terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2009 que se vai


Afonso Vieira

Nas proximidades das festas de fim de ano, sempre nos vemos instados a fazer um balanço reflexivo da vida, das aspirações e conquistas. Enquanto milhares de pessoas se esbaldam em compras e falsos ou momentâneos sentimentos de bondade, torno-me ainda mais cético sobre o que nos cerca.

Outro dia comentava com uma amiga que, provavelmente, tenha encontrado minha paz interior. Indagou-me como e onde, respondi: em mim. Passo a pensar nas crenças e necessidades das pessoas em minha volta, muitos buscam sua serenidade na religião, no amante ou em alguma causa utópica. Olho para os fatos, às vezes até com certo desprezo, e dificilmente consigo enxergar algo que sirva para minha pessoa.

Não tenho crenças, dogmas, ídolos ou ideologia, e ainda assim, vivo com a cabeça tranqüila. Alguns já me disseram que não levo a sério ensinamentos religiosos porque nunca precisei de um Deus; eu já me indago ao contrário, não acredito que possa ter necessidade de algo que não encontre dentro da minha própria cabeça. Detesto ateus militantes, nem mesmo o sou, há um abismo entre um agnóstico e um ateu. Posso dizer que mesmo cético, tenho boa dose de otimismo na vida e procuro usufruir da melhor forma possível tudo que ela me deu até o presente. Mas, reservo-me o direito não acreditar em algo extremamente contraditório e que me cerceie a liberdade. Não posso mudar certos sentimentos, mas posso conviver com eles harmonicamente.

Muitas vezes, no policiamento constante para não parecer arrogante ou mal interpretado, chego a me irritar com crenças infundadas, mas respeito e vejo que cada um, na sua forma, busca e encontra alívio onde melhor se encaixa. Torço para que cada vez mais pessoas atinjam o que chamo de maturidade espiritual, independente da forma que isso venha a ocorrer.

Nas minhas leituras diárias acabo me deparando com diversos textos e argumentos, uns rasos demais, sem embasamento suficiente, outros já com maior consistência. Houve uma época que chegava a entrar em debates, hoje tenho pouca inspiração para isso, faço o que é melhor para mim e aos que me cercam, não iremos mudar quem não tem essa intenção. O mundo ensinará os caminhos corretos, uns aprendem da melhor forma, outros pelos meios mais árduos.

Aos políticos – todos - reservo meu completo desprezo, nem por isso deixarei de fiscalizá-los e cobrá-los. Às religiões e crenças, deixo meus cumprimentos pelo trabalho de conforto que levam às mentes necessitadas, ainda que tenha grandes ressalvas, numa equação simples, entendo que o saldo é muito positivo. Aos utópicos, que insistem em enxergar a “salvação” da humanidade em teorias ultrapassadas e desconexas, sejam econômicas ou sociológicas, deixo a recomendação de abrirem as mentes, aceitando o contraditório e aprendendo com a prática e o equilíbrio necessário. Aos amigos e entes queridos, um sincero obrigado!

Boas festas!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Uma longa viagem ao topo


Recentemente fiz uma curta viagem até a capital do país vizinho, a Argentina. Planejei visitar uma grande amiga e de quebra assistir uma de minhas bandas preferidas. Sinceramente, a impressão daquela cidade foi muito melhor do que imaginava.


Logo que cheguei, fui recebido pelo simpático Horácio, um remis arrumado pela colega ali residente. Muito falador e prestativo, foi me ciceroneando do aeroporto de Ezeiza até a Villa Crespo. Após chegar fui beber e procurar um hotel, nas andanças pelos arredores acabei me situando em um hostel em Palermo, bairro regado a bons bares, gente bonita e com tudo que um apreciador da noite necessita.


Nas primeiras cervejas – de litro, diga-se – fizemos contato com diversos estrangeiros, a quantidade de turistas é impressionante. Gente de todo o mundo circula por aquelas plagas. O único senão fica pela temperatura do saboroso líquido, muito aquém dos padrões tupiniquins.

Literalmente, troquei o dia pela noite. Apesar da insistência de minha anfitriã em me mostrar os pontos turísticos, não houve tempo nem disposição para tal. Oras, não há nada melhor que estar em boa companhia – uma das amizades mais sólidas que já construí -, longe dos “pagodes” e “sertanejos” brasilis, apreciando bebidas e culinária diferentes, sem nenhuma preocupação.


O hostel era outro atrativo a parte, era um local com muita gente jovem - eu devia ser um dos anciões do local - em ótima localização, poucas quadras da praça de Palermo, com muitas mulheres bonitas hospedadas e um barzinho perfeito para o “aquecimento” noturno. E o preço? Ah, o preço, irrisório para qualquer turista.


No domingo foi o grande dia. Acordei tarde demais, tomei um banho e fui acordar a nobre amiga, pegamos um ônibus e nos deslocamos para o estádio do River Plate. Assitir Angus Yung e Brian Johnson ao vivo, faz qualquer fã de rock ficar ansioso muito antes do tempo.


Outro ponto positivo: não se vende bebidas alcoólicas no estádio nem em seus arredores. Tivemos que “camelar” algumas quadras para apreciar o néctar da cevada antes do show. Bebemos algumas Brahmas de litro e depois compramos uma descartável para irmos nos deliciando até o evento. Curioso verificar que os pais levam os filhos pequenos aos shows, com uma naturalidade espantosa.


A desenvoltura e espontaneidade de minha cicerone fizeram com que, em curto espaço de tempo, fizéssemos diversos contatos com a população local. Dentro do estádio já estávamos trocando conversa e e-mails com vários nativos.


O show! Ah o show! Se havia alguma dúvida que AC DC era/é uma maiores atrações musicais do planeta, não restou a mínima hipótese. A estrutura montada, somada a presença de palco dos músicos, nos levou ao êxtase rapidamente. Desculpem-me, mas quem perdeu de vê-los ao vivo – provavelmente é a última turnê -, perdeu uma das poucas oportunidades de ver Deus (do rock). Angus, literalmente, é a alma do rock’n roll!


Minha anfitriã me levou, após o espetáculo, para conhecer as ruas e bares da região próxima ao local. Andamos e decidimos adentrar a um bar bem undergroud. Ficamos ali, jogando conversa fora, bebendo cerveja e tirando fotos do lugar e seus clientes. No fim da noite já estávamos fazendo a festa juntamente com todos os demais patrícios de mesas. Lá pelas tantas, decidimos sair novamente pelas ruas. Infelizmente acabamos presenciando uma cena deprimente, um imbecil agrediu sua parceira, a qual socorremos e levamos a uma delegacia, nesse meio tempo nossos hermanos sumiram no mapa.


Encaminhada a garota, devidamente entregue ao irmão na porta da polícia, fomos comer algo, já era dia claro. Finda a refeição, voltamos para meu hostel. Enquanto alguns turistas se preparavam para o dia com o café da manhã, bebíamos as últimas cervejas que meu dinheiro ainda comportava – a essa altura já me utilizava de dólares, os pesos reservados para aquela noite já haviam se esvaído. Após toda essa batalha, lá pelas 10hs da manhã, só restou a cama.


No último dia fizemos algo mais ameno, resumimos a saída para saborear uma parrilla. Após, despedi-me da amiga, com a promessa de retorno - eis uma certeza -, voltei para minhas acomodações e me preparei para a longa jornada de retorno. Satisfeito, enriquecido e feliz. Valeu cada minuto e centavo gasto, só não cometerei novamente o erro de percurso: não pretendo embarcar por Assunção, não mais.


Mas é isso, o que se leva da vida é somente a satisfação pessoal, os momentos felizes e a alegria da certeza de ter feito o que se gosta, sem ligar muito para convenções e padrões que nos limitem. A liberdade plena é para poucos privilegiados que sabem usufruir daquilo que nos agraciaram. Libertários como eu, gostam da luxúria, do novo e da falta de amarras, sem dogmas, sem tratados e sem nada restritivo demais.


Ps. Dificilmente vou achar normal essa coisa de homem beijando homem no rosto. Ah, e las chicas são interessantíssimas também.

domingo, 29 de novembro de 2009

Divagações


Ultimamente ando extremamente ansioso, mais do que o normal, como se isso fosse possível. Talvez seja pelos preparativos para visitar nosso país irmão e de quebra, ouvir uma das maiores bandas do planeta. Mas pode ser também, dentro da inquietude que me é pertinente, dos ofícios que me sugam, da busca incessante pelo novo, ou pela irritação contumaz com os erros grotescos do dia a dia e a falta de caráter ululante de nossos compatriotas.

Leio livros, vejo filmes, patrulho na internet tudo que posso e me atrai. Há tempos perdi a esperança nos políticos, cada dia que passa, este sentimento se estende para pessoas do convívio – resguardando as raríssimas exceções de amizade. Dentro de minha “hiperatividade”, vejo-me instado a sair vagando de bar em bar, talvez minha fase boêmia ainda não tenha acabado, ainda que diminuído consideravelmente.

Sou um libertário, não no sentido político – neste me enquadro mais para minarquista – mas no sentido pleno da palavra. Sou desapegado a dogmas e ideologias, descrente das utopias que geram esperanças aos milhares de necessitados, seja de material ou espiritual. Meu ceticismo me embriaga, torna-me chato e, às vezes, até intolerante.

Ando com dificuldade de encontrar um livro que realmente prenda minha atenção, o último que consegui devorar sem delongas, foi um do Mario Vargas Llosa – sempre ele. Quando preparo minhas aulas, busco fontes alternativas, além dos livros tradicionais. Leio três ou mais artigos sobre o tema proposto, chego sempre a conclusão que “chovemos no molhado”, sempre! Como digo aos meus instruendos, devemos estimular nosso espírito crítico, saber separar e assimilar as coisas boas e aprender com as ruins. Nem mesmo Peter Drucker tem passado pelo meu escantilhão. É, ando crítico demais. . .

Ontem, enquanto me deliciava com uma cerveja e conversava com o botequeiro, falávamos sobre amizades e caráter. Ele, desiludido com todos os que considerou, eu, um privilegiado neste ponto, mas sempre soube enxergar corretamente a natureza dos que me cercam. Comentávamos sobre a hipocrisia em certos círculos, a sanha de alguns beócios em criticar pelas costas. Como sempre, é inevitável falar sobre nossos representantes do executivo e legislativo, sinceramente, minha azia me ataca só de pensar.

Estive lendo alguns artigos, algumas notícias. Tudo como antes, não há nada publicado que não tenha uma segunda intenção, algo subliminar, subjetivo. Alguns articulistas têm a maestria nas mãos, outros, nem tanto. Ainda que discorde de muitos, é sempre bom devorar um texto de alguém com elevada bagagem cultural. É inevitável pensar nos grandes filósofos e suas divagações monumentais, há tanto para se ler, tanto para aprender que não entendo minha falta de inspiração momentânea.

Vem a mente uma música, algo que me traz excelentes recordações, Uma pra estrada. Passam os segundos e a guinada radical reforça minha inquietação, guitarras estridentes e o melhor do hardrock invade minha sala.

Pois é, que filosofada na maionese. Ainda que mais maduro, que mais em paz comigo mesmo, o espírito rebelde e livre continua, afinal It's a long way to the top if you wanna rock 'n' roll.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ética, a imprensa e os blogs


Afonso Vieira

Estamos vivendo um fenômeno recente da popularização dos blogs, em todos os cantos do planeta o mecanismo da internet vem ganhando adeptos, derrubando a audiência dos meios de comunicação e se antecipando aos fatos. Temos a “democratização” da informação, porém, com o risco da falsa credibilidade.

Acompanho há anos jornais e revistas virtuais, a mídia impressa praticamente nem tenho contato, minhas últimas assinaturas findaram há mais de cinco anos. Como sempre procuro separar o joio do trigo, bem como verificar a veracidade das informações e as reais intenções deste ou daquele escriba, fico aterrorizado com a quantidade de probos de última hora - ou de ocasião - que surgem.

É público e notório – com raríssimas exceções - que rádios, televisões, jornais, revistas, e até mesmo os blogs, arrecadam verba publicitária de entes governamentais. É o ardiloso caminho de fretar com a isenção e ao mesmo tempo, tendenciosidade. Desde já descarto a utópica imparcialidade, pois ela não existe, não na prática!

Quando este ou aquele veículo inicia campanha difamatória contra uma administração, seja municipal, estadual ou federal, podemos começar a colocar as barbas de molho. Ressalte-se que um órgão de comunicação tem a obrigação de noticiar fatos de interesse público, ainda mais de desvios de conduta, ficando sempre resguardados dentro do limite da Lei. Mas a forma como é colocada é que estabelece a linha editorial de cada um.

Dentro de uma ética jornalística, devemos observar a apuração exata dos fatos, ouvir os lados envolvidos – quando for o caso –, e a forma que repassaremos as informações. Há também a necessidade de se considerar o público leitor, nível cultural e deficiências em interpretação. Não obstante, omitir informações preciosas e deturpá-las deve ser proibido, ao menos deveria!

Em âmbito nacional, é de fácil identificação a linha de cada publicação. Quando caímos para níveis estaduais e municipais, a tendência varia muito. Volta e meia o foco é alterado, conforme os interesses políticos imortalizados por Nicolau Maquiavel. Na busca pela audiência, é sabido que tragédias e escândalos aumentam o ibope, mas o exagero pode vir a caminhar para o lado oposto.

O corte de verbas publicitárias pode vir a ser o terror, tanto para o lado do poder midiático, como para um administrador público, seus defeitos podem ser exaltados ao extremo e sua imagem, denegrida com picuinhas infantis. É comum lermos ataques virulentos a este ou aquele personagem público, tal atitude é muito mais acentuada nos blogs. Os ataques tendem, muitas das vezes, ser mais ad hominem do que pelos atos praticados em si.

Qual o real interesse do chamado jornalismo de opinião? Pode ser forçar a abertura dos cofres públicos, pode ser interesse político, pode ser afinidade pessoal, ou mesmo recalque por ter sido preterido. Há “medalhões” com blogs que mudam de opinião de repente, atacando muitas vezes quem nada tem a ver com a situação. Temos para todos os gostos, tucanos, lulo-petistas, ou mesmo, o pior tipo: a ex-noiva – o exemplo maior deste ultimo é Paulo Henrique Amorim. Reinaldo Azevedo se vangloria de não postar comentários “petralhas”, o que não concordo, mas o nível das postagens dessa trupe que já presenciei, é realmente deprimente. Nassif é mais democrático, porém, muito mais demagogo. Mas há outros, de menor expressão, que posam de paladinos a moral, que só postam o que lhes convêm e quando denigrem somente quem querem atacar, não passam de hipócritas!

Não há nada pior que o discurso da luta de classes, neste caso, da disputa entre os “donos do poder” e os “cavaleiros da virtude”, que sozinhos lutam contra os detentores do capital. Verdadeira balela! É ótimo ser pedra, mas como se portariam caso fossem vidraça? Sim, muitos adorariam mesmo é estar do outro lado da trincheira.

Sinceramente, integridade, hombridade, isenção e vergonha na cara, têm faltado para muitos dos “éticos” de plantão, em todos os meios de comunicação.

Ps. A imprensa deve ser livre, sempre! Assim como se responsabilizar pelos atos e fatos que noticia.


http://www.24horasnews.com.br/evc/index.php?mat=2864

http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=269325

http://www.noticiadahora.com.br/verNoticias.asp?NotID=11063

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O ócio produtivo


Às vezes me vejo pensando sobre o quão produtivo pode ser nosso ócio. Ao contrário da maioria, os momentos vagos podem nos brindar com verdadeiras pérolas, que podem vir a ter retornos dos mais variados, inclusive financeiro, por que não?

Eis-me aqui, sentado em uma biblioteca aguardando uma entrevista para ministrar aulas da disciplina de administração. Sem meus livros, sem filmes, e pior, sem computador ou internet! O que posso fazer? Abro meu fichário e aproveito para colocar os pensamentos no papel, em um prazeroso exercício mental.

Em diversas organizações, o setor de criação tende a ser o mais flexível, com normas e regras extremamente mais elásticas que o convencional. Curiosamente, indo de encontro com os demais departamentos, essa “ausência” de procedimentos padrões gera o aumento da produtividade.

Escrevi recentemente, em outro texto, que há momentos em que produzimos melhor nossos rabiscos, é o “plim” da inspiração. Não adianta forçar a produtividade, o resultado pode ser desastroso; há articulistas brilhantes, que volta e meia solta ensaios chinfrins, pois têm data marcada para entregar o ofício. É claro que me refiro à produção literária e das artes em modo geral, nesses casos o pensamento tem que fluir, literalmente! Não confundam com produção em série ou em escala industrial.

Vejo muito nos ambientes em que trabalho, os diversos tipos de ócio. É facilmente identificável o “morcego”. Enquanto pessoas perdem minutos preciosos com bate papo no messenger ou no cafezinho - que acaba durando meia hora -, prefiro ler notícias ou rabiscar minhas frases, ou ainda, estudar formas e métodos para melhorar rotinas já existentes.

Não existe funcionário – tenho verdadeira ojeriza ao termo colaborador – que cumpre suas oito horas diárias na plenitude, é praticamente impossível. Mas há os que cumprem prazos e metas, rigorosamente! Para essa parcela, quanto maior a gama de afazeres, sempre se desdobram e equacionam seu tempo, de sorte que conseguem fluir e manter um padrão de qualidade.

Cada um faz seu tempo. Enquanto alguns preferem o ostracismo ou o descaso, outros veem nos parcos minutos de folga, uma oportunidade ímpar de agregar conhecimentos, desfrutar de prazeres individuais e, em certos casos, até mesmo produzir algo . . . Tal como este bobo texto.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O antissocial

Certa vez escrevi um texto sobre a solidão, há aproximadamente um ano. Nele divagava sobre situações onde pessoas enxergam algo ruim, em que outras – as solitárias – conseguiam vislumbrar algo belo, prazeroso e de bom tom. Na medida em que me aprofundo em pensamentos filosóficos, creio que me torno mais antissocial, com menos apreço pelo meio que me cerca.

Antigamente fazia muitas amizades, e isso era uma constante. Sempre frequentava os locais “da moda” onde me sentia bem. Com o amadurecimento, o rancor e a chatice nos tornam extremamente mais seletivos, ao ponto de evitarmos nos sentar com este ou aquele ser que não nos agregam valor, ou mesmo nos levantar e ir embora de um estabelecimento por motivo banal.

Fico vendo que a autenticidade e opinião própria é algo que nos afasta de muita coisa. Não sou radical como amantes clássicos da solidão como Schopenhauer – mesmo porque seria muita pretensão me comparar com o escritor -, mas não é à toa que me identifico muito com sua obra.

Nossos atos e convicções dizem muito do que realmente somos, às vezes pequenas atitudes dizem muito mais que diversas palavras. Têm dias que sento na mesa de um bar, sozinho, peço uma cerveja e fico a divagar sobre milhares de coisas, outro momento muito propício para elucubrar é na hora da corrida solitária. Sempre penso que se conseguisse colocar no papel aquilo que vem à mente nesses curtos espaços de tempo, talvez produziria algo realmente de qualidade. Nunca fui fã do notebook, mas creio que será algo inevitável, eis uma forma de minimizar o abismo entre as idéias e o “papel”. Sentar em um café no fim da tarde e poder tergiversar ad infinitum é uma dádiva, mas só será à contento na individualidade do ser.

No livro Travessuras da menina má, do Mario Vargas Llosa, Ricardito – que era tradutor – se aproveitava dos cafés para executar seu ofício. A imagem que aquela leitura propicia do personagem é muito semelhante ao que penso quando me transfiro para um happy hour, seja onde for, sozinho com “papel e caneta à mão”.

A rabugice dos teimosos necessita de muito controle e policiamento. Muitos dissabores poderiam ser evitados, mas a força de nossas idéias tende a ir de encontro com o bom senso, por diversas vezes.

Mas é isso, a luta do lobo solitário que habita em nós é uma constante, como não acredito em valores e conceitos absolutos, creio que podemos mudar, para melhor ou pior, dependendo da ótica individual e situação de cada um. Mas que briguemos para que seja com cordialidade e respeito, que o “ermitão moderno” prossiga na sua busca incessante pela paz interior.

domingo, 11 de outubro de 2009

A consciência individual


Nas últimas décadas, temos sido bombardeados por leis e padrões de conduta que tendem a impor certos valores de um excessivo “politicamente correto”. Ainda que muitas das atitudes tomadas tenham sua razão de ser e pretendem atingir resultados satisfatórios a todos, elas tendem a ignorar o conceito de indivíduo.

O assunto é muito amplo e filosófico, mas todo tipo de debate é válido, pois tende a aprimorar definições e quebrar paradigmas. Hoje é raro conseguirmos ler, conversar ou visualizar pessoas realmente autênticas. Poucos têm coragem de ser e agir conforme a própria consciência. É a hipocrisia ululante tomando conta da sociedade.

É comum vermos textos com referências a filósofos e autores consagrados pela história, tal roupagem tem sido utilizada para dar um ar intelectual ou erudito ao escriba, mas muitas vezes o conhecimento é pífio ou a interpretação totalmente errônea. Falta o verdadeiro “eu” nas palavras, falta a própria opinião.

Não se pode mais fazer brincadeiras, não se pode fumar, não se pode beber, não se pode gritar, ser “eu mesmo”! Há patrulhamento ideológico e social em tudo, como se nós não fôssemos um ser pensante, querem pensar e agir por nós. Há uma nova santa inquisição em curso, onde não podemos mais ter defeitos, ou não podemos admiti-los!

Eu, por exemplo, nunca tive problema em aceitar minhas imperfeições - que são muitas. Expresso minha opinião doa a quem doer. Meus atos sempre assumi e respondi por eles, exerço meus direitos e cumpro meus deveres. Mas sou uma ilha dentre tantos. Talvez alguns, dos poucos iguais a mim, façam parte do meu círculo de amizade. Mas como sempre digo, não ligo muito para juízos de outrem.

Oras, chego a ler certas estultices que me dão nos nervos. Querem impor dogmas coletivistas ignorando nosso egoísmo. Sim, todos somos egoístas! Mas pouquíssimos possuem hombridade em admitir. Eu não quero resolver o problema do seu Zé da vila vintém, tenho minhas próprias prioridades. Talvez, quando realmente tiver solucionado meus impasses, possa vir a me dedicar ao próximo, mas sou eu quem decide isto!

Sabe quando seremos brindados por mentes como Nietzche e Schopenhauer novamente? Provavelmente nunca mais. A autenticidade se tornou defeito. Os dois filósofos que citei, eram brilhantes justamente por ser quem eram e não tinham vergonha de colocar seus pensamentos, preconceitos e frustrações.

Em uma reflexão extremamente particular, posso dizer que amo/amei pessoas muito mais pelos defeitos do que pelas qualidades. As pessoas com quem mais discuto e divirjo, são justamente meus melhores amigos.

As máscaras estão postas e ostentadas por todos os lugares. Mas não reclamem quando forem enganados pelo ente mais próximo, pois a verdade é relativa, mas a falsidade não!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Existe luz no fim do túnel



Afonso Vieira*

O recente projeto, de iniciativa popular - frise-se – contrário à candidatura de políticos com “ficha suja” é algo que nos traz uma pequena esperança, dentro do lamaçal que se tornou a política nacional.

Oras, se para ser efetivado em diversos concursos públicos, para ser aceito em certas empresas, a pessoa quando passa pelo teste seletivo tem que comprovar a própria idoneidade, por que não cobrar isto também dos políticos? Ao contrário do que essa corja pensa, os representantes de cargos eletivos deveriam ser, obrigatoriamente, pessoas de boa índole, probos incontestes e exemplos de caráter. Tragicamente o que ocorre é exatamente o oposto.

Outra colocação que deve ser posta, o candidato não é representante antes de ser eleito. Os mandatos têm dia e horário para terminar. O impeditivo em questão é apenas momentâneo; que o pretenso político resolva seus problemas para depois vir nos “representar”!

A iniciativa, além de ser completamente elogiável, traz à tona o sentimento popular de repúdio que anda muito explícito nos círculos nacionais. É chegada a hora de dar um basta na situação atual! Se realmente fôssemos um país com leis e instituições sólidas, provavelmente, mais da metade das casas legislativas do país já estaria atrás das grades, e não panfletando suas picaretagens Brasil afora.

Infelizmente, essa discussão vai acabar no STF, e com as interpretações toscas que só têm protegido bandidos, não dá para aguardar muita coisa.

Nosso país se notabiliza pela existência do político profissional, cuja única ocupação é viver mamando no erário; normalmente com currículo medíocre, que se resume a ser filho deste ou daquele parlamentar ou ter feito parte de certa militância. Capacidade administrativa e intelectual é raridade, só despontam mesmo quando cometem atos vis, de desvio de conduta e da verba pública.

Na contramão do que pensa a sociedade, aumenta-se o número de edis das casas do país. Mais uma vez, babacas que somos, vamos bancar o inchaço da corja de energúmenos, sem a menor função social ou empregabilidade que mereça respeito. Nem preciso dizer quais são os resultados práticos do que virá. A suposta representatividade é a maior balela que já ouvi.

1,3 milhão de eleitores assinaram o documento. Levando-se em conta que muitos nem souberam da iniciativa, e das dificuldades em atingir todas as classes, é muita gente! Façamos votos que o projeto seja aprovado, torcida nunca é demais, não nesses casos!

É apenas o sexto projeto de iniciativa popular desde 1988, mas vem em boa hora, que sirva de exemplo e que vire rotina. Mobilizar a população pensante, ante a massa de ignorantes e analfabetos funcionais, é necessário e estimula o senso crítico da população.

E para encerrar, chamo para a seguinte reflexão: um cidadão de bem, não tem como enxergar algo de ruim na iniciativa e suas propostas, mas acompanhem quais serão os maiores críticos do projeto. Ficará fácil separar o joio do trigo. Saudações!

http://www.edicaoms.com.br/index.php?pag=noticias_det&id=50186

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um registro


Como sempre, quando registramos algo, dificilmente nos lembramos de tudo e fazemos justiça a quem de direito. Preciso deixar claro alguns pormenores sobre a passagem da minha data natalícia.

Comecei bem as comemorações, um grande amigo me ligou, ainda no dia 10. Saímos para um bar, recebi um belo presente do time do coração e encontramos vários colegas. Junto com o presente veio um recorte de jornal, com um belo texto sobre amizade, com autoria atribuída a Charles Chaplin. Segue:

“Preciso de Alguém Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; Alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: - A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida. Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: "Nós ainda vamos rir muito disso tudo” e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela . . .”

O texto fala por si só.

Seguindo o rito, continuei recebendo as parabenizações e a me ater com os últimos preparativos da festa que realizaria no domingo.

Coloco agora a parte ruim: a falta de profissionalismo, a molecagem e desfaçatez do proprietário do antigo Boteco Bar, atual Velho Oeste Rock Bar. Faltando mais de um mês para realizar a confraternização, eu fechei com ele que realizaria o evento em seu bar, pois, pensei comigo, já possuía toda a estrutura necessária. Na quarta feira, dia 09 de setembro, fui até lá e confirmei o evento. Para minha surpresa ele deixa scrap no orkut dizendo que precisava falar comigo, no dia 11. Veio com uma conversa tosca, que logo percebi que era furada, de que iria realizar uma obra no domingo. Isso com todos os convidados já avisados e tudo organizado. No sábado vem a confirmação da sacanagem, é anunciado que haveria uma festa de república naquele bar. Quer dizer que, mais uma vez, vemos que não podemos negociar com moleques, e que o cidadão em questão não honra as calças que usa.

Deixando isso de lado, ainda consegui realizar o evento, com muito mais trabalho e em um local sem a menor infraestrutura, mas tudo se ocorreu dentro dos conformes. Muitos amigos não conseguiram chegar “vivos” para a festa, em virtude da véspera, outros vieram ainda no embalo do sábado. Foram poucos, mas a qualidade é o que importa!

Após todo o ocorrido, chego em casa do trabalho e encontro um caixa de sedex, novamente uma grande amiga me presenteia com o melhor dos mimos, livros! Vou acabar ficando mal acostumado.

Mas é isso, mais uma vez fiz questão de agradecer e deixar público minha ode constante à amizade. E que os pingos fiquem sempre sobre os “is”. Que venha o AC DC!

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Trânsito, questão de consciência


Afonso Vieira
Na última segunda, quando cumpria meu rito matinal de preparação para o trabalho, assisti, primeiramente em jornal de circulação nacional, e depois em outro, de circulação estadual, duas reportagens sobre o trânsito. Há tempos pensei em me pronunciar sobre este tema, que muito me envolve - nada melhor que na Semana Nacional do Trânsito.

Por todos os estados brasileiros que andei/morei, sempre observei atentamente o comportamento das pessoas ao dirigir pelas ruas e avenidas. É curioso constatar que por mais que haja cultura diferente, nos mais variados aspectos, somos péssimos motoristas e extremamente mal educados, e isso é característica nacional.

Nunca fui muito fã do volante, só o faço por necessidade. É algo que me irrita profundamente, portanto, é melhor evitar. O conjunto: péssima sinalização, ruas esburacadas e intransitáveis, somados aos “ases” da direção, pode ser fatal.

Para exemplificar melhor o que escrevo, vou citar exemplos de quatro estados:

- No MS, o sulmatogrossense parece desconhecer o que é seta e qual sua real função, parar em fila dupla ou para conversar com o vizinho do carro ao lado, é tão comum quanto desrespeitar o pedestre. Há aproximadamente um mês, quase sofri um acidente ao me deslocar para o serviço, com um tremendo agravante, o veículo era oficial, da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Ivinhema. O indivíduo literalmente “roletou” a preferencial. Cheguei a encaminhar e-mail para os endereços disponíveis no site da prefeitura, sem obter nenhuma resposta;

- Na Bahia, o trânsito é tão caótico e estressante, que após meio dia de trabalho já estava exausto. O pedestre parece desconsiderar a real finalidade da calçada. É comum ouvir dizer que temos que dirigir para nós, para o veículo da frente, o de trás e os dos lados;

- No RS, o gaúcho parece desconhecer completamente a preferência do veículo que está na rotatória – chamada de rótula por aqueles rincões;

- No MT, a contra mão é apenas um referencial, nunca entendi como é que as autoridades não multam aquela parcela significativa que adora transgredir as regras. Eu mesmo sofri um pequeno acidente devido a um mau piloto.

Há outras coisas que observamos por todos os cantos. O desconhecimento da legislação é algo que fica claro, para exemplificar, quantos têm ciência de que a preferência não é de quem vira, mas de quem segue em frente nos cruzamentos de mão dupla? É comum vermos veículos estacionados nas vagas de deficientes físicos, e após breve verificação, vemos que se trata unicamente de deficiência moral. Quantos param para o pedestre atravessar a faixa? Em contrapartida, quantos pedestres atravessam somente nas faixas? Quantos costumam se utilizar dos retrovisores para verificar se há algum veículo na retaguarda? E os motoristas profissionais de caminhões e ônibus, a ultima coisa que obedecem são limites de velocidade. Motoboys arriscam as próprias vidas e de outrem, diariamente.

Não nos esqueçamos dos entes públicos, responsáveis pela manutenção das ruas, das sinalizações e respectiva fiscalização. A grosso modo, estamos anos luz de possuirmos vias adequadas. Cito minha cidade, Dourados, MS, onde há muito asfalto nos buracos! Já até decorei alguns devido ao tempo que permanecem abertos, e pasmem, a maioria se encontram na região central do município. Isso gera prejuízo material e, muitas das vezes, ocasionam acidentes.

São parcas constatações que verificamos todos os dias. Somos imperitos, imprudentes e negligentes. Em considerável parte dos casos não é somente desconhecimento da legislação, ou da falta de habilidade do condutor; mas sim, de uma pandemia nacional, da falta de educação moral, de respeito e de bom senso. É um problema de consciência individual.

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=4793

http://www.edicaoms.com.br/index.php?pag=noticias_det&id=49824

domingo, 20 de setembro de 2009

O perigo do radicalismo


Afonso Vieira
Recentemente escrevi um texto refletindo sobre valores, conceitos e definições. Após um período, li que foi publicado em um veículo de nível nacional, onde há a possibilidade dos leitores comentarem as opiniões ali existentes. Alguns comentários feitos e outras posturas que vivenciei no presente, trazem-me a esta reflexão.

Tenho observado muito o comportamento humano, as atitudes, tanto minhas quanto dos demais confrades do cotidiano. Creio que a primeira constatação quando se está diante de um radical, é que ele se torna defensor ferrenho e cego de uma causa, seja qual for – eu mesmo tento me policiar muito por isso.

Quando possuímos dogmas absolutos, preconceitos imutáveis, fé cega ou certeza da verdade, caímos no fanatismo, totalitarismo das idéias e “impositismo”.

No texto que cito no início deste ensaio, fiz algo totalmente desprovido de intenção panfletária política/ideológica – o que não é do meu feitio, diga-se -, eram apenas divagações sobre o meio que nos cerca. Ao ler certas postagens, concluí que há algo muito perverso no quadro atual, alguns enxergam duendes verdes em todos os cantos. Fui chamado, pasmem, de petista – essa patologia nunca me assolou. Algum conservador discordou de mim, o que já provou que o texto tinha sua lógica, pois eu dizia que valores são relativos à ótica individual de cada um.

Estamos diante de uma sociedade que evolui constantemente, com parcos exemplos que vão de encontro com a lógica natural. Há toda uma aura conservadora na sociedade ocidental, mas que gradativamente está mais flexível, caminhando para o consenso. Os fundamentalistas, ainda que sejam minoria, tornam-se muito mais danosos, justamente porque são virulentos e teoricamente suicidas.

Um exemplo que tenho acompanhado muito, é o excesso de teorias conspiratórias sobre o suposto gramcismo do governo atual. Não sei quem é pior, os corruPTos ou os lulofóbicos. Existem cidadãos que resumiram a própria existência em criticar Luis Inácio, parecem que esqueceram o que é uma vida saudável, que há muito mais coisa a se pensar. Políticos devem ser fiscalizados e criticados constantemente, mas o mundo não se restringe a um mandatário. Outro exemplo é a parcela dos norte americanos que enxerga um “comunista” Obama, o que é praticamente impensável em uma mente sã; ainda que eu preferia McCain, Barack jamais será marxista. Será que isso tudo é falta de vida social, de exercício físico, de falta de sexo?

Há muito parei de ler certas revistas e colunistas, talvez porque se tornaram donos de uma tecla única. Até gostava de ler o contraditório ao meu pensamento, mas parece que não conseguem produzir nada de novo. As críticas são as mesmas, os “culpados”, idem; não aprimoram o próprio pensar, é cegueira decorrente do extremismo. Isso deve ser interessante para incautos e “rebeldes sem causa” dos diretórios acadêmicos de nossas universidades, mas se tornou balela intelectual, sem a menor profundidade ou amparo.

A evolução do pensamento, o amadurecimento do intelecto, só se atinge com respeito ao contraditório, com a contestação saudável e constante do que nos é exposto. A busca pelo conhecimento deve ser diária, a cada segundo. Não se evolui possuindo pré-conceitos limitando a própria visão. Como muito bem disse Leonardo da Vinci: aprender é a única coisa que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um eterno, livre e apaixonado aprendiz


Quando escrevi a frase título deste texto, foi quando realmente encontrei uma certa paz interior, após anos de conflitos internos e reflexões. Este é um texto pessoal, resumir-se-á ao blog; pouquíssimos lerão. Digamos assim, só estará na net por capricho.

Como hoje é meu aniversário, esta é uma data para reflexão, acredito que este tipo de atitude só nos fortaleça e nos faz crescer como indivíduos.

Há um ano louvei meus amigos neste blog, inclusive nominei-os, cometendo algumas injustiças, mas já me antecipei e disse que seria consequência da parca memória: Com certeza estou esquecendo uma penca de gente, não é minha intenção desmerecer ninguém, o que pode ser lido aqui
http://afonsocachorrao.blogspot.com/2008/09/33.html. Ainda que neste meio tempo tenha perdido duas amizades de peso – notem que sei perfeitamente a quantidade e os motivos estão implícitos neste texto http://afonsocachorrao.blogspot.com/2008/09/valores-morais.html -, os motivos sobrepõem qualquer arrependimento; tenho certeza que adquiri outras afeições, e em maior número e em equiparado valor.

Creio que estou chegando a uma fase de maturidade, onde aprendi a pedir desculpas - o que nunca será fácil para alguém de personalidade forte e orgulhosa -, onde reconhecer os próprios erros e limitações tem sido uma constante.

Talvez ainda peque muito, mais do que devia, mas me policio. Tornei-me muito mais radical em certas posições, que dizem respeito ao caráter individual. Meu imperativo categórico está mais forte do que nunca!

Vou evitar nomear pessoas, justamente para não repetir o erro do ano anterior, mas hoje tive contato com amigos que não visualizava há anos, isso é muito bom, muito prazeroso e nos nutre de emoção benéfica. Talvez eu esteja emotivo demais neste momento de reflexão.

Sou extremamente cético e contestador, mas aprendi a ser mais observador, a pensar antes de falar, ainda que continue errando muito neste quesito. O aprendizado constante é algo que só agrega valor e tem me feito muito bem.

Muitas vezes sou radical, teimoso e “senhor da razão”, mas aprendi dar o braço a torcer, desculpar-me. Alguns têm uma visão até errada da minha pessoa, mas quem realmente me importa sabe exatamente o que sou.

Ontem, quando relia uns comentários no meu blog, emocionei-me muito com uns amigos que fiz no meio virtual. A admiração é recíproca, e é muito bom termos referência de peso em nossa breve existência.

Tenho evitado me exaltar, evito dirigir sempre que posso, não discuto, ou procuro não discutir com ignorantes, sou mais seletivo nas companhias que me cercam e tenho dado mais valor à família – inclua-se nisso, amizades!

Bom, fica esta reflexão no espaço virtual. Entre erros e acertos seguimos nossas vidas, e a tendência é sempre, para melhor!

Beijos e abraços!

domingo, 6 de setembro de 2009

A morte do bom senso


Afonso Vieira

Pouquíssimas coisas efetivamente me tiram do sério, são raras as vezes em que me vejo realmente irritado. Podem ser atitudes de certas pessoas, alguns comentários ou cobranças do dia a dia. Vemos que o bom senso, quando buscado constantemente, a tolerância e o aprendizado constante, sabendo conviver nas adversidades, deveriam ser o norte para a vivência pacífica.

O mundo atual tende a um equilíbrio em praticamente todas as áreas, verifica-se facilmente na teoria política, que cada vez mais tende ao centro. As diferenças nos comportamentos governamentais são mínimas, reduzindo-se a querelas assistencialistas, tamanho estatal – mas que se diferenciam muito pouco.

Nas organizações privadas, ao menos nas de grande porte, vemos que a busca tem sido na aplicação correta de leis, normas e padrões, até mesmo os ambientais. Dificilmente vemos nos grandes conglomerados, a saída de produtos sem emissão de nota fiscal, por exemplo. As horas extras têm sido pagas rigorosamente. O recolhimento de impostos não tem falhado.

No meio social temos uma tolerância maior com as diferenças. O trato das pessoas tem sido mais polido. Ações de desprezo, preconceito e humilhação são combatidas de forma mais acentuada. Enfim, caminhamos lentamente para uma sociedade melhor, digamos assim, mais justa.

O exposto até aqui tem sido a regra que vemos e vivenciamos no cotidiano. Mas há uma parcela, que ainda é minoria, que teima em radicalizar padrões de conduta ao ponto mais desprezível possível.

Sob bandeiras políticas – que se dizem ideológicas - vemos o assalto constante do erário. Alguns grupelhos, parados no tempo, ainda insistem em teses estapafúrdias que não têm mais espaço na atual conjectura.

Continuamos vendo empresas envolvidas em casos de corrupção, sonegação, até mesmo tráfico. Há notícias de que até mesmo direitos trabalhistas têm sido ignorados, mesmo o empregador tendo completa condição de pagá-los.

No meio que nos cerca, nas situações mundanas, ainda encontramos seres vis. Falsos moralistas, sem a menor educação. Racistas, homofóbicos e demais criminosos, escondem-se agora sob o manto do politicamente incorreto. Há ainda os “coitados”, que se sentem injustiçados, ofendidos por tudo e por todos, mas não conseguem enxergar que o que colhem é exatamente o fruto daquilo que plantam diariamente. Costumo dizer que, normalmente, a ofensa está muito mais na cabeça do ofendido, do que na do suposto ofensor. Não nos esqueçamos dos conspiracionistas, que creem piamente que o fato de criticar o atual governo, já é salvo conduto para a intelectualidade, ainda que tenham que fazer esforços hercúleos para redigir uma simples frase. Esses hipócritas deixam suas máscaras caírem facilmente quando postos à prova, ou ainda, borram-se todos nas calças na frente de adversário à altura.

Se todos tivessem bom senso, as Leis poderiam ser abolidas, ou serem reduzidas a meia dúzia de artigos, isso seria o coroamento de uma sociedade ideal para um libertário como eu. Infelizmente, o que vemos é a necessidade cada vez maior de enrijecimento das normas. Colocando uma visão cética, e não utópica, o ser humano sempre precisou, precisa e irá precisar de uma boa dose de hierarquia e disciplina, sempre!

O padrão normal de conduta de um cidadão de bem, tem passado longe do comportamento de certos biltres de plantão. Para citar um exemplo bem recente, utilizo-me da Lei Antifumo, por causa de uma parcela de pessoas que não respeitam o ambiente alheio, todos os tabagistas sofreram sanção. É uma medida autoritária, mas as leis sempre são impositivas, e só se fazem necessárias quando não há outra solução. Fazendo um adendo, as comparações que tenho lido com medidas nazistas, são totalmente toscas e fora de contexto, aliás, a fuga para Hitler é o primeiro sinal que já se perdeu o debate.

Em 187 anos de independência, ainda engatinhamos como seres maduros, o pobre bom senso é assassinado diariamente, por culpa de pequena parcela - mas muito danosa – de “cultos”, “inteligentes” e “adultos”, que nunca saíram do jardim de infância. Sad but true!

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2009/09/18/a-morte-do-bom-senso-767669724.asp

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

As cidades que amo


Afonso Vieira

No último fim de semana fui visitar uns amigos em Campo Grande. Tão logo adentrei na Cidade Morena já comecei a observar alguns aspectos que me alegram bastante.

Já morei em diversas cidades no MS e outros estados do país. Mas é fato inconteste que sempre tive a intenção de fixar-me ou em Dourados, ou na capital sulmatogrossense. Ainda que tenha aprendido a exaltar e cultuar outras localidades, nenhuma delas superam meus dois amores.

Recentemente foi publicado que Dourados e Campo Grande estão entre as 100 melhores cidades do país para se trabalhar, consequentemente também enxergo com a mesma ótica na qualidade de vida.

Morei a maior parte da minha vida nas duas cidades supracitadas. Fiz amizades sólidas, conheço-as muito bem em todos os sentidos. Ambas planejadas, ambas com seus defeitos e qualidades. Dotadas de um povo bonito, ordeiro e trabalhador, com uma identidade cultural ainda por se consolidar. Temos toda a infraestrutura necessária para uma vida saudável. Ainda que em alguns aspectos as coisas deixem a desejar, a quantidade de prós suplanta quaisquer pormenores que venham a surgir.

Os investimentos que despontam nos últimos tempos só tendem a aumentar ainda mais a nossa atratividade. Espero que a educação, saúde e segurança acompanhem os anseios da população, tais setores deveriam estar na dianteira de nossas prioridades. Deveríamos ter representantes de peso para buscar maiores recursos para a região, infelizmente, creio que ai está nossa maior deficiência.

Perdemos a Copa - o que eu já esperava -, mas continuamos nossas vidas e com certeza isso foi uma “perda menor”. Nossa parte cultural também deveria sofrer uma revolução, haja vista que ainda temos uma produção pífia. Talvez nossos filhos consigam colher frutos melhores.

Nosso estado fica cada vez mais bonito, mas com certeza, nossas duas maiores cidades destoam das demais. A beleza da capital é gritante. Conheci diversos locais de nosso país, ainda que os grandes centros tenham uma variedade muito maior de opções, não deixamos a desejar em nada para eles, pelo contrário.

A vida noturna de Dourados ainda engatinha, porém, na parte gastronômica e de bares, creio que estamos bem servidos. O turismo de negócio está em expansão há anos, com um elevado índice de ocupação no setor hoteleiro.

A visão de cidade do interior, de matutos e caipiras tem mudado, e para melhor. Entre trancos e barrancos estamos seguindo nosso caminho. Ainda temos muito a evoluir e aprender, diversos defeitos para corrigir. Mas com serenidade e responsabilidade, creio que temos uma excelente jornada a traçar, com as melhores expectativas possíveis. Quem viver verá!

http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=262350



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Carta aberta aos senadores do MS


Prezados (a) senadores (a)

Sobre os recentes episódios lamentáveis no Senado Federal, e a deplorável atitude de arquivar as denúncias contra José Sarney, pelo Conselho de Ética (?), teço alguns comentários:

- Senador Delcídio do Amaral, ao escrever: “Ser governo significa assumir ônus e bônus. Desta vez foi ônus. Embora meu voto não alterasse o resultado, não costumo assumir discurso fácil”, você demonstra claramente seu caráter e valor, que em meus conceitos são características praticamente nulas ou distorcidas de alguém probo. Pior, relativiza! Não me surpreende que alugou a legenda do PT para alçar o cargo eletivo. Pode ter certeza, mesmo que o povão tenha memória curta, alguns raros - como eu -, faremos de tudo para que informações como esta estejam sempre presentes nas discussões políticas.

- Senador (?) Valter Pereira, dizer “Eu não gostaria de fazer comentários sobre isso. Eu prefiro me posicionar no plenário. Isso certamente vai gerar recursos que vão parar no plenário”, é portar-se como alguém que foge das próprias responsabilidades, é muito cômodo lavar as mãos. Apesar de você não ter sido eleito pelo voto, ocupa uma posição que não lhe permite – ou não deveria permitir – a covardia ou omissão. Nós, sulmatogrossenses, não precisamos e não queremos pessoas esguias nos representando, queremos saber sua opinião, sempre!

- Senadora Marisa Serrano, primeiramente, agradeço - em nome dos que ainda possuem vergonha na cara - o voto a favor das denúncias. Ainda que tenham sido arquivadas. Segundo, deixo claro que isso não é nada mais que obrigação. Infelizmente não temos uma oposição de verdade, muito menos representantes dignos o suficiente. Mas “a esperança é a última que morre” . . .

Senhores (a), o quadro institucional do pós-redemocratização nunca foi tão funesto. Ouso dizer que estamos próximos ao fundo do poço, ou abaixo disso. Tragicamente, a massa de analfabetos funcionais tem aumentado e pouco ou nada se importam com os caminhos de nossa política.

Deixo claro que nunca votei e não pretendo votar em nenhum dos três senadores atuais do MS. Até agora, nenhum demonstrou quaisquer atributos que dignifiquem e justifiquem tal condição, pelo contrário. No caso do petista, tenho plena certeza que jamais o farei.

Alerto-vos ainda sobre a ampliação do voto nulo, e que os senhores são responsáveis diretos por esse crescimento. O discurso demagógico da Justiça Eleitoral não está mais colando. Está muito difícil escolher entre o “ladrão” e o “assassino”. O “menos pior” passa a ser carta fora do baralho.

Deixo algumas sugestões:

Acabem com a imunidade parlamentar. Reduzam de 3 para 2 representantes no Senado por Estado da Federação. Reduzam o Congresso pela metade. Político, ao ser eleito, perde completamente os sigilos, bancário, fiscal e telefônico. Todos os votos devem ser abertos e divulgados diariamente em portal eletrônico. Extingam a suplência através da legenda, devendo assumir o próximo mais votado, independente de partido. Obrigatoriedade de curso superior para disputar cargo eletivo. Ficha limpa deverá tornar-se condição sine qua non, incluindo antecedentes criminais, para todos os candidatos a políticos. Afastamento imediato da função de qualquer parlamentar envolvido/suspeito de ilicitudes.

São medidas que parecem óbvias, mas que não ganham eco dentro de um ambiente de lama e sujeira, como é o nosso legislativo.

Faço votos de que em um futuro próximo, o povo se torne mais crítico, que tenham maior interesse pelos atos dos que nos representam, que nossa educação melhore. Daí, quero ver como se portarão beócios e estúpidos, verdadeiras aberrações, como alguns dos atuais legisladores, ex: Conde, Wellington Salgado, Renan, etc. É uma utopia, e como tal, provavelmente inalcançável. Triste mas real.


Atenciosamente,


Afonso Vieira
Cidadão Sulmatogrossense





Carta aberta aos senadores do MS‏
De:
Afonso Vieira (afonsohjv@hotmail.com)
Enviada:
sexta-feira, 21 de agosto de 2009 13:08:31
Para:
marisa.serrano@senadora.gov.br; delcidio.amaral@senador.gov.br; valterpereira@senador.gov.br

http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=262351


domingo, 16 de agosto de 2009

Conceitos, definições e valores


Afonso Vieira

Esta semana li a seguinte frase: Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. - É a única. Do filósofo Albert Schweitzer. Alguns acontecimentos recentes me fizeram refletir neste texto.

Note que, dentro das mais variadas definições, de nada vale defender uma posição, se não a cumpre de forma prática, dando o exemplo a ser seguido.

É muito comum cairmos em discussões infindáveis sobre conceitos, fatos históricos, valores morais. Analisando friamente, dá para chegar à conclusão de que tudo é relativo à ótica individual de cada um.

Quando leio ou ouço alguém defendendo teorias utópicas, busco automaticamente um exemplo empírico para corroborar com tais conceitos, normalmente, não os encontro.

Um exemplo clássico sobre da deturpação conceitual são os termos direita e esquerda política. Marxistas e liberais utópicos tendem a fazer saladas esdrúxulas quando querem criticar esta ou aquela posição. Não há mais como enquadrar essas teses como há 100 anos, mesmo porque, existem diversas vertentes no mundo real e as mais aceitáveis tendem para o centro. É a busca de algo equilibrado. Teóricos só servem para permear a imaginação dos românticos, nem eles mesmos aplicam o que pregam; temos inúmeros exemplos disso. Um bom modelo é ver que temos anarquistas coletivistas e individualistas, aceitos na atualidade como esquerdistas e direitistas, respectivamente.

Para quem gosta de pesquisar sobre fatos históricos, uma das primeiras lições é visualizar que a verdade absoluta não existe. Para cada fonte que apontemos, sempre haverá outra no sentido contrário. Podemos dizer que encontramos a visão “mais aceita”.

Pela minha experiência pessoal, creio que já tenho certa bagagem para divagar sobre nosso perfil. Nesta semana passei por duas situações parecidas. Na primeira, quando fui pagar a conta em um bar, verifiquei que ela estava com a quantidade inferior do que consumimos, chamei o garçom e mandei corrigir – a cara de espanto dele foi tremenda -, no outro dia disse ao proprietário para atentar a isso, pois “não existe almoço grátis”, alguém ficará com o prejuízo. Na segunda situação, o garçom de outro estabelecimento trouxe a cerveja e não marcou na comanda, chamamos e pedimos para anotar. Alguns pensarão que sou trouxa – ampla maioria -, outros acharão louváveis as atitudes, mas a opinião de outrem pouco me importa. Vale mesmo meu imperativo categórico.

Cito, bastante, em meus textos os valores morais. Nisto também não há consenso, mas - via de regra - são os fundamentos repassados pelos pais, pela cultura geral, no nosso caso, a cultura judaico-cristã – sou agnóstico, mas reconheço sua importância – que muito norteia as atitudes do dia a dia.

Não há valores e conceitos absolutos, há padrões de conduta, normas mais aceitas; um bom filósofo, por exemplo, deve se desprender de dogmas e, literalmente, tergiversar ad infinitum. Voltando à frase do primeiro parágrafo, deixo algo para reflexão: você faz com os outros, o que não gostaria que fizessem com você? Pense!

http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/opiniao/mat/2009/08/19/voce-faz-com-os-outros-que-nao-gostaria-que-fizessem-com-voce-757471833.asp

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=4733

http://www.douradosinforma.com.br/noticia.php?id_noticia=89441

http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=262352


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Céticos S.A.

A esperança move o mundo. A compaixão é pregada em praticamente todos os círculos sociais. A propagação da “alma boa”, do que é fraternal, de que todos têm a bondade dentro de si; de que somos seguidores de uma entidade onipotente e perfeita, na qual nos espelhamos, é o norte da ampla maioria. Desculpem-me, mas na maior parte é pura empulhação!

Ser humano gosta de tragédia, de ver o sangue jorrar. A mentira, falsidade, corrupção, o maniqueísmo, a inveja e outras características mais, são o que mais notamos no meio que nos cerca. Basta ver tudo que mais vende, que faz sucesso, os textos polemistas sempre são o mais comentados. Qual notícia boa que você se recorda do jornal de ontem? Qual foi a última fatalidade ou escândalo nacional? Faça o teste.

Não pensem que estou com raiva quando escrevo este texto, ou que esteja com algum problema, pelo contrário, estou muito bem, obrigado! Em uma paz interior tremenda. Mas às vezes é preciso demonstrar a verdadeira face que possuímos.

Todos têm raiva de algo, têm desejos obscenos. A diferença está exatamente em aceitar o politicamente correto e falsear as reais vontades. Poucos, pouquíssimos assumem e têm coragem de ser sinceros. Digamos assim, muitas das vezes, vivemos num mundo irreal, sobre conceitos distorcidos da própria realidade.

A primeira coisa que devemos aprender é enxergar as pessoas como realmente são. O ceticismo sobre a real natureza do ser é esclarecedor, menos injusto e nos traz menos malefícios. Parafraseando o dito popular; a verdade dói menos.

Pessoas amarguradas - não me confundam com elas -, com problemas de relacionamento, ou com frustrações, tendem a ser negativas e não enxergar seus próprios e imensos defeitos.

Eu, por exemplo, aprendi a ser muito observador. Procuro identificar os defeitos, tanto os meus – sou um chato incorrigível, e tento me policiar - como das pessoas próximas a mim. Estas, quando realmente me são importantes, o entendimento de suas imperfeições fazem do convívio algo muito mais agradável. O que proporciona uma melhora na qualidade da relação. Já os entes que não me agregam nada, tenho evitado!

Esta é uma ótica diferente da parcela mais significativa de nosso meio, mas creio que também é mais adequada. Se pensarmos ceticamente, dificilmente seremos surpreendidos pelos atos vis, que são inevitáveis. Estrategicamente falando, devemos raciocinar com a pior hipótese, sempre!

Creio que todos devemos buscar a excelência em nosso viver, e isto deve partir de dentro. Não gosto de dirigir, de música depressiva, de pessoas falsas, de bandidos, do politicamente correto, falso moralismo, et caterva. O que me irrita eu evito, e isso me tem feito muito bem! Sugiro ao demais.

Enxergar a verdadeira natureza humana, de inicio, é aterrorizante. Ver seus dogmas, seus ídolos e espelhos jogados na lama, não é e dificilmente vai ser algo agradável. A longo prazo, isso só nos fortalece.

Céticos enxergam o mundo de forma ímpar, conseguindo extrair dele a sabedoria necessária para a própria paz interior. Podemos possuir vidas controversas para os padrões normais, mas os padrões de outrem não interferem, via de regra, em nosso bem estar. Greetings!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bandidos!


Afonso Vieira

Bandidos, criminosos, são os que cometem delitos, que tomam atitudes que não condizem com as normas legais e da sociedade, que se apropria de algo que não lhe pertence, mentirosos e coniventes contumazes, profissionais do crime. O maior exemplo prático desta definição são nossos políticos.

Tenho como hobby o acompanhamento da política, tanto mundial, como os pormenores dos municípios que já habitei. Causa-me ojeriza os atos de nossos representantes; tenho total desprezo por qualquer político, seja do meio próximo a mim ou qualquer outro; não sou relativista moral, oito não é oitenta. Não há um único membro de cargo eletivo que mereça respeito, não o meu!

A cena protagonizada por José Sarney, em seu discurso de suposta defesa é deprimente, para ser bem generoso. O cinismo, a cara-de-pau só se iguala ao chefe do executivo. Dizer que há “inverdades” no que foi publicado, é uma afronta a qualquer um que tenha o mínimo de probidade dentro de seu caráter. Esse sacripanta crê piamente que todos os brasileiros são iguais aos seus eleitores – não, não somos!

Dei uma nova zapeada no Espírito das Leis, de Montesquieu, o nobre escritor deve se revirar no túmulo quando vê como se portam os “eleitos” aqui, no bananão - os nacionalistas que me desculpem, mas não há termo mais correto para definir nosso país nos dias atuais.

O biltre do bigode ainda citou Sêneca recentemente, como se soltar frases de efeito do saudoso filósofo mudassem seus atos espúrios.

Conforme eu citei na introdução deste texto, fiz um conceito bem abrangente do que, em minha opinião, é um bandido. Dentro de meus conceitos e valores morais, Sarney, Lula, Collor, FHC e demais usurpadores da ética pública, são todos, bandidos! Quem os elege, são coniventes, no mínimo!

Alguém conhece um homem da política brasileira que seja realmente honesto, que coloque suas mãos no fogo, literalmente, por sua pessoa? Gostaria que me apresentassem esse curupira.

Há algo mais esdrúxulo que um ignóbil como Wellington Salgado? Um ignorante que defende o indefensável. Um Conde, que talvez seja pior que seus pares. Se formos enumerar a quantidade de “bandidos” existentes naquela casa, a lauda será sempre curta.

Como não estou no mesmo patamar moral de nosso legislativo, farei a gentileza de, primeiramente, enviar a todos os endereços eletrônicos disponíveis no site do senado – a letra minúscula é proposital – este texto. Sei que a maioria nem o lerá, mas não posso ser acusado de não ter tentado.

Sendo um legalista convicto, que procura respeitar nossas leis - mesmo que discorde delas –, sinto-me impedido de consumar certos atos que me vêm à mente. Mas, sinceramente, existem duas torres que deveriam estar lotadas, com todos seus integrantes dentro, e o Bin Laden tupiniquim nos faria um imenso favor de explodi-las . . .

Bandidos!‏
De: Afonso Vieira (afonsohjv@hotmail.com)Enviada: quinta-feira, 6 de agosto de 2009 13:14:02 Para: adelmir.santana@senador.gov.br; almeida.lima@senador.gov.br; mercadante@senador.gov.br; alvarodias@senador.gov.br; acmjr@senador.gov.br; antval@senador.gov.br; arthur.virgilio@senador.gov.br; augusto.botelho@senador.gov.br; cesarborges@senador.gov.br; cicero.lucena@senador.gov.br; cristovam@senador.gov.br; delcidio.amaral@senador.gov.br; demostenes.torres@senador.gov.br; eduardoazeredo@senador.gov.br; eduardo.suplicy@senador.gov.br; efraim.morais@senador.gov.br; eliseuresende@senador.gov.br; ecafeteira@senador.gov.br; expedito.junior@senador.gov.br; fatima.cleide@senadora.gov.br; fernando.collor@senador.gov.br; flavioarns@senador.gov.br; flaviotorres@senador.gov.br; flexaribeiro@senador.gov.br; francisco.dornelles@senador.gov.br; garibaldi.alves@senador.gov.br; geraldo.mesquita@senador.gov.br; gecamata@senador.gov.br; gilberto.goellner@senador.gov.br; gilvamborges@senador.gov.br; gim.argello@senador.gov.br; heraclito.fortes@senador.gov.br; ideli.salvatti@senadora.gov.br; inacioarruda@senador.gov.br; jarbas.vasconcelos@senador.gov.br; jayme.campos@senador.gov.br; jefferson.praia@senador.gov.br; joaodurval@senador.gov.br; joaopedro@senador.gov.br; joaoribeiro@senador.gov.br; jtenorio@senador.gov.br; j.v.claudino@senador.gov.br

De: Afonso Vieira (afonsohjv@hotmail.com) Enviada: quinta-feira, 6 de agosto de 2009 13:18:41 Para: jose.agripino@senador.gov.br; josenery@senador.gov.br; sarney@senador.gov.br; katia.abreu@senadora.gov.br; leomar@senador.gov.br; lobaofilho@senador.gov.br; lucia.vania@senadora.gov.br; magnomalta@senador.gov.br; maosanta@senador.gov.br; crivella@senador.gov.br (crivella@senador.gov.br); marco.maciel@senador.gov.br; marconi.perillo@senador.gov.br; maria.carmo@senadora.gov.br; marinasi@senado.gov.br; mario.couto@senador.gov.br; marisa.serrano@senadora.gov.br; webmaster.secs@senado.gov.br; mozarildo@senador.gov.br; neutodeconto@senador.gov.br; osmardias@senador.gov.br; gab.papaleopaes@senado.gov.br; paulo.duque@senador.gov.br; paulopaim@senador.gov.br; simon@senador.gov.br; raimundocolombo@senador.gov.br; renan.calheiros@senador.gov.br; renatoc@senador.gov.br; robertocavalcanti@senador.gov.br; romero.juca@senador.gov.br; romeu.tuma@senador.gov.br; rosalba.ciarlini@senadora.gov.br; sergio.guerra@senador.gov.br; zambiasi@senador.gov.br; serys@senadora.gov.br; tasso.jereissati@senador.gov.br; tiao.viana@senador.gov.br; valdir.raupp@senador.gov.br; valterpereira@senador.gov.br; wellington.salgado@senador.gov.br


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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Falando na vida . . .


Já tem certo tempo que voltei mais o foco dos textos às coisas pessoais, introspecção, observação do meio que me cerca e satisfação pessoal. Às vezes nos preocupamos demais com os problemas mundanos e nos esquecemos de nosso próprio bem estar.

O que nos faz bem? Bom, isso é uma pergunta que parece óbvia e deveria ser de pleno conhecimento de qualquer ser pensante. Particularmente, nada substitui nossa liberdade, somada com a companhia das pessoas que amamos, daquelas que temos afinidade, seja cônjuge ou grandes amigos. Notem, ser livre não nos obriga a ignorar relacionamentos sérios, mas sim, ter maturidade para sustentá-los. Para um “schopenhaueriano” – e dá-lhe neologismo! – como eu, até concordo que é bem mais complexo.

Fico vendo pessoas reclamando de tudo e de todos, resumindo-se em falar mal e criticar até a própria sombra. Creio que são frustrados, que não amadureceram o suficiente para encontrar o próprio equilíbrio, ou melhor, cuidar da própria vida.

Há tempos não freqüento locais que sei que não me farão bem, pelo contrário, evito! Para me levar a um pagode ou sertanejo, só se o motivo for muito bom e realmente valer a pena. Avalio sempre os prós e contras da situação.

Outra coisa que aprendi a evitar, pessoas extremamente materialistas – parece até contraditório para um “porco capitalista”, defensor da economia de mercado, mas não é -, daquelas que só falam em dinheiro e o colocam acima de tudo. Oras, uma coisa é querer ter uma vida saudável, condições financeiras estáveis, outra completamente diferente é pautar até mesmo suas atitudes com amigos e parentes sobre esses interesses. Colegas assim, quanto mais distantes, melhor!

Estamos todos cercados de hipocrisia, de corrupção, de falta de hombridade moral. Os valores da sociedade dançam conforme a música da vez. Nem por isso temos que mudar nossa personalidade, nosso padrão de conduta. Citando Aristóteles, em resumo é isso para praticamente todos nossos atos: “Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito.”

Sou um cético incorrigível, tentando ser extremamente racional, mas também um otimista em muitas coisas, e extremamente pessimista noutras. Seguindo ainda a linha aristotélica, creio que a virtude está sim, no meio termo, parece algo óbvio, meio Ying Yang; ou alguém acha que existiria um Deus sem o diabo? O bem sem o mal? Creio que tudo funcione para ser posto em equilíbrio, numa lei constante da ação e reação.

É curioso, a motivação deste texto foi um “plim”, que do nada me acertou. Lembrei das pessoas que foram e ainda são importantes para mim, até cheguei a teclar com algumas no MSN. Ligo o som, começa a minha preferida do AC DC, You shook me all night long. Pois é, o que nos faz bem, deve ser cultuado.

Enfim, é isso, de tempos em tempos, é bom refletir sobre o próprio Eu. Sobre atitudes, pesos e contrapesos. Pedindo e aceitando desculpas. Somos os primeiros a ganhar, sempre!

sábado, 18 de julho de 2009

A moral de cada um


Afonso Vieira

Muito temos visto, sendo bombardeados diariamente, várias notícias sobre atos ilícitos nos mais variados cantos de nossa pátria. A enxurrada de críticas e a quantidade de indignados pululam em textos, blogs, jornais, revistas e, até mesmo, em conversas de bar. Fico me indagando: temos moral para tanta cobrança?

Sinceramente, pelas andanças que a jornada da vida me proporcionou – cada vez mais -, tendo a desacreditar na índole da maior parte de meus conterrâneos. O relativismo moral rasteiro e barato é o norte da terra brasilis.

Já repararam que, boa parte dos ditos probos sempre prega a chamada “moral de cueca” – termo muito utilizado na caserna. Considerável fatia dos irados não passa de hipócritas, com sua revolta seletiva, que só criticam o que lhes convêm, que somente agem contra este ou aquele quando não envolvem seus apaniguados.

É transparente que em nossa sociedade, está enraizada uma cultura de desprezo com o erário. As compras públicas, via de regra, estão superfaturadas; os “defensores” da ética e da moral, na menor oportunidade, serram filas com dinossauros das falcatruas e maracutaias.

Veículos de comunicação dançam conforme a música, ou melhor, patrocínios governamentais e malas de dinheiro. Editoriais indignados de nada valem, haja vista que nos bastidores, reuniões e conluios são feitos diariamente entre os “proprietários” das notícias, corruptos e corruptores.

Esta semana presenciei o descaramento moral in loco, em uma confraria com amigos, discutia-se as recentes prisões de políticos e empresários locais, acusados dos mais variados crimes; curiosamente, o mais exaltado, foi preso com entorpecentes quatro dias depois. Ainda com relação a este episódio, circula uma mensagem eletrônica de um cidadão indignado e pregando que os demais não comprem nada nos estabelecimentos comerciais dos envolvidos, enumerando os empreendimentos existentes, atitude digna de aplausos, diga-se. O que me surpreendeu é que, segundo informes, já há uma resposta para tal texto, de uma – pasmem – promotora (carece de confirmação a veracidade), isso mesmo uma promotora de justiça se rebaixando a um e-mail, onde defende uma das propriedades, pois não mais é dos envolvidos nas prisões, e sim de seu cônjuge. Oras, isso é assunto para que um membro do judiciário se envolva? Não há assuntos mais importantes para um agente público se preocupar? Ainda mais estando na posição que se encontra.

Vejo nas atitudes mundanas tudo que foi descrito por Maquiavel. O filósofo inglês, Thomas Hobbes, tem provado que estava certo: “homo homini lupus" – não canso de repetir isso.

A grosso modo, somos fracos por natureza, facilmente corruptíveis, nos deslumbramos com o poder. José Sarney e Lula são a cara da população, reflexo do nosso atraso político e cultural.

Às vezes penso que sou uma ilha, com pouquíssimos semelhantes a minha volta. Tenho milhares de defeitos, mas ao menos me policio diariamente para que estes não suplantem minha razão. Enquanto isso, faço da vida um aprendizado constante, observando e me desiludindo com a população de “pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas”, que há mais de quinhentos anos ainda não aprendeu o menor conceito que seja do que vem a ser pudor.

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=4682

http://www.douradosinforma.com.br/noticia.php?id_noticia=87913

http://bbcnews.com.br/index.php?p=noticias&cat=205&nome=Artigos&id=153462


sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Senado, de novo, novamente, outra vez . . .


Afonso Vieira


Há tempos tenho evitado escrever sobre política. Ler os noticiários é algo asqueroso, não há um único dia que não seja publicada algum tipo de farra/ilícito com o erário público. Novamente (?) temos o Senado Federal enlameado por denúncias de corrupção.

José Sarney é o símbolo mor do que se tornou a Ética e a Moral em nosso país. Atua nos bastidores da República desde a década de 50, sempre mamando nos cofres da nação – sabe-se lá o que já conseguiu em seus conluios com outras amebas de mesmo quilate.

O maranhense representa exatamente o Congresso Nacional: cínico, de boa lábia, suposto letrado, sua sede pelo poder é maior do que sua probidade – que parece ser nula -, apegado nas piores práticas de fisiologismo e populismo barato, é um beócio sobre economia e administração pública, só age à contento quando o interesse é particular.

Alguém ainda acredita nas suas desculpas esfarrapadas? Eu nunca acreditei! Assim como sou totalmente descrente em qualquer parlamentar em atividade. Não creio que alguém honesto e com boa formação moral tenha inclinação para a carreira política, e os fatos só comprovam a minha tese, dia após dia.

Vivemos sob a égide de um Estado corrupto, esfacelado em todas as suas instituições nos quesitos que dizem respeito ao que é pudico. E isso vai desde o mandatário mor – este aprendeu muito bem a arte de enganar com o senador em questão -, até o mais relé edil de pequeno município.

Esse senhor, caso venha a ser defenestrado da presidência da casa, continuará nos brindando com sua cara de pau. Continuará sendo eleito pelo povo miserável e ignorante que nele já votou. Nenhuma investigação o punirá, seus adversários de plenário estão no mesmo nível intelectual, probo e vil.

As desculpas para suas improbidades seguirão a linha do chefe do executivo: imprensa golpista, perseguição ideológica, conspiração da “direita” – se é que isso existe no Brasil -, ou no pior estilo do “eu não sabia”. Cabe ressaltar que o próprio Lula já chamou o caudilho maranhense por diversos impropérios.

O Brasil é ímpar em diversos aspectos, via de regra, somos acomodados, queremos levar vantagem em tudo, não somos muito avessos ao trabalho árduo – preferimos o caminho do jeitinho, sempre! -, temos um nível cultural deprimente, nossa educação só piora. A grande maioria dos ditos cultos, são partidários de alguma agremiação política – que eu chamo carinhosamente de quadrilhas -, costumam se engalfinhar com unhas e dentes na defesa deste ou daquele bandido candidato da respectiva sigla. Quando alguém diz uma verdade, esses mesmos hipócritas saem como aquela mãe que se finge de cega, que não admite que alguém aponte os milhares de defeitos do próprio filho, ainda que ela tenha plena consciência de todos eles. Amar seu país, seu estado, sua cidade, seus entes queridos, não deve ser sinônimo de conivência e acomodação, pelo contrário, quem gosta, cuida, critica e cobra!

Renan se safou da cassação, seus pares – da mesma laia – lhe garantiram posição de destaque na atual legislatura, mesmo contrários à opinião de boa parcela da sociedade. Sarney deve ter o mesmo destino.

O próximo ocupante da chefia de tão "presigiada" instituição poderia muito bem ser Fernandinho Beira Mar ou o Marcola; estariam perfeitamente equiparados com os demais nobres daquele parlamento. Ao menos as celas poderiam ser as mesmas . . .

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=4642

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ensaios


Aos poucos retorno para minha rotina de leitura diária, ainda que esteja muito defasada do que um dia já foi, tenho conseguido uma melhora considerável. Filosofo muito, nos mais variados temas, o que tem faltado é tempo para colocar no texto propriamente dito; artigos inteiros fluem em uma corridinha de 10 km ou num passeio de moto. A fila está ficando grande. Meu último texto enviado e publicado na mídia data de março, o que não me tem muita importância também.

Li um artigo - há aproximadamente uma semana – de um coronel aviador, que tratava da tendência atual da formação do Estado, uma descrição excelente que corrobora com minha opinião. Hoje pincelei um ensaio sobre a independência do Banco Central, como autoridade monetária fluindo como um quarto poder, Montesquieu foi citado com sua tripartição dos poderes estatais, e decorreu para a formação das economias atuais.

Como minha área de atuação é gerencial, e os temas que muito chamam minha atenção dizem respeito à qualidade, tenho estudado bastante fatores regionais para entender o péssimo nível de atendimento dos locais que passei.

Às vezes penso em retornar à escrita política, mas tenho evitado até mesmo em me aprofundar na análise das notícias, é a descrença total nesses ogros e suas mentiras corriqueiras. Já cheguei a iniciar dois ou três parágrafos, mas minha saúde é mais importante! Não é bom facilitar, vai que minha gastrite ataca . . .

Comprei e pretendo comprar alguns livros sobre filosofia e política, de pronto consegui um exemplar do Espírito das Leis, do já citado Montesquieu; irei adquirir novamente uns exemplares de Voltaire e Schopenhauer. As leituras têm que dar prazer, aquela vontade de devorar o texto o quanto antes é primordial para a satisfação pessoal. Acredito que os ensaios vindouros após certas obras terão melhor conteúdo.

O fato é que sem emoção, raiva ou vontade, o resultado teórico pode não ser com a satisfação desejada. A inspiração deve fluir normalmente, acompanhada da embriaguez com que surgem pensamentos, citações e opiniões. O conteúdo discorre dos dedos com rapidez e agilidade, as palavras despontam uma após a outra, numa sintonia quase perfeita com o individuo e sua divagação.

Por fim, este esboço foi somente o desabafo de um desejo que tem se feito frustrar, ora por falta de tempo ou inspiração, ora por falta de oportunidade. Mas, conforme dito no parágrafo anterior, faz-se necessária a “luz” para que saia algo à contento. Como tenho sabido controlar melhor minha ansiedade, fica a deixa do magnífico Celso Blues Boy:

“As coisas são assim
Prá que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre existirá
. . .
Toda esperança
Sempre brilhará”