que buscar é a pluralidade de idéias. As notícias devem se ater aos fatos, e as posições emitidas em colunas de opinião.

Proponho outra questão: haveria perseguição midiática se a “vítima” não se envolvesse em atitudes suspeitas? Digamos assim: uma pessoa sendo eleita ou nomeada para um cargo, é flagrada em conversas telefônicas fazendo acertos nebulosos para partilha de dinheiro; outra, por parentesco com alguém importante, é pega praticando tráfico de influência; a pensão de um filho fora do casamento de um cacique da política é paga por um lobista de uma grande empreiteira; o filho do presidente da nação vira - da noite para o dia - um milionário, sócio de uma empresa de fundo de quintal que recebe aporte de uma concessionária do serviço público; o sigilo bancário de um caseiro é violado por pressão de autoridades; pessoas do primeiro escalão, nomeadas e tidas como de confiança, cometem atos ao menos contestáveis; as filas e atrasos nos aeroportos viram rotina e nada de efeito surge para saná-las. Esses são apenas alguns exemplos. O que nossos representantes querem, que isso tudo fique escondido? O mínimo que se espera é apuração e que a sociedade seja informada.

O curioso é que os chorões de agora exaltavam os jornais e revistas outrora. Recordo-me muito bem de capas de semanários elogiando vários “perseguidos”. Alguns jornalistas que hoje são demonizados por certas militâncias, eram tidos e tratados até pejorativamente com o mesmo nome dos partidários de algumas agremiações políticas.

Será que um jornalista não pode mudar de opinião? É o mínimo que uma pessoa honesta pode fazer: assumir o erro e, por ser imprensa, não se omitir quanto aos fatos. A palavra valia quando elogiava, e agora - quando critica - não vale mais?

Os cidadãos, em contrapartida, devem buscar informações e se inteirar dos assuntos; de preferência ler mais de uma fonte, buscar o senso crítico e não se tornar o animal midiático – perfeitamente descrito no livro "Como ler jornais" de Janer Cristaldo.

Falta ao brasileiro aprender que fazer uma boa gestão é obrigação do político, e que todos os cidadãos têm o dever de cobrá-los. Fazer propaganda para alardear a construção de uma obra emergencial ou a reforma de qualquer escola, hospital e demais estabelecimentos sob a tutela do Estado, nada mais é que compra de votos disfarçada, como se os eleitos já não tivessem a incumbência de gerir a máquina pública.

Falta aos “astutos” hombridade de assumir responsabilidades, vergonha na cara em admitir erros e competência em nos representar. E à imprensa resta noticiar fatos, sem exageros e conclusões precipitadas; caso incorra em crime ou devaneios, a justiça está ai para proteger a quem de direito. Chorar e tergiversar só prova que a mídia não perseguiu e, sim, cumpriu seu dever de noticiar a verdade.

Ps. Pegue um texto de Arnaldo Jabor anterior a 2003, troque FHC por Lula, você se surpreenderá com o resultado.

*Publicado em O JORNAL, de 30 de julho de 2007.

**Publicado no Portal Grito http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=51


sexta-feira, 27 de julho de 2007

Inauguração do contador do blog

Como não havia um contador, acabei de instalá-lo, vamos ver no que dá, sei que o ibope é baixo, mas vamos ver o tanto que realmente é hehehehe.

Abrindo uma cerveja para comemorar a inauguração.


quinta-feira, 26 de julho de 2007

A melhor frase que li neste dia que termina


A verdade alivia mais do que magoa. E estará sempre acima de qualquer falsidade como o óleo sobre a água.


(Miguel de Cervantes)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Questão de opinião?

Afonso Vieira

Em recente artigo intitulado “Até quando?”, citei claramente a incompetência governamental em gerir diversos problemas que assolam o país, disse ainda: “Lula e sua equipe vivem de brindar números estatísticos com as melhoras alcançadas, mas se esquecem dos fatores que proporcionaram galgar esses degraus”. Para bom entendedor, sem amarras ideológicas e partidárias, meia palavra basta.

Vangloriar-se de números é fácil, difícil é mostrar as medidas deste governo que foram adotadas para que chegasse a eles. Como disse, o apagão gerencial é tão gritante, que o presidente do Banco Central deste governo é um político do partido de oposição PSDB – falta de gente qualificada para o cargo? Não sei - o fato é que ele continua lá, firme e forte dentro de sua ortodoxia de cumprimento de metas exatamente como seu antecessor. Quais foram as medidas estruturais aprovadas e implementadas por este governo e que resultaram em algum fruto?

O tão alardeado PAC, que pretende investir R$ 15 bilhões neste ano em obras de infra-estrutura, até 30 de abril tinha liberado apenas R$ 1 bilhão e isso utilizando metade de despesas que foram inscritas em restos a pagar.

Lembro que políticas de longo prazo demoram anos para surtirem efeitos, não se cria estabilidade econômica em 4 anos. Qual foi a reforma realizada na já combalida de deficitária previdência, na ultrapassada legislação trabalhista? Lembro que só o fato de existir a Lei de Responsabilidade Fiscal (ressalte-se que o PT votou e fez campanha contra), já temos uma melhoria na gestão administrativa, que influencia diretamente nos números galgados.

Quando se fala em privatizações – esse “monstro” – temos uma melhora em praticamente todos os setores, a lauda não me permite que poste muitos números, mas para breve exemplo cito a telefonia: Telefones fixos e celulares em uso - 1997 = 23 milhões - 2006 = 137 milhões; Preço da linha telefônica fixa (em U$) - 1997 = 4000 - 2006 = Zero; Empregos -1997 = 91000 - 2006 = 316500.

No desenrolar da atual crise aérea, temos o seguinte quadro: o número de passageiros cresceu 40% em relação a 2003 - mesmo após inúmeros alertas das autoridades sobre o risco iminente - o governo reduziu pela metade o investimento; em 2002 foram investidos R$ 823 milhões no sistema de segurança aérea, tendo caído para a média de R$ 458 milhões nos últimos anos.

Em relatório divulgado no início deste ano pela ONU, o Brasil está em penúltimo no ranking do crescimento entre os emergentes, para efeito de comparação temos a previsão de crescimento de nossos vizinhos: Argentina deve apresentar o melhor desempenho, com 6,1% de crescimento, ante 6% da Venezuela. Lembro ainda que a economia mundial vive um dos momentos de maior prosperidade da história, que gera automaticamente elevados investimentos nos países emergentes – entre eles o Brasil. Tem quem goste de basear por baixo, que se contente com esmolas ou se omite ante aos fatos, eu não.

Continuo dizendo, temos uma economia sólida, que cresce a passos de tartaruga e nada é feito com eficiência. Os setores da economia prosperam devido a excelentes administradores, com poucas ou nenhuma medida de incentivo adotada pelo governo. Lembro ainda que temos o terceiro maior custo investimento do mundo e uma das maiores cargas tributária. Utilizar-se de estatísticas, sem conhecer os processos para que se cheguem até os números, é populismo barato, é alardear frutos que não plantou. Gastou-se milhões em campanha publicitária sobre a auto-suficiência do petróleo, depois descobrimos que era mentira. Pois é, vivemos na terra da demagogia, de pouca ação e muita propaganda.

É o espetáculo do crescimento, pena que é de vítimas de acidentes aéreos.

*"Uma mentira muitas vezes repetidas, torna-se verdade" - Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler.

**Publicado em O JORNAL, 27 de julho de 2007.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Assassinem os políticos!

Afonso Vieira

Preparem suas foices, facas, revólveres, pedras, balaústres ou qualquer instrumento que possa ser utilizado como uma arma. Estou declarando aberta a campanha "Assassinem os Políticos".

Exatamente isso, leitor: conclamo a todas as pessoas de bem - que ainda possuem vergonha na cara e prezam pela ética e moral - a angariarem o maior número de adeptos para que levemos à execução da conspiração. Não se esqueça que você é um dos maiores culpados por eles estarem no poder; afinal, você de certa forma os elegeu.

Pegue todo seu ódio guardado; recorde-se das milhares de pessoas mortas todos os anos em decorrência do descaso das autoridades, daquele senhor morto na frente da câmera de tv em um estabelecimento de saúde; lembre-se que tem que trabalhar todos os dias por mais de trinta anos, ganhando um salário muitas vezes pífio e só depois conseguir se aposentar – isso sendo obrigado a ver verdadeiros néscios eleitos com uma mão na frente e outra atrás, que em poucos anos se tornam fenômenos das finanças pessoais; nutra suas forças com o escárnio; fixe-se em todas as pessoas prejudicadas pelas obras inacabadas, superfaturadas e inexistentes; não deixe de lembrar dos sanguessugas, mensalão, painel do congresso, anões do orçamento; e jamais se esqueça de que a conta de toda essa tragédia quem paga é você!

Comece a elaborar seu plano, estude as táticas que melhor encontrar para degolar o político. Prepare sua bomba caseira - se possível até atômica - vamos exterminar essa raça! Peça colaboração e até mesmo recrute cirurgiões para auxiliar na tarefa: ajuda nunca é demais. Estamos em uma guerra para tentar recuperar a moral de nossa política.

Você pode pensar “mas existem políticos bons e honestos”; sim, existem, mas são comuns como uma baleia azul. De sorte que você deve pensar como um militar frio e calculista que pretende vencer uma guerra: são baixas de combate – entram simplesmente nas estatísticas. Eximo automaticamente das conseqüências desta campanha o Senador Jefferson Peres, que do alto de sua honra - até o presente inatacável - já anunciou que vai se afastar do antro que se tornou nosso Senado.

Pense bem, escolha seu alvo, não se esqueça que vamos mirar todos os políticos da legislatura atual, sem exceção: do mais ridículo vereador ao supremo mandatário da nação.

Deixe de lado as paixões partidárias e ideológicas, o assunto é sério e visa o bem maior que é o país como um todo. Sei que é difícil para os doutrinados aceitarem a mudança, mas é só forçar um pouquinho e buscar o mínimo de inteligência que perceberá que essas mortes se fazem necessárias.

Busque todos os meios auxiliares possíveis: guilhotinas, trituradores, metralhadoras, tanques, aviões, helicópteros, fuzis e o que mais encontrar. Mire de forma que não erre - a precisão tem que ser cirúrgica; depois de mortos ainda temos que cremá-los e jogar suas cinzas ao mar, para que não reste a menor lembrança de seus feitos e atrocidades.

Todos preparados? Estão prontos? Vamos às vias de fato!

Municiem-se de seus títulos de eleitor na próxima eleição e não reelejam um único político, assassinem politicamente quem não merece seu voto. A renovação se faz necessária - pior do que está, garanto que não ficará.

Ps. Se depois de tudo isso ainda não houver solução ou melhora, releiam o texto, ignorem o último parágrafo e mãos à obra.

Publicado no Portal Grito http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=50


sábado, 21 de julho de 2007

Até quando?


Afonso Vieira

Já disse inúmeras vezes que este país só irá se tornar uma nação respeitável e séria, quando tivermos um salto astronômico em nossa Educação. Mas chega ser revoltante e ofensivo à nossa inteligência, a forma com que são tratados os problemas nacionais. A cada dia que passa, a gritante incapacidade gerencial do presidente - reeleito com 61 % dos votos válidos – fica mais patente.

Não quero entrar nos méritos da culpabilidade do acidente aéreo ocorrido no último dia 17, não vem ao caso. Venho chamar à reflexão a completa inaptidão do “governante” e sua corja para administrar o que quer que seja. Senão vejamos:

Com exceção do ProUni, não há um único programa fruto deste governo que saiu do papel e tenha obtido resultados satisfatórios. Luiz Inácio da Silva possui um ego inflado e praticamente já se convenceu que é o representante divino que veio sanar todas a mazelas do Brasil. Lula e sua equipe vivem de brindar números estatísticos com as melhoras alcançadas, mas se esquecem dos fatores que proporcionaram galgar esses degraus. E isso é tão preocupante, que até mesmo pessoas que se dizem esclarecidas acreditam; mal sabem eles que quase a totalidade dos programas lulisticos são cópias pioradas de seu antecessor, sem méritos próprios.


Para se governar um país, o mínimo que se espera é preparo e tino de administrador; qualquer gestor - por mais medíocre que seja - tem por obrigação tomar atitudes quando os problemas lhes são postos. O supremo apedeuta (sim, tem horas que a paciência se esgota) até hoje não afastou nenhum ministro ou aliado nos casos de corrupção e incapacidade gerencial. Temos uma ameba como Ministro da Defesa, que nada sabe da pasta que ocupa, foi preciso acontecer catástrofes para que se cogitasse seu afastamento do cargo; pois já estamos na segunda e o líder dos analfabetos ainda busca uma “saída honrosa” para o amigo incapaz.

A Ministra “relaxa e goza” perdeu a reeleição pela incapacidade de administrar e, como prêmio pela inépcia ganhou um ministério; alguém sabe dizer qual o grande feito político de Marta Suplicy, além de ofender os usuários do setor aéreo? O único de relevância foi manter o sobrenome do marido traído.

O energúmeno Marco Aurélio Garcia demonstra seu real sentimento para com a última tragédia, ofendendo mais uma vez a memória dos que foram e a inteligência dos que ficam.
Alguém poderia me dizer qual a qualificação técnica que possui Milton Zuanazzi para presidir a Anac? Pelo visto seu currículo se resume a ser membro do Partido dos Trabalhadores (sic).

Até quando teremos que aturar incompetentes cuidando da gestão pública? Sem uma população esclarecida (Educação) - que vote no projeto de governo e não na esmola diária e política do pão e circo – infelizmente, não vemos luz no fim do túnel.

*Um administrador será sempre um governante, mas um governante nem sempre será um administrador.

**Publicado em O JORNAL, 23 de julho de 2007.

***Publicado no Portal Grito
http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=49


sexta-feira, 20 de julho de 2007

Uma música à Amizade - Wasted Years

Dia Internacional da Amizade

Afonso Vieira

Amizade, este deve ser o sentimento mais louvável e verdadeiro do ser vivo. O estabelecimento de um dia específico para comemorar algo que manifestamos diariamente é mera formalidade para a exaltação.

Não há sentimento maior de afeto; os amigos podem ser pais, irmãos, a pessoa amada, parceiros do trabalho e pessoas do círculo social. Entretanto, só se torna merecedor da alcunha alguém digno da confiança depositada, "um irmão pode ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão."

Você já parou para pensar que existem pessoas que mesmo distantes não nos saem da cabeça? É algo inexplicável, queremos o bem desses seres sem importar quando e onde. Seja em Buenos Aires, Nova Zelândia, San Diego, Japão ou até mesmo em Marte. O sentimento transcende a lógica da razão - por mais que possam ocorrer divergências, o vínculo afetivo supera qualquer impasse.

O verdadeiro amigo não precisa nos provar nada, o simples fato de existir já é a nossa maior recompensa. É aquela pessoa que aguardamos que nos incomode, que nos ligue na madrugada em pleno inverno, que mesmo embriagada consegue nos alegrar pelo simples fato de nos procurar.

Na convivência diária, até os defeitos mais irritantes fazem falta na ausência. É a pessoa acima do bem e do mal, aquela que pode ser uma péssima referência para os outros, mas o que importa é o que é para nós. Com todos os defeitos possíveis, o amigo ainda terá mais qualidade que um mártir da virtude.

O verdadeiro amigo pode ficar por anos desaparecido, coisa que meia dúzia de palavras e um simples abraço superam como se nunca tivesse se ausentado.

É aquela pessoa que podemos contar a qualquer hora do dia ou da noite, que nunca nos negará o ombro na alegria ou na tristeza. O verdadeiro amigo não precisa ter vínculo de sangue, basta o vínculo da confiabilidade.

Os melhores amigos são os irmãos que a vida nos dá, são nossos cúmplices e confidentes de todos os momentos. A amizade é superior à materialidade. Criamos laços mesmo por trás de uma tela de computador. Aprendemos a confiar em pessoas que não vemos ou sequer conhecemos pessoalmente, sem que isso abale de forma alguma o sentimento.

A vida nos brinda com momentos e pessoas que devem ser aproveitados e preservados. A minha me proporcionou uma quantidade considerável de verdadeiros amigos, tanto como familiares quanto não - pessoas com que convivi e convivo. Ter este dia para exaltá-los é mero rito formal para comemorar o que é cultivado todos os dias, o sentimento de amor pelo que de melhor minha breve existência me apresentou.

Bom seria se todas as pessoas preservassem as amizades, honrassem este sentimento tão nobre e praticassem a tolerância e compreensão - coisas que só aprendemos no exercício da afeição.

Feliz dia internacional da amizade!

*Publicado em O Jornal, 20 de julho de 2007.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

O Brasil sangra

Afonso Vieira

Mais um trágico acidente aéreo abala o país, em um momento de dor e tristeza; primeiramente venho expressar meus sentimentos às famílias das vítimas da tragédia, após isso, faço algumas reflexões que se seguem:

Ainda não se sabem as causas do acidente, muito menos quais os culpados. Devido aos recentes acontecimentos e a crise aérea que assola o país, foi inevitável que boa parte da população e dos jornais do Brasil, insinuassem a culpa pela falta de gerenciamento e planejamento do Governo Federal.

Tomadas as devidas proporções dos comentários midiáticos e até mesmo, ressaltando o bom senso que algumas emissoras tiveram em respeito às vítimas, chama a atenção tamanha a hipocrisia que se tornou a internet brasileira.

Recomendo para as pessoas de boa saúde mental e que não estão acostumadas com comentários medíocres que ofendem a inteligência, que evitem ler os comentários de blogs, comunidades do orkut e demais fóruns virtuais.

A boçalidade é tamanha, que muitos estão mais preocupados em criar uma guerra partidária sobre os culpados, onde automaticamente já estão arranjando álibis para justificar alguma responsabilidade que possa vir a ocorrer. Nem a privacidade das vítimas e familiares é respeitada, muitas vezes até em grandes portais eletrônicos.

O mais deprimente de tudo isso, é constatar que boa parte desses biltres acéfalos, são universitários e alguns pseudo-jornalistas detentores de blogs sensacionalistas, que proliferam hoax com as mais estúpidas teorias conspiratórias. Travam verdadeiras batalhas, dignas das mais arraigadas militâncias extremistas – sem nenhum escrúpulo ou respeito.

Assistindo ao Jornal Nacional hoje (18/07), vi a dor e sofrimento dos familiares das vítimas - em um hotel em Porto Alegre - quando da divulgação da lista de passageiros. As imagens comovem qualquer um; ficar por horas aguardando as notícias, sem confirmação alguma - não desejo a angústia e o sofrimento semelhante a ninguém.

A tragédia poderia ser evitada? Não sei, e achar os culpados não vai trazer os mortos de volta, nem melhorar o sofrimento atual das famílias. Os problemas estruturais do governo, a incapacidade de seus ministros, com comentários desastrosos, podem nada ter a ver com o acidente. Nas imagens divulgadas na edição do jornal, nota -se que o avião passou rapidamente pela pista, demonstrando que estava acima da velocidade normal para o pouso.

É um momento lamentável, não somente o acidente, mas o caos estrutural em que se encontra o país. Porém, o mais lamentável é verificar que pessoas, que se dizem esclarecidas, não demonstram o menor sentimento e nenhuma hombridade - deixando o mínimo de civilidade de lado - fazendo transparecer toda a estupidez humana, com atitudes dignas dos mais vis seres.

Simplesmente, aviltante.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=48


domingo, 15 de julho de 2007

Semana da amizade

Como nesta semana comemoramos o dia internacional da amizade, nada mais justo que a iniciemos com uma música animada que estimule a alegria.

Boa semana!!!

Música do Domingo


Inciando o domingo vendo um clipe muito bom, traz ótimas recordações, a saudade da "época boa" é inevitável.

Mindnight Oil



sábado, 14 de julho de 2007

Frase do dia

“Não devemos de forma alguma preocupar-nos com o que diz a maioria, mas apenas com a opinião dos que têm conhecimento do justo e do injusto, e com a própria verdade.” (Platão)

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Em homenagem ao Dia do Rock, uma breve seleção

Midnight Oil - Beds are Burning
http://www.youtube.com/watch?v=10BbpGKLXqk

Janis Joplin - Piece of my heart
http://www.youtube.com/watch?v=-7JVxE2SYxo

Deep Purple-Perfect Strangers
http://www.youtube.com/watch?v=imDzw_k1xig

Jimi Hendrix - All along the watchtower
http://www.youtube.com/watch?v=1n7EEcv5bIw

Jimi Hendrix - Voodoo Chile live
http://www.youtube.com/watch?v=22eubaCUNJU

Velhas Virgens - Beijos de Corpo
http://www.youtube.com/watch?v=4yIPKAwezE0

Kiss - Rock-n-Roll All Night
http://www.youtube.com/watch?v=DWLpbcgc814

Ramones - Poison Heart
http://www.youtube.com/watch?v=lUwDX84JDbg


A minha preferida:

Dia Mundial do Rock



For Those About To Rock (We Salute You) – AC DC

Aos adoradores das guitarras nervosas, das baterias pesadas, dos baixos raivosos e vocais nada convencionais, brindemos ao Dia Mundial do Rock.

Saudemos os deuses das guitarras e os imortais monstros do rock, vida longa à música de qualidade, desde que a qualidade seja um solo de guitarra, um bumbo ensurdecedor ou um agudo estridente.


[. . .]Brindamos com álcool
Todos os sonhos frustrados
Será preciso mais para nos derrubar
Aperto de mãos, olhos nos olhos
Amigos para uma vida inteira
É o que da força pra continuar[. . .]

Meus irmãos da Banda Katástrofe, música Labirinto da Morte.

Download da música neste link:

http://www.4shared.com/file/19799729/2b7016d8/Katastrofe_-__mp3__-_Labirinto_Da_Morte.html

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Eu falei Educação, estúpido!


Afonso Vieira

A bandeira que defendo como solução para nosso país é a da educação; mas quero deixar claro que é a educação de qualidade, ou seja, Educação com "E" maiúsculo. Não o que temos como exemplo na maior parte das escolas e universidades.

É comum vermos pessoas dizendo “ensino público, gratuito e de qualidade” - será? Gostaria de chamar para a seguinte reflexão: a suposta qualidade está na instituição ou nos alunos? Senão, vejamos: as melhores e maiores universidades do país, ou os melhores cursos, são os que possuem os vestibulares mais concorridos e - em conseqüência - os alunos com melhor conteúdo. Será que teriam essa suposta excelência sem esses alunos? Isso sem mensurar a quantidade de estudantes que pode pagar um ensino privado cursando vagas públicas; se colocarmos essa proporção nas universidades realmente de relevância, arrisco que mais de 2/3 possam pagar pelo seu estudo.

Um segundo ponto a deixar claro é o de que universidades possuem extensão e pesquisa, onde se preocupam com particularidades que não a formação acadêmica, mesmo sendo esta o que a maior parte da sociedade procura. Falando com a experiência de quem já estudou em universidade pública e privada, títulos como doutorado e mestrado - dentro de uma sala de aula - não refletem necessariamente a excelência na educação. Já vi péssimos doutores e excelentes bacharéis ministrando aulas, lembrando que a didática é atributo necessário ao educador. De que vale ser detentor de conhecimento, se como mestre não consegue repassá-lo? Se não consegue "ensinar a pensar"?

É comum vermos pedidos para que se abram novos cursos e se ampliem as vagas no ensino superior; de que isso adianta se não possuímos estrutura adequada e professores qualificados para compor o corpo docente das instituições? Em recente estudo do Conselho Nacional de Educação, verificou-se a defasagem de formandos em áreas fundamentais como física, química, biologia e matemática, resultando na falta de profissionais qualificados para ministrarem aulas aos alunos dos ensinos fundamental e médio, que dirá do superior.

Onde está o ensino de qualidade? Na maioria das vezes, nas escolas particulares e nos cursos restritos das grandes universidades - de um modo geral - a qualidade é a mesma em bancos acadêmicos públicos ou privados, sendo o único diferencial o nível do aluno. Cito um exemplo que já presenciei em algumas ocasiões: péssimos professores - que foram demitidos de instituições privadas - ministrando aulas em universidades públicas, prova que nem sempre o concurso seja a solução.

Há ainda a necessidade de estipular um código de ética claro para quem deseje professar um conhecimento, pois as condutas de muitos são dúbias. É comum vermos “profissionais” que não preparam aulas, que se propõem a ministrar um assunto que não dominam, e - para piorar - não possuem humildade para enxergar ou admitir isso.

Não é raro nos depararmos com “ícones” das grandes universidades públicas proferindo besteiras pelos jornais do país. Citando um colega, se “a religião é o ópio do povo, Karl Marx é o ópio dos intelectuais tupiniquins”.

De nada vale a quantidade sem qualidade, chega de produzirmos analfabetos funcionais. É por isso que digo e repito, a solução é a Educação. Se não entende isso, me desculpe, estúpido!

*Publicado em O Jornal, de 16 de julho de 2007.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=47