sábado, 25 de dezembro de 2010

2010 que se vai


Nas proximidades das festas de fim de ano, sempre nos vemos instados a fazer um balanço reflexivo da vida, das aspirações e conquistas. Enquanto milhares de pessoas se esbaldam em compras e falsos ou momentâneos sentimentos de bondade, torno-me ainda mais cético sobre o que nos cerca.

Outro dia comentava com uma amiga que, provavelmente, tenha encontrado minha paz interior. Indagou-me como e onde, respondi: em mim. Passo a pensar nas crenças e necessidades das pessoas em minha volta, muitos buscam sua serenidade na religião, no amante ou em alguma causa utópica. Olho para os fatos, às vezes até com certo desprezo, e dificilmente consigo enxergar algo que sirva para minha pessoa.

Não tenho crenças, dogmas, ídolos ou ideologia, e ainda assim, vivo com a cabeça tranqüila. Alguns já me disseram que não levo a sério ensinamentos religiosos porque nunca precisei de um Deus; eu já me indago ao contrário, não acredito que possa ter necessidade de algo que não encontre dentro da minha própria cabeça. Detesto ateus militantes, nem mesmo o sou, há um abismo entre um agnóstico e um ateu. Posso dizer que mesmo cético, tenho boa dose de otimismo na vida e procuro usufruir da melhor forma possível tudo que ela me deu até o presente. Mas, reservo-me o direito não acreditar em algo extremamente contraditório e que me cerceie a liberdade. Não posso mudar certos sentimentos, mas posso conviver com eles harmonicamente.

Muitas vezes, no policiamento constante para não parecer arrogante ou mal interpretado, chego a me irritar com crenças infundadas, mas respeito e vejo que cada um, na sua forma, busca e encontra alívio onde melhor se encaixa. Torço para que cada vez mais pessoas atinjam o que chamo de maturidade espiritual, independente da forma que isso venha a ocorrer.

Nas minhas leituras diárias acabo me deparando com diversos textos e argumentos, uns rasos demais, sem embasamento suficiente, outros já com maior consistência. Houve uma época que chegava a entrar em debates, hoje tenho pouca inspiração para isso, faço o que é melhor para mim e aos que me cercam, não iremos mudar quem não tem essa intenção. O mundo ensinará os caminhos corretos, uns aprendem da melhor forma, outros pelos meios mais árduos.

Aos políticos – todos - reservo meu completo desprezo, nem por isso deixarei de fiscalizá-los e cobrá-los. Às religiões e crenças, deixo meus cumprimentos pelo trabalho de conforto que levam às mentes necessitadas, ainda que tenha grandes ressalvas, numa equação simples, entendo que o saldo é muito positivo. Aos utópicos, que insistem em enxergar a “salvação” da humanidade em teorias ultrapassadas e desconexas, sejam econômicas ou sociológicas, deixo a recomendação de abrirem as mentes, aceitando o contraditório e aprendendo com a prática e o equilíbrio necessário. Aos amigos e entes queridos, um sincero obrigado!

Boas festas!

*Publicado originalmente em 22/12/2009

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Liberdade e solidão


Há um certo tempo uma amiga me disse que tinha certa preocupação com meu apreço pela solidão. Na época respondi que não havia nada de errado com isso. Gostar da solidão não é necessariamente ser solitário, no sentido de isolamento.

Já disse inúmeras vezes que evito locais que, por um pré-conceito, sei que não vou gostar. Às vezes se deve pelo ambiente, outras pelas pessoas ou a combinação dos dois. Também já fui a lugares que achava que seria péssimo, mas as companhias suplantaram todas as intempéries. Mas ainda prefiro seguir a primeira das regras.

Segundo Demófilo, “não é livre quem não tenha obtido domínio sobre si mesmo”. Nesta ótica entra a busca pela paz interior, cada qual segue seu norte, alguns vivem uma busca constante por entes amados, outros pelo conhecimento, reconhecimento moral ou material. Cada qual na sua linha de raciocínio.

Já eu, fico com um dos aforismos de Schopenhauer: “O homem só pode ser si mesmo por completo enquanto estiver sozinho; por conseguinte, quem não ama a solidão, não ama a liberdade; pois o homem só é livre quando está sozinho.” Todos merecemos nosso momento sagrado, aquela hora de reflexão. Os espíritos mais indóceis, talvez precisem de muito mais tempo sós do que acompanhados, como se fosse uma rebeldia natural, entranhada nas profundezas do ser.

Não se trata de viver isolado, sem uma companhia, trata apenas de gostar de poder sair a esmo, mundo afora, sem ter que dar satisfações, sem ter que se preocupar com a “preocupação” de outrem. É ser livre e deixar que os outros também sejam. Infelizmente ou felizmente, pouquíssimas pessoas entendem essa visão.

Dentro das limitações comuns ao ser humano, há um sentimento medíocre de posse, de obtenção de status, de autoritarismo sobre quem lhe cerca. Complementando todas essas excrescências, ainda temos uma infinidade de estultices oriundas de cunho religioso e moral. Todos necessitam ter, e não ser. Mulheres maravilhosas se transformam em verdadeiras assombrações no decorrer do relacionamento.

Talvez por causa de muitas dessas barreiras que são poucos os seres que realmente apreciem o indivíduo como o menor coletivo. Este ser solitário e liberto, que não aceita muitas imposições, restrições e comprometimento com o que não lhe agrade. Que possua como crença apenas aquilo que lhe respeite como pessoa, sem doutriná-lo, sem cerceá-lo, que lhe proporcione seu livre poder de decisão e pensar, onde todas as escolhas são sempre suas, com as respectivas conseqüências.

It's A Long Way To The Top (If You Wanna Rock 'n' Roll)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

CPMF - Carta aberta aos deputados e senadores


Prezado(a) deputado/senador(a),

Venho por meio deste texto, solicitar que vossa excelência se manifeste publicamente quanto a sua posição sobre a reapresentação da famigerada CPMF.

Tomei a liberdade de enviar esta mensagem com cópia a várias pessoas do meu círculo social, bem como alguns meios de comunicação, para que sua resposta venha alcançar o maior número de pessoas e que, desde já, tenhamos como avaliar os atos dos nossos representantes. Informo-vos ainda que encaminharei texto semelhante aos demais deputados eleitos e respectivos senadores.

É público e notório que o Brasil possui umas das maiores cargas tributárias do planeta, acima dos já exorbitantes 35%, e a arrecadação federal tem crescido ano após ano. A própria CPMF não acarretou perdas efetivas para o governo federal, haja vista que foi substituída por um aumento do IOF, e, como já citei anteriormente, a arrecadação subiu nos últimos 8 anos o equivalente a duas CPMFs.

Portanto, é uma afronta a inteligência, ao bolso e a moral alheia qualquer tentativa de ressuscitar algo que onere ainda mais o contribuinte, extorquido diariamente pelo governo.

E o que temos em contrapartida? Serviços medíocres, tendo que pagar planos de saúde e escolas particulares para nossos filhos – isto para os que têm condições -, pedágios nas estradas, taxas abusivas por prestações de serviços pífios, até mesmo a segurança tem que ser reforçada por empresas privadas.

Isto é problema de gestão, não de arrecadação!

Há uma infinidade de parlamentares estúpidos, que visando única e exclusivamente a eleição, jogam para a platéia sempre onerando ainda mais o Estado, sem responsabilidade fiscal alguma.

Eu, como cidadão e contribuinte, não quero saber quem criou essa excrescência, muito menos qual argumento para colocá-la novamente em pauta, pois não há nada que justifique o retorno do tributo. Lembro ainda que toda vez que se aumenta a taxação, o custo é repassado automaticamente ao consumidor final, que é quem efetivamente paga a conta pela farra com o erário.

Definitivamente, o maior gargalo do país é com a corrupção: como os “dez por cento” cobrados pela ampla maioria dos parlamentares a cada emenda aprovada pelo repasse ilegal a corruptos e corruptores – estes, de certa forma superfaturam as obras para adocicar as contas de quem lhes favorece com benesses estatais -, e não venha me dizer que isso não existe porque é conhecido por todo cidadão que já entrou e viu como funciona qualquer órgão do poder público, seja municipal, estadual ou federal.

A legislação, assim como a doutrina jurídica - algo extremamente favorável aos que usurpam nossos cofres - contribuem para a impunidade reinante. Basta ver quantos dos atuais parlamentares estão respondendo a processos, ou já responderam, ou ainda, que foram denunciados em esquemas espúrios. Infelizmente, para quem tem condição de pagar um bom advogado, não há Lei. Pode ter vídeo, gravação, documento assinado, nada consegue alcançá-los. O instituto da imunidade parlamentar já deveria ter sido sepultado há anos.

Alonguei-me um tanto neste ensaio, mas aguardo ansiosamente seu posicionamento. E digo mais, não cessarei a cobrança enquanto não obtiver uma resposta oficial, e recomendo aos demais que me leem, a fazerem o mesmo.


Desde já, agradeço sua atenção.


Afonso Vieira

Ps. Enviei esta mensagem para todos os senadores e deputados do meu estado, ao menos para os que consegui o correio eletrônico. Exceção a apenas um deles, que não tem esta informação disponível em nenhum site, nem no twitter, facebook ou orkut (Edson Giroto), e um outro que seu correio, ainda como deputado estadual, retornou o e-mail (Reinaldo Azambuja). Eu, se fosse o leitor, faria o mesmo com seu candidato, agora!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Rabugices


Há pouco mais de um ano escrevi um texto intitulado A consciência individual, nele explanava meus pensamentos sobre o excesso do politicamente correto que vêm nos cercando. Pelo visto a coisa continua piorando, e pessoas iguais a mim, tendem a se fechar ainda mais ante a imbecilidade reinante.

Sempre disse que o único valor absoluto em que acredito é a Lei, enquanto estiver em vigor. Mas não nutro bons sentimentos para qualquer forma de cerceamento de pensamento, mesmo os que são considerados preconceituosos. Explico-me: livros, textos e comentários expostos – mesmo ofensivos -, devem ser preservados. Servirão de exemplo da estupidez e da falta de racionalidade dos autores, quando assim forem interpretados. Para os excessos comprovados, apliquem-se as punições das leis.

“A cada absurdo dito em público ou em reuniões, escrito na literatura e bem acolhido ou, pelo menos, não refutado, não devemos nos desesperar e crer que valerá para sempre, mas sim nos consolar, sabendo que mais tarde será gradativamente ruminado, elucidado, pensado, ponderado, discutido e, em muitos casos, por fim julgado corretamente.”¹

Eu não quero mudar o meu ser – e não vou – por causa de meia dúzia de demagogos que adoram jogar para a plateia. Minha chatice contumaz eu reconheço, nem por isso vou ser hipócrita fingindo ser outra pessoa. Talvez por saber da minha arrogância é que tenho evitado certas reuniões e ajuntamentos de quem sei não suportar. Jamais deixarei de expressar minha opinião porque isso pode ferir o ego de outrem, para o bem ou para o mal – seja lá o que isso signifique para cada um -, continuarei sincero e defendendo minhas ideias.

Já tem um certo tempo que estava pensando nesta crônica, e por acaso andei lendo alguns autores com quem me identifico, que só reforçaram minha posição. Particularmente, não escrevo com intuito de reconhecimento, de ganhar dinheiro ou algo que o valha. Faço isto porque gosto do exercício, faz-me refletir e a aprender. Talvez ai é que esteja a diferença entre autênticos individualistas e a massa ignara. Não possuo grande estatura intelectual ou literária, e provavelmente nunca a terei como almejo, isto é apenas um simples hobby, um aperfeiçoamento do que sou no dia a dia, refletido em textos.

“Todo ser humano seleto aspirará instintivamente ao seu castelo e retiro onde é resgatado da multidão, dos muitos, da maioria, onde, como exceção, possa ele esquecer a regra ‘homem’.” ²

Uma idiota andou escrevendo baboseiras preconceituosas devido ao resultado da eleição; uma demente quis censurar um livro de Monteiro Lobato; há um ministério para igualdade racial que pensa somente em uma minoria; há um patrulhamento infernal por qualquer tema que se refira a judeus; et caterva.

E segue nossa sociedade, aos trancos e barrancos, com todos seus podres, defeitos e imperfeições. Enxergo hoje, que é justamente por causa de todas essas faculdades que nos tornamos tão belos em nossa individualidade. Querer inibir a ausência de primor do ser humano corresponde a trancafiá-lo dentro da própria mente – isto pode ser torturante!

Já decidi que nasci para a solidão, ainda que por vezes me veja tentado a ir contra minha natureza, sempre quebro a cara. Por melhor que sejam minhas parceiras, meus defeitos suplantam qualquer racionalidade ou sentimento mais duradouro. Talvez daí advenha minha identificação com Schopenhauer e Nietzsche, e alguns contemporâneos de menor expressão.

Nunca possuí a menor admiração a procedimentos utópicos ou autoritários, mas se imbecis pululam dentro a raça pensante em uma quantidade infinitamente superior aos de massa encefálica relevante, que se esbaldem na patuleia desvairada. Mas que não tentem cercear-nos em nossa rabugice, nossos devaneios e nossa forma eremita de viver.

¹ Arthur Schopenhauer

² Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Emburrecimento eleitoral


Estamos nos aproximando para o fim do pleito eleitoral de 2010. A cada eleição que presencio, verifico quão medíocres e ignorantes se tornam as pessoas por ocasião das campanhas, incluam-se nessa leva todos os candidatos.

O que me instou a escrever esta crônica foi um e-mail recebido de uma amiga, onde consta uma suposta carta de Pedro Bial pregando o voto em Dilma Roussef. Até ai nada demais, o problema foram as respostas, como a mensagem foi enviada abertamente para uma grande lista, alguns começaram a responder para “todos” colocando suas posições.

Não há nada mais estúpido que alguém que se ache melhor que os demais, portando-se como senhor da razão. Oras, tem que ser muito biltre para querer dizer que entre José Serra e sua concorrente há muita diferença, não, não há! Infelizmente estamos diante de dois candidatos desenvolvimentistas, populistas e de centro esquerda. Suas divergências nas propostas são mínimas. Em meu entendimento, a única diferença relevante é no quesito das liberdades individuais, e é ai que está o X da questão, e eu já abordei o tema em artigo recente.

Ambos possuem inúmeras denúncias que os desabonam como entes públicos, ambos têm um passado na luta contra a ditadura militar, ambos mentem quando dizem ter lutado pela democracia. Está certo que Serra era da ala moderada, mas nenhum marxista luta/lutou pela liberdade. Aliás, socialismo e liberdade são coisas excludentes! Querer dizer o contrário é jogar na lama toda a história do século XX, distorcendo o que de fato ocorreu. Dirão alguns que as idéias de Karl Marx nunca foram colocadas em prática, que foram distorcidas, isso é balela. Todo planejamento ou ideia, quando de sua aplicação, necessita de adaptações e correções. A coletivização só funciona se for imposta suprimindo a individualidade e a liberdade, na forma de regimes autoritários e fazendo lavagem cerebral de seus seguidores.

E parece exatamente isto que acontece com militontos nas eleições. Seus candidatos passam a ser onipotentes, onipresentes, imunes a críticas, verdadeiros deuses. Vira briga de torcida, às favas com a razão! Ao invés de debatermos projetos e soluções para os gargalos da nação, ficamos vendo quem é o “menos pior”, qual sua religião, sua sexualidade; sua capacidade gerencial e seu projeto para o Brasil são relegados a segundo plano.

Somente numa nação atrasada e ignorante que temas como a privatização e o aborto são coisas que denigrem alguém ao ponto de comprometer o voto. Oras, aborto já se tornou uma questão de saúde pública há anos, e a grosso modo, já está “legalizado” há tempos. Quanto às privatizações, somente um energúmeno incompetente é que tem medo delas, a propósito, exemplos de que elas foram muito mais benéficas do que ruins pululam por todos os cantos - a própria internet e nossos celulares o são.

O governo Lula, demagogicamente critica as privatizações, mas também as fez, mudou apenas o nome para parceria público privada. O tal do pré-sal já está todo licitado, prontinho para ser explorado pelos “donos do capital”.

Prometem-se universidades, mas se esquecem que nosso calcanhar de Aquiles é justamente o ensino fundamental e médio. Nem professores decentes possuímos, para que mais prédios formando pessoas que nunca leram um livro, que não conseguem nem interpretar um simples texto? Universidade pública e gratuita para ricos? São nossas contradições, permeadas a discursos demagógicos.

Qualquer gestor capaz sabe que o país necessita de reformas estruturais urgentes, como a política e da previdência, mas ninguém as fez até o presente, e provavelmente ainda não farão tão cedo.

Lula está saindo, com aprovação recorde e jogando no ralo todas as instituições democráticas a cada palavra que profere. O país está melhor do que há dez anos? Sim está, mas poderia estar muito mais. Economia não é uma ciência exata, mas existem medidas que parecem, ou deveriam ser, óbvias.

Eu não torço contra o país, seja quem for o vencedor, rogo votos que seja melhor do que o atual governante – o que não é difícil de conseguir, diga-se -, mas não dá para relevar o histórico de cada um.

O próximo Presidente terá muitos desafios, terá que consertar todo o estrago até agora feito, terá que enxugar a máquina pública, chutando os comissionados – incompetentes por natureza -, acabar com o paternalismo, resgatar a ética do cargo, o respeito ao erário e estimular a liberdade, a transparência e respeitar a independência dos poderes.

Muitos dizem que a democracia só é plena com a alternância do poder. Infelizmente, mesmo que Serra seja eleito – o que é pouco provável -, não vislumbro tanta “alternância” assim. Mas, como já declarei anteriormente, será um voto de nariz tapado, engolindo sapos e torcendo para estar enganado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dream on brothers

Chega de política um pouco, já encheu esta campanha. Up the Irons!

Spend your days full of emptiness
Spend your years full of loneliness
Wasting love, in a desperate caress
Rolling shadows of nights


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um voto de nariz tapado


Em 2006, por ocasião da disputa eleitoral para presidente, o articulista da revista Veja, Diogo Mairnardi, declarou seu voto no tucano Geraldo Alckmin. Em seu texto elencava seus motivos, e dizia que votaria de “nariz tapado”. Pois bem, este que vos escreve vem agora declarar o voto em José Serra, e que também será de nariz tapado.

Em um ensaio recente, disse que não nutro a menor simpatia pelo tucano. Oras, como defender alguém que vai ampliar o bolsa família até um 13º salário? Que de cara sai prometendo um salário mínimo de R$ 600,00? Que demagogicamente flerta com um populismo barato? Não dá! Por isso tudo e mais outros atributos, recusei-me em votar no cepalista careca no primeiro turno. Anulei meu voto.

Sempre deixei claro minha posição quanto ao governo Lula, faço parte dos 4% da população – segundo pesquisas, você ainda acredita nelas? - que não se deslumbrou com o reinado do molusco. Portanto, Dilma não é, nunca foi e nem vai ser uma opção viável.

Para nós, libertários, não há nada mais caro que nossa liberdade. E é nessa ótica que defendo o voto em Mrs Burns, visando evitar um “mal maior”. Afinal, o PSDB, até o presente, nunca flertou com o totalitarismo - tirando algumas declarações desconexas e um ou outro chororó - não há nada que os desabone nessa questão.

Já o PT – que vai dar as cartas no governo Dilma -, conforme palavras do stalinista Josef Dirceu, sempre defendeu genocidas e supressores da liberdade. O Ministro da Propaganda do governo atual, Franklin Martins, está neste exato momento estudando formas de “controle” da mídia, ou seja, pelo o histórico de quem pleiteia: censura! O Ministro Marco Aurélio Garcia, um dos últimos comunossauros clássicos do país, é nada mais nada menos que um dos coordenadores da campanha dilmista. É o mesmo cidadão que tece loas a Fidel Castro e se recusa a comentar as violações a direitos humanos mundo afora por países próximos ideologicamente ao PT.

Já a candidata, que se vangloria de ter “lutado pela liberdade”, mente descaradamente! Ela, juntamente com os supramencionados, lutavam para implantar um regime de terror da chamada ditadura do proletariado (estou lendo o livro Sussurros – a vida privada na Rússia de Stalin, e tenho certeza que nunca houve e nem haverá qualquer correlação entre socialismo e liberdade. A propósito, deveria ser leitura obrigatória para esses sacripantas!).

Não vejo o menor problema em se discutir a descriminalização do aborto e a união civil dos casais homossexuais, a propósito, sou favorável a ambos. O que me irrita profundamente é a hipocrisia e o oportunismo eleitoral, e, justiça seja feita, ambos estão demagogicamente exagerando na dose. Fundamentalismo religioso é uma das causas do atraso da humanidade.

Ao que tudo indica – conforme eu já havia antecipado - a disputa vai ser acirradíssima. Não dá para prever o desfecho final. Eu, como defensor incansável das liberdades individuais, serei obrigado a tapar o nariz, apertar o 45 e confirmar.

Sad but true

Ps. Se Dilma perder, será muito mais pela própria imagem, que agora começa a aparecer realmente o que é, do que qualquer atributo de Serra.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Segundo turno, uma outra eleição


Como eu havia previsto, teremos segundo turno na eleição para presidente, até mesmos os percentuais foram bem próximos do que eu chutei. A onda verde frustrou os planos petistas. Agora é outra guerra, outra campanha, outra eleição.

É sabido pelos que me cercam que não nutro a menor simpatia para com José Serra, mas sei reconhecer que ele é infinitamente superior à sua adversária, em praticamente todos os quesitos.

Cabe também ressaltar, que ao que tudo indica, os fatos que minaram a campanha petista, são coisas que justamente não me afetam em nada, pelo contrário, sou favorável ao debate do casamento homossexual e à descriminalização do aborto. São questões que enxergo que devem ser colocadas em pauta longe de paixões e fundamentalismos irracionais.

Sempre achei que esta seria a eleição mais acirrada dos últimos tempos. E continuo achando isso, com a eleição em primeiro turno - nos dois maiores colégios eleitorais - de tucanos, e se Serra não for traído pelos pares, o jogo tende a ter uma guinada radical. No centro-sul, a tendência é que os PSDBistas cresçam. É claro que não podem cometer os mesmos erros de Alckmin em 2006. Vejo ainda que a estratégia de campanha deva ser revista, pois o candidato da oposição se perdeu escandalosamente no discurso neste pleito, foi no mínimo populista e demagogo, para não dizer, hipócrita.

O eleitor brasileiro não liga muito para ideologia, não em sua maioria, porém, ainda é bastante conservador em suas análises. Em meu estado, MS, a rejeição ao candidato petista - o ex-governador Zeca do PT - é tamanha, que muitos detestam o atual chefe do executivo, mas não arriscaram anular o voto; uma das eleitoras que fizeram isso foi a senhora que estava à minha frente na fila de votação. Eu, como já havia alardeado aos quatro cantos, anulei.

A onda verde agora será “azul e verde”, numa mistura das cores adotadas informalmente pelas campanhas do PV e PSDB. Dilma continua sendo favorita, possui a máquina do Estado a seu favor e uma infinidade de militontos dispostos a vender a alma em sua defesa. Mas a batalha será campal e extremamente difícil, arrisco dizer que não há nada definido.

Logo pela manhã já ouvi comentários de companheiros de trabalho que, apesar de terem anulado no primeiro turno, reverão suas posições, tudo para não deixar “essa mulher” – palavras eles – adentrar ao poder. Veremos! Eu, por princípios, tendo anular, mas quem sabe posso rever meus conceitos visando evitar um “mal maior”.

Até o dia 31 de outubro, nos vemos nas urnas!

Ps. 31 de outubro é o dia das bruxas, muito cuidado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Assassinem os políticos *



Afonso Vieira

Preparem suas foices, facas, revólveres, pedras, balaústres ou qualquer instrumento que possa ser utilizado como uma arma. Estou declarando aberta a campanha "Assassinem os Políticos".

Exatamente isso, leitor: conclamo a todas as pessoas de bem - que ainda possuem vergonha na cara e prezam pela ética e moral - a angariarem o maior número de adeptos para que levemos à execução da conspiração. Não se esqueça que você é um dos maiores culpados por eles estarem no poder; afinal, você de certa forma os elegeu.

Pegue todo seu ódio guardado; recorde-se das milhares de pessoas mortas todos os anos em decorrência do descaso das autoridades, daquele senhor morto na frente da câmera de tv em um estabelecimento de saúde; lembre-se que tem que trabalhar todos os dias por mais de trinta anos, ganhando um salário muitas vezes pífio e só depois conseguir se aposentar – isso sendo obrigado a ver verdadeiros néscios eleitos com uma mão na frente e outra atrás, que em poucos anos se tornam fenômenos das finanças pessoais; nutra suas forças com o escárnio; fixe-se em todas as pessoas prejudicadas pelas obras inacabadas, superfaturadas e inexistentes; não deixe de lembrar dos sanguessugas, mensalão, painel do congresso, anões do orçamento; e jamais se esqueça de que a conta de toda essa tragédia quem paga é você!

Comece a elaborar seu plano, estude as táticas que melhor encontrar para degolar o político. Prepare sua bomba caseira - se possível até atômica - vamos exterminar essa raça! Peça colaboração e até mesmo recrute cirurgiões para auxiliar na tarefa: ajuda nunca é demais. Estamos em uma guerra para tentar recuperar a moral de nossa política.

Você pode pensar “mas existem políticos bons e honestos”; sim, existem, mas são comuns como uma baleia azul. De sorte que você deve pensar como um militar frio e calculista que pretende vencer uma guerra: são baixas de combate – entram simplesmente nas estatísticas. Eximo automaticamente das conseqüências desta campanha o Senador Jefferson Peres, que do alto de sua honra - até o presente inatacável - já anunciou que vai se afastar do antro que se tornou nosso Senado.

Pense bem, escolha seu alvo, não se esqueça que vamos mirar todos os políticos da legislatura atual, sem exceção: do mais ridículo vereador ao supremo mandatário da nação.

Deixe de lado as paixões partidárias e ideológicas, o assunto é sério e visa o bem maior que é o país como um todo. Sei que é difícil para os doutrinados aceitarem a mudança, mas é só forçar um pouquinho e buscar o mínimo de inteligência que perceberá que essas mortes se fazem necessárias.

Busque todos os meios auxiliares possíveis: guilhotinas, trituradores, metralhadoras, tanques, aviões, helicópteros, fuzis e o que mais encontrar. Mire de forma que não erre - a precisão tem que ser cirúrgica; depois de mortos ainda temos que cremá-los e jogar suas cinzas ao mar, para que não reste a menor lembrança de seus feitos e atrocidades.

Todos preparados? Estão prontos? Vamos às vias de fato!

Municiem-se de seus títulos de eleitor na próxima eleição e não reelejam um único político, assassinem politicamente quem não merece seu voto. A renovação se faz necessária - pior do que está, garanto que não ficará.

Ps. Se depois de tudo isso ainda não houver solução ou melhora, releiam o texto, ignorem o último parágrafo e mãos à obra.

*Publicado originalmente em 24/07/2007, tirando a morte de Jeferson Peres, continua atual ;)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pelo direito de não votar *



Começo o presente ensaio com a pergunta: alguém sente prazer em votar? Se sente, não coaduna com minha opinião e de diversas pessoas com quem compartilho idéias diariamente.

Já escrevi alguns textos sobre o péssimo nível de nossos representantes, com o acirramento das campanhas eleitorais, só reforça a tese de que estamos muito mal assistidos neste quesito.

Será que tais postulantes a cargos eletivos ao menos se inteiram das leis existentes, antes de soltarem as diatribes diárias? Pelo visto, não! O pior ainda é ouvir alguns supostos letrados – com formação superior, às vezes até duas ou mais faculdades e especializações – citando suas prioridades, perdem-se em seus raciocínios e acabam colocando tudo em um mesmo patamar. Quando indagados quanto aos recursos, um deletério muito comum utilizado é: “o fulano, que é do meu partido, já garantiu a verba/apoio”.Volto a enfatizar, o conhecimento de Lei de Responsabilidade Fiscal parece ser zero!

Que democracia é esta em que sou obrigado a votar? O descontentamento com a classe política é tamanho que já se constata um elevado índice de jovens que deixaram de tirar o título. A tendência de nulos e brancos deve aumentar.

Estamos sendo obrigados a fazer algo torturante. Tenho arrepios ao ver o horário eleitoral e saber que uma parcela significativa dos candidatos são professores; deve ser por isso que nosso ensino anda em nível tão deplorável. Essa constatação só reforça a pesquisa recente, sobre doutrinação em salas de aula, ao contrário do conteúdo programático.

Candidatos a reeleição - outrora a pior alternativa - despontam como os “menos piores” em meio a adversários totalmente despreparados. Sinceramente, não há nada que me convença que votar é algo bom, ou exemplo de cidadania como a demagógica propaganda da justiça eleitoral propõe. Não me alinho a nenhum partido, não me sinto representado por nenhum candidato; face a isto, já fui até taxado de anarquista - coisa que nunca fui e nem serei. Defendo o estado democrático de direito, suas leis e instituições – que infelizmente estão desmoralizadas.

As democracias mais sólidas, justamente nos países mais desenvolvidos, facultam o voto. Países com tradições autoritárias obrigam o voto. Em meio ao demagógico jogo eleitoral, ficam os cidadãos comuns - totalmente descontentes – sendo obrigados a escolher entre tantos biltres e analfabetos funcionais, quando não corruptos consagrados.

Voto sim, no direito de não votar. Pelo direito de não ser conivente com essa balburdia. Tenho consciência política, estudo o assunto diariamente, acompanho os atos de nossos representantes, e face a isto, só reforça minha antipatia. Pela liberdade e não obrigatoriedade; enquanto isso, só nos resta o nulo.

*Publicado originalmente em 17/08/2008, e continua atual :(

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Formadores de opinião?


Sou um eterno apaixonado pela visão crítica, talvez daí venha minha admiração à obra de Arthur Schopenhauer, em minha modesta opinião, um dos maiores filósofos de todos os tempos. Pois bem, fico matutando diariamente sobre a qualidade dos formadores de opinião da atualidade, sua profundidade intelectual e reais motivos que movem suas divagações.

Antes que discorra sobre o assunto, quero deixar claro, não existe imparcialidade nem isenção jornalística, isso é utopia e, pelo que leio a respeito, só é citada quando convém a outrem. Bom ressaltar também que o que pode existir é independência editorial.

A guerra da informação nos nutre de uma infinidade de posições e versões. Muitos alegam estar a serviço da população, da verdade, da ética e outras desculpas mais. Mas de fato, sempre há um interesse por trás – algo mais -, pode ser financeiro, moral, pessoal ou para reconhecimento próprio. Mas sempre há um motivo maior.

Eu, particularmente, nutro bastante simpatia para os que tomam posições, mesmo que antagônicas às minhas, mas que são bem definidas e transparentes. Oras, isso é honestidade intelectual, defender aquilo que acredita explicitamente, dando nome aos bois, sem o politicamente correto “em cima do muro”.

Nos EUA – sempre eles – os grandes veículos da imprensa são claramente republicanos ou democratas, não precisam de subterfúgios para alegar suas preferências políticas.

Blogueiros e colunistas, supostos formadores da opinião alheia, sempre estarão defendendo algo. Eu, por exemplo, tenho uma ótica libertária das coisas, crítica e cética, não suporto hipocrisia. Discorro sobre variados assuntos, mas meus preferidos são a filosofia e a política. Ainda não possuo uma estatura intelectual como desejo, mas me esforço para alcançá-la.

No ramo da notícia, existem os que trabalham a soldo. Uns chapas brancas, outros se comportam como a noiva traída. Foram chutados por incompetência, corrupção ou por conveniência, daí saem metralhando a tudo e a todos, posando de paladinos da moral, coisa que nunca o foram. Os verdadeiros jabazeiros, normalmente são os que vomitam suposta probidade e ética, mas na primeira oportunidade sucumbem a gracejos monetários, vendendo a própria “opinião”. Basta uma leitura mais atenta e crítica para identificá-los. Infelizmente, com o padrão da interpretação de texto da maioria da população, esses salafrários possuem audiência e “credibilidade” para muitos. É de bom alvitre lembrar que a profundidade intelectual desses néscios, é a de um pires.

Sêneca escreveu, “qualquer um prefere crer do que julgar por si mesmo”. Schopenhauer definiu, “os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros, mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e promotores da espécie humana são aqueles que as leram diretamente no livro do mundo”. Infelizmente, quem consegue pensar com a própria mente, é exceção entre as exceções.

Diante de uma massa acéfala e uma infindável gama de energúmenos “escritores” de ocasião. Temos uma opinião manipulada, recheada de tendências escusas e formada por biltres oportunistas. Na ditadura da maioria, vivemos, somos tolerados e tolerantes. Enxergando de camarote a “vida como ela é”, com todos seus defeitos e qualidades, suportando uma grande mediocridade. Greetings!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A sangria de um Estado



Afonso Vieira

Estamos na reta final das eleições para Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados, eis que surgem de todos os rincões do Brasil denúncias de corrupção envolvendo “n” pessoas, dos mais variados escalões, sejam municipais, estaduais e federais. Essa praga que grassa o Estado, chamada corrupção, é tão antiga quanto a própria humanidade.

Há muito tempo não vejo um cenário tão desalentador para os cargos eletivos. Dos potenciais eleitos, nenhum merece o menor respeito. Seja pela biografia, seja pela inaptidão; quando vamos analisar o discurso de cada um, fica ainda pior. A contradição, o cinismo e falta de escrúpulos sobrepõem qualquer argumento.

Ao contrário da maioria – que via de regra é burra! -, não quero e nem sinto a menor vontade de ter nada relacionado ao atual ocupante do Planalto. Para mim, destruir valores éticos e morais, denegrir instituições e mentir em cadeia nacional são atribuições de crápulas. E a escola de nossos políticos é das melhores, sem exceção de partidos.

Não se menospreza nem se denigre instituições, mesmo que estejam abarrotadas de uma escória incompetente e corrupta - como nosso legislativo, judiciário e executivo -, afinal, pessoas passam, as instituições permanecem e nelas seus legados e padrões.

Muito me espanta os ataques à imprensa de supostos democratas, oras, uma sociedade só é livre quando se é possível emitir opiniões, doa a quem doer. Para os casos de excessos há a Lei, que se provem e punam os culpados, devidamente! O caráter autoritário aflora em todo governante acuado. Para os desprovidos do verdadeiro espírito de liberdade, resta a censura, a perseguição e o suposto “controle social”. Como se a “vontade da maioria” não fosse nada mais que outra forma de ditadura.

Falsos moralistas existem em todos os locais, na grande mídia, na chamada mídia alternativa – que trabalha a soldo do governo, frise-se -, em blogs e jornalecos país afora. Quando são desmascarados, desviam o foco, censuram comentários e inventam milhões de desculpas, todas esfarrapadas! Nem mesmo um vídeo é prova inconteste – eita Brasil!

Fico sempre martelando com meus neurônios sobre o suposto exercício de cidadania que é votar. Oras, sou obrigado, por exemplo, a votar no “menos ladrão”, como é o caso do meu estado. Mesmo tendo inúmeros processos nas costas, mesmo que todos saibam do enriquecimento ilícito, das fazendas, pesqueiros e investimentos diversos e suas meteóricas escaladas na pirâmide social, nunca vão presos. E pior, voltam sempre, como ervas daninhas impossíveis de extirpar.

Quando se fala em voto nulo, aparece uma infinidade de beócios, uns bem intencionados, até mesmo ingênuos; outros, ratos velhos da pior laia. E o discurso é sempre raso e vazio, que só cola para quem tem pouca opinião.

Ainda me restam parcas esperanças, em alguns cargos até vou digitar uns números e tentar mais uma vez, mas para os chefes do executivo, seja estadual ou federal, vai ser 00 e confirme!

sábado, 18 de setembro de 2010

Aos que leem Valfrido Silva

Sempre fui muito crítico nas minhas análises, dificilmente caio em conversa mole deste ou daquele. Já critiquei blogueiro de nível nacional pelo seu tendencionalismo e relativismo moral, tais como: Reinaldo Azevedo, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, inclusive escrevi um texto desmascarando Lauro Jardim, da Veja. Detesto hipocrisia e falsa moral.



Ontem postei um comentário – para o texto Acorda Anita! e chame o Valdecir! - no blog do Valfrido Silva, que para mim, nunca passou de um oportunista barato e pseudo ético. Oras, quem sempre viveu da política, ou foi cúmplice, ou omisso ou um completo mau caráter. Desde que retornei a Dourados me inteiro dos meandros da política local, que sempre foi podre. O articulista em questão descobriu que polemizar dá audiência, solta seus cachorros constantemente contra os que lhe convém. Há quatro dias, em sua megalomania que lhe é peculiar, fez uma autoexaltação, dizendo-se democrático e que seu sitio é isto ou aquilo. Curiosamente, nas conversas em bares e rodas da sociedade local, nunca ouvi um único ser defender essa pessoa, pelo contrário, é tido conforme sempre achei: oportunista. Pois bem, meu comentário foi censurado, não satisfeito, enviei novamente o mesmo texto às 18hs, quando tinha 36 postagens, novamente nada de publicação.



Segue abaixo meu texto, que deveria ter uma resposta, no mínimo, para alguém que quer se dizer ético, probo e defensor dos bons constumes:

"Bom, segundo o próprio blogueiro, Ferrinho é seu amigão de cerveja nos finais de tarde, ou não?

É sabido por quase a totalidade da população deste estado que Londres nunca foi flor que se cheirasse, inclusive, corre na raia miúda que nem é bom mexer nesse vespeiro. Mas é fato também, que não houve o pedido de prisão, está lá, no Midiamax (site comprometido até a tampa com a campanha de Zeca do PT e sua corja de larápios) a cópia do documento emitido pelo TJ negando o veiculado pelo detentor deste espaço. Uma pena, diga-se, pois já era hora de nos vermos livres desse senhor.

Sobre o ódio ao Passaia, também corre nos bastidores da galerinha antenada em notícias, que a dor de cotovelo vem desde que Valfrido foi chutado da campanha do Ari, para que o Tonho Da Lua empossasse o Passaia - não sei a veracidade disso -, mas tendo, pelo histórico que li por aqui, que tem um grade fundo de verdade. Frise-se, ao contrário do que este espaço veicula, dizem que Valfrido foi chutado e não pediu afastamento. Bem como agora, também teria sido chutado da campanha do André, por obra do desafeto Passaia, pelos escritos em seu livro.

Pessoas de boa índole não se metem em política, não fazem conluios e ficam mamando na viúva, ao menos eu não conheço nenhum.

Outra coisa que seria bom veicular aqui. O questionamento da filha do Tetila é bastante pertinente. Seria o blogueiro tão inocente? Valfrido tem as cópias dos contratos e das notas fiscais dos serviços prestados, que teriam sido pagos através de "um carro"? É fato também, que o escrito pelo Passaia sobre as conversas com o blogueiro, batem com o veiculado neste mesmo site. Houve uma época que até uns leitores perguntaram quanto Passaia estava pagando ao Valfrido, pois havia "parado" com a perseguição. Foi por pouco tempo.

Viver de verbas publicitárias é normal no meio da imprensa, só não se pode relativizar quando acusa jornais de se venderem, afinal, não houve por aqui, até o presente, nenhum ataque ao italiano louco. A babação ao Geraldo Resende e Murilo Zauith também impera. Muitas vezes, Valfrido superestima seu blog e adora massagear o próprio ego. Supostamente democrático, censura comentários, meus mesmo já foram dois pro espaço, como não freqüento muito e evito comentar, não me incomoda nem um pouco.

Com já dito, quem se envolve com a política, tende a ser corrompido pelo sistema. E isso é histórico, em todos os governos e ideologias propostas. Maquiavel e Hobbes sempre estiveram certos, alguns raríssimos é que teimam em ser exceção, infelizmente.

A cara de pau, desfaçatez e hipocrisia dos larápios não têm limites. Pior ainda é quem os defende, que os elege e faz campanha. Sempre dou muitas risadas dos petistas, acéfalos por natureza, votariam em um poste se o partido mandasse, e o farão como no caso de Dilma. Tem gente ainda fazendo campanha e defendendo o Dirceu Longhi. Bonatto também continua a pleno vapor. Marcelo Barros afronta nossa inteligência, e por ai vai.

Homo homini lupus"

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Falsos vestais



Mais uma vez a usurpação do erário é escancarada em cadeia nacional. Novamente, membros do executivo e legislativo se promiscuem com nosso suado dinheiro – sim, o dinheiro é nosso!

Não votei, e jamais votaria no Artuzi, mas, sinceramente, essa conversa de que o povo é bom e não merece esses governantes, a meu ver, é pura balela, eles são o reflexo exato de seus eleitores. Está ai, dos 12 vereadores, apenas Délia não foi citada no relatório. Quem diria, a senhora Razuk saiu-se como a reserva moral dessa corja que usurpa o erário diariamente.

Cadeia neles!

Antes que me esqueça, é sempre bom relembrar da Owari e frisar que muita coisa que lá foi descoberta, vinha ainda da administração petista. De nada adianta biltres metidos a letrados escreverem asneiras por ai, nem todos têm a memória curta.

Fico estarrecido é com a desfaçatez e cara-de-pau de militontos, que se fingem indignados somente agora, mas quando o escândalo é contra alguém que lhe é próximo ou que lhe garante a “boquinha”, calam-se em suas demagógicas e estúpidas mediocridades morais.

Blogueiros, articulistas e ensaístas manifestam-se a bel prazer, sempre com mira seletiva e somente quando lhes convêm. Li alguns textos, justamente de pessoas que se calaram quando os escândalos eram contra outras personalidades. Chamo isto de relativismo moral, má-fé ou mau caratismo mesmo, do mais torpe, mais puro.

Longe de mim defender Eleandro Passaia, mas bem ou mal, o jornalista fez um tremendo serviço para a sociedade sul-matogrossense, afinal, se ainda houver justiça e ela valer para algo, a Lei do Ficha Limpa nos livrará desde já, dessa quadrilha.

Conheço pessoalmente alguns dos envolvidos, uns dos bancos escolares, outros de festas e bares. Nenhum nunca me foi muito próximo, sempre a distância era apenas pela conveniência social. Mas é engraçado não me surpreender com nada exposto no relatório da PF que acabei de ler, parece que sempre soube enxergar a verdadeira índole dos que me rodeiam. Tem quem não gosta de ouvir verdades, ou se omite para não se indispor, mas não dá para se calar ante a sacripantas.

Para melhor desenhar meu pensamento, peço a seguinte reflexão, o que esses senhores faziam antes de entrar na política? Trabalhavam onde? Trabalhavam?! Qual cargo gerencial que exerceram? Eram bem sucedidos nas carreiras profissionais que abraçaram?

A reposta pode ser uma grande surpresa para muitos, afinal, considerável parcela dos detidos pela operação da PF só arrumou um jeito de ganhar dinheiro enganando trouxas e otários, que vendem seus votos ou se deixam enganar devido à ignorância crônica.

Para piorar, segundo a pesquisa recentemente divulgada, muitos seriam eleitos para o cargo de deputado estadual.

Lugar de bandido é na cadeia, não na política, independente de partido, ideologia ou nicho social!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Solitária individualidade


Certa vez, Schopenhauer escreveu: O homem só pode ser si mesmo por completo enquanto estiver sozinho; por conseguinte, quem não ama a solidão, não ama a liberdade; pois o homem só é livre quando está sozinho.

As pessoas tendem a ter medo do desconhecido, em sua natureza – via de regra – reina o comodismo. Conhecer a si próprio, profunda e intensamente é um exercício para poucos, e mesmo assim, só gera prazer em ínfimos libertários. É muito mais fácil crer que o senso comum ou os prazeres imediatistas devam ser o norte imposto a tudo e a todos.

Ainda dentro da ótica reinante, quem chega a certa idade sem filhos e sem casar, tem alguma “anomalia”. Desprezam completamente o conceito de indivíduo para satisfazer dogmas sociais. Jamais raciocinam que o que é tormento para uns, é uma dádiva para outros.

Quanto mais filosóficos nos tornamos, também passamos a ser menos tolerantes com certas atitudes e aumentamos nosso grau de repúdio ao convívio medíocre da vida social. Gostar da solidão não quer dizer que resulte em isolamento do mundo, abstinência sexual ou ausência de uma vida a dois. Pensar dessa forma só comprova a imaturidade em se tratar do assunto ora exposto.

Li recentemente, no excelente Os cadernos de dom Rigoberto, de Mario Vargas Llosa, uma frase que de imediato me chamou a atenção:

“Um coletivo não pode organizar-se para alcançar nenhuma forma de perfeição sem destruir a liberdade de muitos, sem levar de roldão as belas diferenças individuais em nome dos pavorosos denominadores comuns.”

É exatamente nessa ótica que caminhamos como sociedade, na imbecilização coletiva em detrimento das diferenças individuais. A magia em descobrir a cada momento algo inimaginável, em encontrar novos horizontes e pensamentos divergentes, parece sucumbir a cada minuto que se passa.

O prazer em encontrar uma mente como a de Holden Caulfield, que em sua chatice absoluta protagonizou O apanhador no campo de centeio, ou em ler um cronista ácido que se recusa a remar conforme a maré, tende a ser coisa do passado. Tudo em nome do politicamente correto, da mediocridade da maioria.

Parece incrível que exatamente na era do conhecimento, o raciocínio crítico tenha perdido tanto espaço. Temos que ler somente Best Sellers, comprar carros porque é o que todos almejam; somos obrigados a aceitar néscios corruptos porque 80% da população assim definiu. Definitivamente, agradeço todos os dias por não fazer parte dessa manada.

Para nos brindarmos contra a récua que nos cerca, só resta sermos cada vez mais reservados, mais críticos e exercitar nossa liberdade, afinal, todas as personalidades realmente relevantes em nossa história, o foram, justamente pelas suas diferenças, que os diferenciavam e destacavam do coletivo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Beira Mar ou Marcola?


A cada eleição nos deparamos com as aberrações postulantes aos cargos eletivos. Todos os dias somos bombardeados pela massa de energúmenos saltitantes atrás de votos. Dentro desse balaio de gatos, alguns insistem na tese de votar no “menos pior”. Oras, e se eu não concordar com essa ótica, tenho que votar de nariz tapado?

Deixo claro desde já, que sim, tenho um ou outro candidato já definido, mas me recuso a aceitar que tenha que escolher entre os três principais protagonistas ao Planalto em um eventual segundo turno – se é que vai ter . . .

A fantoche do presidente, alguém sem preparo e desprovida de opinião própria, Dilma Rousseff, é algo completamente intragável para alguém que defende princípios básicos de ética e moral. Que sempre primou pelo império da Lei e da meritocracia. Seu principal defeito ainda consegue ser mais alarmante, chama-se Marco Aurélio Garcia, hoje seu mentor “intelectual”. Sabe como é, alguém capaz de idealizar um plano retrógrado e autoritário como o primeiro programa de governo do PT apresentado na justiça eleitoral nesta eleição, boa pessoa não é. Basta dizer que MAG é o mesmo que abraça ditadores e até hoje propaga um antiamericanismo chinfrim, sem a menor razão de ser. Pior ainda é o discurso da candidata de que assinou sem ler – como é que quer ser governante?

José Serra novamente troca os pés pelas mãos, recordo-me da eleição de 2002, onde o tucano iniciou com a simpatia de considerável parcela, e conseguiu espantar muitos dos prováveis eleitores, inclusive deste escriba. Como bom cepalista que é, solta asneiras dignas do mais atrasado esquerdista – e tem biltre que crê piamente que esse senhor é de direita, nos poupem! A autonomia do Banco Central, por exemplo, é algo a ser preservada a qualquer custo, nem mesmo Lula cogitou em mexer nesse paradigma. Mas Mrs Burns dá claros exemplos de ser contrário a esta medida, por ele, a autonomia não mais existiria – assim como sempre foi pregado pela ala radical do PT. Os tucanos passaram oito anos criticando o bolsa família, apelidando-o do que efetivamente é: bolsa esmola. Novamente o careca aparece defendendo sua expansão. Eu costumo honrar minha palavra, ela vale mais que qualquer assinatura, o que dizer de um cidadão que registra em cartório uma promessa a descumpre dois anos depois?

Marina Silva é a romântica ecochata, a queridinha dos jovens – como estupidez combina com juventude -, nunca gerenciou uma cadeira sequer. Criacionista que é, já andou perdendo votos da ala cor de rosa dos eleitores. Também é completamente desprovida de ideias e capacidade gerencial. Seus maiores “méritos” são: ser defensora dos povos das florestas, exaltar um discurso de coitadismo e demonstrar inaptidão ao que pleiteia.

Como é que vou conseguir votar em um dos supracitados? Tenho inúmeros motivos para desclassificá-los, os acima são apenas alguns pouquíssimos entre uma gama enorme, que incluem casos bem mais enfadonhos, como corrupção. Aos persistentes que querem nos obrigar a votar no “menos pior”, pergunto, e se tivéssemos que escolher entre Fernandinho Beira Mar e o Marcola? Qual é o “menos pior”? Ah, dirão que é uma comparação descabida, não, não é! Lembro que um traficante faz mal à sociedade, mas é a um nicho restrito, um mau governante faz mal a toda uma nação em uma canetada. Para citar um caso, o atual governo desmoronou todas as esperanças de probidade e moralização da política; tudo que sempre criticou, fez, e fez pior!

E os defensores dessa corja? Ah, eles se portam – todos – da mesma maneira: o discurso é válido, desde que angarie votos. Às favas com os escrúpulos!

Ps. Em primeiro turno, até o presente, votarei em Mario de Oliveira, suas propostas condizem com muito do que defendo e prego. Já no segundo tempo do jogo, pelo que indica, sou nulo!

terça-feira, 27 de julho de 2010

A qualidade de nossa leitura


Há tempos vivemos numa época de ostracismo intelectual. Os títulos de livros que fazem maior sucesso entre leitores, nada mais são que obras de cunho duvidoso – salvo raríssimas exceções. De nada adianta a leitura se o entendimento e capacidade de estimular a imaginação forem irrisórios.

Na semana passada li uma reportagem que dizia que a vendas dos chamados e-books superaram a dos livros convencionais, mas - cabe ressaltar - que a comercialização dos livros de capa dura também continua a crescer. Os dados são de um dos maiores sites do gênero no mundo, da Amazon.com.

Nesta semana assisti uma reportagem – no Bom dia Brasil - sobre o crescimento de livrarias em nosso país, mais um dado a ser comemorado pelos ávidos por conhecimento.

Em uma pesquisa recente, encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, diz que 46% da população brasileira costumam ler jornais. Ai é que se encontra o nó da questão. Atente-se também para a origem desse “estudo”.

O fato de quase metade da população declarar “ler jornais” não quer dizer muita coisa, haja vista que de nada adianta ler e não entender, ou ler somente o que lhes interessa, de forma míope e superficial. Quanto ao crescimento da leitura de livros e de novas bibliotecas, sei perfeitamente do calvário que é estimular isso, afinal, também sou educador.

Não custa dizer que os livros mais vendidos, via de regra, não são perfeitos exemplos de excelência, ao menos os atuais. Quantidade não é qualidade! Mas, em contrapartida, não me preocupo muito com títulos destinados ao público infanto-juvenil. Oras, é melhor que eles leiam Paulo Coelho e a saga dos vampiros da moda, à nada! Lembrando que, apesar de nunca ter lido nada do mais famoso escritor brasileiro da atualidade, cresci e estudei com uma geração onde a leitura de O alquimista era algo quase obrigatório, nem por isso deixamos de ter produzido excelentes profissionais, nas mais diversas áreas.

Não li, nem pretendo ler O segredo, por exemplo. Quando o livro era febre entre meus companheiros de docência, eu já o denegria em meus pensamentos, “autoajuda chinfrim”, pensava com meus botões. Peguei preconceito contra o autor Irvin D. Yalom, justamente pela febre que foi seu livro de estréia, que li e não gostei. Jornais e revistas são coisas obrigatórias, mesmo dentre as mais duvidosas das publicações, pode-se ter certeza que conseguimos extrair algo para estimular nosso senso crítico.

Leio diversos blogs, diariamente, com o tempo aprendemos a selecioná-los de forma correta. Há oportunidade de se encontrar muito escritor culto, que nos transmitem coisas muito além da mediocridade convencional, inclusive indicações à publicações estrangeiras e obras que jamais sonharíamos em ver na lista dos “mais vendidos” da Revista Veja. Mas - como forma oposta - também temos muitos jabazeiros posando de paladinos da ética e da moral, pseudos intelectuais, com audiência elevada na rede.

Curiosamente, há uma massa de energúmenos que pulula na internet, achando que o fato de frequentarem blogs e fóruns, tecendo comentários dos mais variados assuntos – com a profundidade de um pires -, é sinônimo de intelectualidade e cultura. Pessoas que há tempos leem apenas um autor, acreditam em uma única verdade e não possuem o menor senso crítico, pelo menos para enxergar sua infinidade de defeitos.

Caminhamos, aos poucos, para uma melhora no nível cultural. Os aumentos citados acima, ainda que contestáveis, devem ser exaltados. Até mesmo uma revista em quadrinhos é melhor do que a não leitura, afinal, é para frente que se anda!

"Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por idéias" – Mario Vargas Llosa

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia Internacional da Amizade **



Afonso Vieira
Amizade, este deve ser o sentimento mais louvável e verdadeiro do ser vivo. O estabelecimento de um dia específico para comemorar algo que manifestamos diariamente é mera formalidade para a exaltação.

Não há sentimento maior de afeto; os amigos podem ser pais, irmãos, a pessoa amada, parceiros do trabalho e pessoas do círculo social. Entretanto, só se torna merecedor da alcunha alguém digno da confiança depositada, "um irmão pode ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão."

Você já parou para pensar que existem pessoas que mesmo distantes não nos saem da cabeça? É algo inexplicável, queremos o bem desses seres sem importar quando e onde. Seja em Buenos Aires, Nova Zelândia, San Diego, Japão ou até mesmo em Marte. O sentimento transcende a lógica da razão - por mais que possam ocorrer divergências, o vínculo afetivo supera qualquer impasse.
O verdadeiro amigo não precisa nos provar nada, o simples fato de existir já é a nossa maior recompensa. É aquela pessoa que aguardamos que nos incomode, que nos ligue na madrugada em pleno inverno, que mesmo embriagada consegue nos alegrar pelo simples fato de nos procurar.

Na convivência diária, até os defeitos mais irritantes fazem falta na ausência. É a pessoa acima do bem e do mal, aquela que pode ser uma péssima referência para os outros, mas o que importa é o que é para nós. Com todos os defeitos possíveis, o amigo ainda terá mais qualidade que um mártir da virtude.

O verdadeiro amigo pode ficar por anos desaparecido, coisa que meia dúzia de palavras e um simples abraço superam como se nunca tivesse se ausentado.

É aquela pessoa que podemos contar a qualquer hora do dia ou da noite, que nunca nos negará o ombro na alegria ou na tristeza. O verdadeiro amigo não precisa ter vínculo de sangue, basta o vínculo da confiabilidade.

Os melhores amigos são os irmãos que a vida nos dá, são nossos cúmplices e confidentes de todos os momentos. A amizade é superior à materialidade. Criamos laços mesmo por trás de uma tela de computador. Aprendemos a confiar em pessoas que não vemos ou sequer conhecemos pessoalmente, sem que isso abale de forma alguma o sentimento.

A vida nos brinda com momentos e pessoas que devem ser aproveitados e preservados. A minha me proporcionou uma quantidade considerável de verdadeiros amigos, tanto como familiares quanto não - pessoas com que convivi e convivo. Ter este dia para exaltá-los é mero rito formal para comemorar o que é cultivado todos os dias, o sentimento de amor pelo que de melhor minha breve existência me apresentou.

Bom seria se todas as pessoas preservassem as amizades, honrassem este sentimento tão nobre e praticassem a tolerância e compreensão - coisas que só aprendemos no exercício da afeição.

Feliz dia internacional da amizade!

*Publicado em O Jornal, 20 de julho de 2007.

**Não tive tempo de escrever nada este ano, portanto, republico este texto publicado originalmente em 20/07/2007

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia Mundial do Rock




As duas fotos tirei no show do AC DC em Buenos Aires, em dezembro passado.

Algumas músicas indispensáveis para comemorarmos o Dia Mundial do Rock:









Agora um AC DC para terminar:

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um País sem Copa


Afonso Vieira

Por fim fomos eliminados da Copa do Mundo na África do Sul. Sinceramente, vejo com bons olhos a saída da Seleção Canarinho. Antes que me acusem de ser antipatriótico ou algo que o valha, deixo claro que também torci e me chateei com a derrota. Mas há uma cultura popular medíocre que precisamos acabar, afinal, jogo do Brasil não é feriado!

Não consigo entender a sanha do funcionalismo público em enforcar o serviço, que - via de regra - já é péssimo. Nas empresas privadas, boa parcela parava apenas na hora do jogo, e retornava ao ofício após seu término. Quem tem obrigações a cumprir, não pode se dar ao luxo de desperdiçar duas horas de sua jornada. O dever vem em primeiro lugar.

Estive conversando com amigos, empresários e profissionais liberais, e a opinião era quase unânime, os dias de jogos atrapalhavam suas produções e compromissos. Nós, brasileiros, temos a cultura futebolística, torcemos e sofremos por nossos times, mas também deveríamos primar pelo cumprimento de contratos e acordos.

Vou citar alguns exemplos que me prejudicaram nesta copa: tinha um material para ser entregue, a previsão era sexta – dia da eliminação da seleção de Dunga -, o “descompromissado” motorista parou o dia todo para se refestelar vendo a derrota de nosso time, como resultado, recebi o material com um dia de atraso. Na outra, algo muito mais absurdo - a meu ver -, quando se compra material fora do estado, temos que pagar o diferencial de alíquota através do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Como uma boa parcela de meus pedidos chegou sexta, e nossos amigos da fiscalização resolveram gazetear todo o dia de serviço, estou até o presente em que escrevo esta crônica, sem o material.

É comum que os estereótipos sejam prontamente rechaçados pelos detentores da má fama, mas será que não há um fundo de verdade? Como é que mudamos uma visão ruim? Somente provando que ela está errada, e não há outro caminho senão a execução de normas e padrões com elevado grau de excelência. Seria interessante que fossem exibidas estatísticas com os valores perdidos a cada jogo televisionado dos “canarinhos”. Tirando bares e distribuidoras de bebidas, creio que a maioria das organizações perde muito. E nem estou falando no absenteísmo nos dias que sucedem tais eventos.

O grosso da população critica pessoas ávidas por trabalho, mas o fato é que, os bem sucedidos e tidos como competentes, jamais deixariam de lado seus afazeres e responsabilidades para se encharcar no “ópio do povo” tupiniquim.

“De longe, o maior prêmio que a vida oferece é a chance de trabalhar muito e se dedicar a algo que valha a pena” - Theodore Roosevelt

*Foto www.band.com.br

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Muito além do Nirvana


Afonso Vieira

Muito se falam em definições, verdades, na eterna luta entre o Bem e o Mal. Será que isso realmente é algo mensurável? Existe alguma certeza plena no universo? Há uma força divina que nos governa ou somos nós que – como seres fracos – temos eu acreditar em algo?

Se existe uma verdade, ela nada mais é do que o fato em si, da forma e no exato momento em que ocorreu; a partir do próximo minuto, estaremos nos deparando nas versões de cada um. Em nome de uma verdade histórica, já se cometeram várias atrocidades, até hoje mentiras são exaltadas como algo real. Não há um único ser no universo que consiga descrever um fato em sua plenitude, quando quem repassa a informação possui outros interesses, a distorção é ainda maior.

Faça um teste: encene um ato com uma pequena platéia, logo após peça para que todos descrevam o ocorrido com suas próprias palavras. O resultado será surpreendente!

Ao pegarmos um dicionário, temos as diversas definições para o que nos cerca. Historicamente, as definições foram sendo aprimoradas e adequadas conforme a necessidade de quem ditava as normas. Isso vale para leis e até mesmo “dogmas” religiosos.

Os próprios padrões morais são completamente diferentes de uma sociedade para outra, e no seu tempo. Alguém no ocidente acha normal uma criança de 12 ou 13 anos se casar? Pois é, isto é nos dias atuais; faça uma pesquisa rápida entre seus familiares mais velhos, pais e avós, novamente haverá o espanto. Pedofilia – este crime execrável – é “mais execrável” nos anos 2000 do que há 30 ou 40 anos.

Os homossexuais vivem se sentindo discriminados, mas se esquecem de respeitar héteros que não lhes querem como parceiros, a tolerância é uma obrigação constante, e principalmente, recíproca. As individualidades devem ser preservadas. Aos intolerantes, que creem piamente que o homossexualismo é uma doença ou algo recente, se esquecem do berço da civilização ocidental, onde a promiscuidade – no conceito atual – era regra. Estudem um pouco de cultura greco-romana, para citar apenas dois exemplos.

Sempre reflito muito sobre a imortal batalha Bem VS Mal. Mas também sempre indago: o que é o Bem e o que é o Mal? Quem definiu? Tenho para mim que tudo isso não passa de convenções sociais/morais, impostas pelo meio que nos cerca. Custa-me a aceitar que um ente divino possa matar inocentes em nome de um “bem maior”, e daqui a pouco pregar a completa tolerância e respeito à vida – seja de quem for. Einstein nos ensinou que tudo é relativo, e talvez estivesse certo. Tudo depende do ambiente e da ótica dos envolvidos.

Aprendi a não ter certeza de nada, a duvidar, mas antes de tudo, respeitar. Já escrevi várias vezes que uma das poucas coisas que me choca é a imposição, seja de onde vier. Às vezes sou mal interpretado por leitores que possuem pré conceitos imutáveis, oras, minhas divagações almejam algo muito além do “bem” e do “mal”.

A maioria busca apoio e repouso espiritual em crenças, o que de forma alguma condeno, pelo contrário, é uma opção pessoal e como tal, deve ser respeitada. Outros acreditam facilmente em definições e conceitos prontos – é mais fácil decorar do que contestar. Mas eu, não vejo necessidade de crer para alcançar ou transpor meu Nirvana, não tenho dogmas e há tempos não acredito em verdades e definições absolutas.

Onde muitos veem obstáculos e comodismo, eu vejo uma incógnita, que merece ser explorada e decifrada, de forma saudável e prazerosa, longe de restrições, obedecendo somente o respeito às normas e convenções, desde que sejam aceitáveis.

“Reiterarei, contudo, uma centena de vezes que a 'certeza imediata', como o 'conhecimento absoluto' e a 'coisa em si', contém uma contradictio in adjecto” [contradição nos termos]. - Nietzsche em Além do Bem e do Mal

http://www.imil.org.br/artigos/muito-alem-do-nirvana/

domingo, 27 de junho de 2010

A mediocridade da maioria


Estava eu, como de costume, contestando a corrente. Por natureza, de omnibus dubitandum. Analisando certas discussões e ouvindo o que a massa apregoa, vejo a mediocridade reinante do senso comum. Desculpem-me, mas a maioria tende à estupidez, sempre! Já dizia Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra.

Uma das coisas que a vida me ensinou, é que temos que respeitar o contraditório, ouvir as opiniões e formar a nossa. Mas ter personalidade não vem sendo o forte do povo brasileiro.

Qual deveria ser, por exemplo, a primeira coisa que um historiador aprende? Que não existe verdade histórica, existem fatos e versões. Mas, longe disso, vemos uma infinidade de doutores da razão pregando besteiras por aí. E pobre do aluno que não escrever exatamente o que o mestre quer ler.

Fala-se muito, e geralmente mal, de nossos políticos. Mas quem os elegeu? Cada povo tem o governo que merece! Ninguém gosta de ouvir e admitir que, via de regra, temos milhares de defeitos. Somos facilmente 'corrompíveis', acomodados ao extremo, só trabalhamos na pressão. Disciplina consciente? Ah, mais uma utopia buscada e nunca alcançada. Minha conclusão é de que estamos perfeitamente representados no congresso nacional e demais casas legislativas. As instituições oficiais são o reflexo exato da nação.

Eu respeito as demais pessoas, seus cultos e paixões, mas não queiram impor suas tendências a quem discorde delas. Jamais vou entender - nem mesmo tentar - a idolatria aos bovinos feita em músicas, sejam sertanejas, de pagode ou demais gêneros. Se um cantor de axé vende milhões de cópias, não compro! Tudo que vira gosto da massa, de imediato já ganha minha antipatia. Se todo mundo vai à igreja no domingo, eu prefiro ir para o bar.

Não é porque o escritor José Saramago morreu ou vendeu milhões de livros que tenho que gostar do que escreveu. Para mim, a pior leitura que fiz nos últimos anos foi Quando Nietzsche chorou, e esse livro foi um fenômeno do mercado editorial, idolatrado por muita gente.

Outro dia acompanhei uma série de artigos de um escritor, em que ele - ateu convicto - malhava o 'coitadismo' que tomava conta de seu público, também ateu. Ele alega que nunca viu preconceito contra essa classe, do que a massa ateia discorda completamente. Concordo com o autor: já me defini ateu por inúmeras vezes e nada sofri em consequência disso. A maior parte das bandeiras exaltadas pelas minorias não passa de recalques pessoais, de pré-conceitos que esses mesmos grupos minoritários criaram e dos quais não conseguem desapegar.

Em tempos de 'patrulhamento politicamente correto', fica difícil incutir na cabeça dos demais que devemos raciocinar por nós mesmos. Tudo deve seguir uma tendência, remar conforme a maré. Senso crítico e raciocínio lógico praticamente inexistem. Eu, por exemplo, não quero pensar como a maioria, e ela, em contrapartida, têm a obrigação de discordar de mim. Chega de ruminantes! É preciso duvidar!

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/06/29/fim-da-mediocridade-da-maioria-ou-comprovada-burrice-da-unanimidade-917011630.asp

http://www.imil.org.br/blog/14751/

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu, petista?



Recentemente fui acusado - por um grande amigo – de ter sido petista. De pronto revidei: “jamais fui petista, posso ter votado uma única vez na esperança de moralizar a política. Mas foi a primeira e última, e tenho orgulho de nunca ter votado em Lula!”.

Muito curiosa é a forma que as pessoas enxergam nossas posições. Pela minha formação moral e familiar, jamais teria a menor afinidade com um partido como o PT. Primeiro porque tenho sangue e formação militar; segundo que prezo o trabalho como mola mestre da sociedade, com um alicerce meritocrático, e sempre pensei assim! Terceiro que tenho como valor absoluto, a Lei – mesmo que discorde dela -, portanto busco cumpri-la. Apesar do partido em questão abocanhar a alcunha do trabalho, o que menos se vê é trabalhador propriamente dito naquela agremiação.

Tenho amigos petistas, nunca deixei de tê-los. Muitos, inclusive, não gostarão deste texto. Mas minha verve nunca se importou com opiniões divergentes, sustento e assumo tudo o que digo e que faço – pena que não posso dizer o mesmo dos dirigentes daquela sigla -, e é justamente mais um motivo para me distanciar ainda mais dessa trupe.

Votei, 12 anos atrás, no candidato do PT à eleição estadual. Era, a meu ver, o “menos pior”. Afinal, o candidato da situação era muito ruim. Votei eu, mais um montão de amigos que tentávamos dar um ar de renovação. Como otários fomos! O meliante entrou e fez tudo de pior nos quesitos morais e éticos – qualquer semelhança com o representante do planalto, não é mera coincidência.

Oras, valores morais e éticos não se mudam, pelo contrário, apenas se aprimoram, é para a frente que se anda! Se conluios espúrios existiram – e ainda existem -, é porque isso já estava enraizado na índole dos protagonistas políticos. Eu, por exemplo, jamais vou defender assassinos e ditadores, faz parte da minha alma libertária. Nunca roubei, não sou perfeito - pelo contrário -, mas creio que vergonha na cara seja obrigação! Relativismo moral é para pessoas sem caráter, sem opinião firmada e honesta.

Eu relevo uma ínfima parcela do PT, que realmente acreditou na defesa de uma bandeira ética, mas não dá para levar a sério quem ainda milita abertamente na defesa de corruptos, que abraça e tira fotos com larápios, sorrindo da desgraça alheia. E isso independe de partido, deveria ser a regra de alguém probo!

Ao levantar a defesa dos valores democráticos, da livre concorrência e das liberdades individuais, buscamos um norte. Aprendemos com os erros, maximizamos acertos. Faço parte dos 5% que ainda não se embriagaram na popularidade recorde de nosso governante, não vendi minha alma em nome de resultados obtidos, ainda mais que tenho plena consciência que não se inventou a roda há 8 anos.

Ps. Não votei em 2002, 2006 e nem votarei no atual candidato do PSDB. Esta reflexão, como tantas, é suprapartidária. Não penso em partidos, penso no País. Políticas públicas deveriam ser de Estado, não de governos!

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=5336

http://www.24horasnews.com.br/evc/index.php?mat=3352

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Profissionalismo jurássico


Afonso Vieira

Costumamos passar a maior parte de nossa idade adulta – no que tange a atividades -, imbuídos dos afazeres da profissão. Não temos como fugir muito do ambiente de trabalho, afinal, são - no mínimo - oito horas diárias. Nada mais justo que a façamos de bom grado e da melhor forma possível.

Com o advento da tecnologia, meios digitais e informática, agilizamos maior parte dos procedimentos administrativos, mas ainda temos uma considerável parcela de empresas que insistem em permanecer junto aos “dinossauros”.

Hoje, diversos documentos vêm via correio eletrônico. Existem exceções, mas mesmo estas podem ser digitalizadas, evitando o acúmulo de papel, gasto desnecessário com transporte e telefone, entre outros.

Alguém já imaginou uma empresa nos dias atuais sem uma impressora multifuncional? Acreditem, em plena era da informação ainda temos diversas organizações que não conseguem digitalizar um único documento, e para piorar, não são de pequeno porte. Na minha cidade, por exemplo, praticamente todas as transportadoras alegam não possui escâner – chego a crer que deve ser pane de operador, só pode . . . E nem estou entrando nos detalhes da operacionalização do correio eletrônico.

Recentemente passei aos meus alunos um trabalho, nele solicitava que eles simulassem uma cotação de preços. Contatei alguns fornecedores e informei que haveria a solicitação dos orçamentos. Confesso que não me surpreendi muito quando a maior parte não respondeu aos e-mails. Em uma visão míope, por não se tratar de uma venda efetiva, muitos dos vendedores deixaram de responder – não enxergam que os atuais alunos, são exatamente os futuros compradores.

Nos grandes centros e em cidades relativamente novas, a maioria dos estabelecimentos comerciais se utiliza dos cartões, tanto de débito como de crédito. Infelizmente, ainda há estabelecimentos que se recusam a implementar tal ferramenta. Não enxergam o potencial que tem esse instrumento, que entre outros benefícios, também traz o da maior segurança.

Falando em coisas antiquadas, ainda existem muitos que insistem no uso desse instrumento “ultra-ultrapassado”, que carinhosamente chamamos de talão de cheque. É a coisa mais arcaica possível. Facilita - e muito – a falsificação. Pode ser furtado em demasia. Gera inúmeros procedimentos operacionais desnecessários, e é, entre as transações de pagamento, a que tem maior probabilidade de gerar o calote.

Os otimistas dizem que o Brasil deixou de ser o país do futuro para se tornar o do presente, como sou cético e realista, creio que ainda temos muito a evoluir. E a evolução só virá com a mudança de diversos pensamentos e atitudes, que devem partir – primeiramente - de dentro de cada um.

Não podemos nos deslumbrar, e, antes de tudo, devemos ser parte da solução, não do problema. Temos o direito a empregos e serviços de bom grado, e obrigação de fazê-los na mesma qualidade.

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/profissionalismo-jurassico/45065

http://douradosnews.com.br/leitura.php?id=9708

http://www.sintracoopmsmt.com.br/?p=1005

domingo, 16 de maio de 2010

Coisas que irritam


Certa feita estava com amigos, entre umas cervejas e outras afirmei: “sou o cara mais chato que conheço!” Oras, como crítico contumaz, devo ter plena consciência dos meus defeitos. Mesmo porque isso faz parte de um feedback pessoal.

Ciente da minha arrogância e impaciência, já me arrependi de diversos atos cometidos no calor da discussão. Ao longo do tempo fui aprendendo a controlar melhor os ímpetos, mas tenho certeza que existem coisas da nossa personalidade que são praticamente imutáveis. A sinceridade creio que esteja entre uma das minhas maiores qualidades e defeitos, ao mesmo tempo.

Esta semana refleti bastante sobre as coisas que devemos evitar ou contornar. Estamos tendo exposição agropecuária em minha cidade, confesso que não nutro a menor disposição de ir até lá, mesmo que seja pela desculpa de “ver a mulherada”, como tantos amigos alegam. Pagar para ver um monte de abobados enaltecendo ornamentos bovinos, não é meu forte. E aquelas músicas? Ah, mudei de posição, nem que me paguem!

Quando era mais novo, era o verdadeiro “arroz de festa”, não podia ficar em casa de forma alguma. A impaciência me colocava rapidamente em qualquer aglomeramento, hoje eu tenho até evitado locais muito cheios, ainda mais quando existe a famigerada fila. Na minha chatice, já processei até o banco por causa desse costume estúpido e desrespeitoso de nossa sociedade – e ganhei, registre-se!

Ontem estava no bar, como sempre sentado tomando minha cerveja individualmente. Estava apreciando as mulheres ali presentes, diversas beldades. Eis que algumas eram namoradas. Que desperdício! Nada contra sua opção sexual, mas que a concorrência é desleal para nós héteros, isso é. Larguei de imediato para o dono do boteco: “quando fulano for tocar, não venho mais”. Tem duas semanas que as quintas foram menos atrativas, se for para ouvir música sonolenta, fico em casa!

A hipocrisia e a mentira pelo visto estão se enraizando ainda mais dentro nossos pares. É o maior legado lulista, a meu ver. Duas coisas que me fascinam, política e filosofia, e ao mesmo tempo são coisas que também me tiram do sério. A capacidade de distorcer os fatos, adequar o discurso e advogar em causa própria é gritante. Nem vou citar nomes, para a gastrite não atacar.

Desabafar às vezes é bom, como diz o dito popular: desopila o fígado. Pelo visto vou continuar ranzinza, mas sempre falando a verdade e defendendo minhas posições, mesmo que isso signifique um certo isolamento.

Como diz a música dos Ramones, i wanna be sedate.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A adoção por casais homossexuais e o direito das crianças


Afonso Vieira

Esta semana a justiça brasileira reconheceu o direito de casais homossexuais em adotar crianças. Em que pese todo o conservadorismo existente em nosso meio, analisando os prós e contras, entendo que isso é um avanço tremendo para os nossos valores arcaicos. Ainda temos muito preconceito, algo que está em nossas entranhas mais profundas.

Há tempos já temos discutido o tema, isso em diversos fóruns e rodas sociais. Normalmente as posições são embasadas muito mais em visões religiosas e ultrapassadas do que pela razão. Qual o problema de duas pessoas constituírem união estável, se não for dentro de uma instituição religiosa? Oras, eles também pagam impostos e têm o direito de serem servidos pelo Estado!

Dentro do universo ultraconservador, isso é uma aberração, uma afronta aos dogmas religiosos. De cara, quando li sobre o assunto, já imaginei onde iria ler os mais absurdos impropérios. Para minha surpresa, um dos maiores conservadores da mídia atual, Reinaldo Azevedo, postou-se a favor da decisão. Ponto para ele! É preciso muita coragem para assumir essa postura, ainda mais tendo com público leitor, uma ampla maioria de fundamentalistas cristãos.

Deixo claro que sempre tive completa ojeriza a qualquer militância de minorias, entendo que praticamente todos eles enxergam um único mundo, de forma torpe e bicolor. Que existe um patrulhamento “gayzista”, isso não se pode negar; a mais inocente brincadeira é interpretada de forma errônea e manipulada a exaustão. Mas esta medida nada tem a ver com militância, e sim com direitos individuais, principalmente das crianças, e não dos adultos!

Pelo que me informei sobre o processo de adoção, um casal precisa preencher inúmeros requisitos para ser julgado apto para tal. Isso inclui uma verdadeira varredura na vida dos cônjuges.

Os contrários à medida pensam meramente naquilo que lhes choca, esquecem-se dos maiores interessados e beneficiados pelo ato, que são os adotados. Pelo comportamento dessa classe, eles preferem que as elas cresçam em um orfanato, sem muita perspectiva de vida. Não há nenhum embasamento empírico que comprove que a imagem de um casal gay causará malefícios ao filho pretendido. Em contrapartida existem famílias tradicionais que espancam e destroem os sonhos de seus entes, diariamente.

A orientação sexual de uma pessoa não determina seu caráter, e sim seus atos como ser humano, suas responsabilidades e seu legado. Há, dentro das comunidades religiosas, pessoas boas e ruins tanto quanto em qualquer nicho de nossa sociedade.

Eu, particularmente, não tenho o menor problema com relação aos homoafetivos, pelo contrário, tenho amigos e amigas no meio e que já demonstraram possuir ética, moral e caráter muito superiores que boa parcela da população. Na verdade, pela minha vivência, passei a enxergar com maus olhos quem muito receio tem dos gays, creio que não possuem firmação o suficiente e têm medo de sucumbir aos anseios da carne . . .

Comportamentos extremistas só demonstram o que já enxergo há um bom tempo: não há nada mais nocivo para a liberdade individual de que um extremista conservador - que prefere um hétero marginal a um gay probo, ou um órfão em dificuldades a um filho com lar e sendo amado.

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/04/30/a-adocao-por-casais-homossexuais-o-direito-das-criancas-916467702.asp

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Comprometimento


Afonso Vieira

Havia, há não muito tempo, uma propaganda muito boa que tratava sobre o comprometimento. Essa palavra que ainda é pouco utilizada por nós, brasileiros, deveria ter maior enfoque, mais destaque.

Eu sempre costumo criticar muito quem procura culpado pelo próprio fracasso, e essa aberração que já se tornou cultural. É um ranço propagado por professores, sindicalistas, sociólogos e muitos dos ideólogos do atraso. Oras, se não se possui responsabilidade, se não se assume nenhum compromisso a contento, quem é a verdadeira causa do infortúnio?

Em uma aula recente, levei um texto de um consultor do Sebrae de SP, onde ele elencava motivos para o sucesso e crescimento de pequenas empresas, bem como as qualidades necessárias aos novos colaboradores do empreendimento. Mas o que tenho percebido no meio que me cerca, é que são pouquíssimos os profissionais que realmente merecem a alcunha de competente, e era exatamente essa ótica que tentava transmitir aos meus instruendos, haja vista a falta de empenho de alguns dos futuros especialistas.

Em seu último livro, O verdadeiro poder, Vincente Falconi trata sobre o conceito de espírito de excelência, que seria algo como pensar como o dono. Alguns néscios dirão que se trata de puxassaquismo; em suas visões limítrofes, o fazer bem feito, com ética, responsabilidade e qualidade nada mais é que mera bajulação. Outros, incompetentes por natureza, procurarão um amparo legal em nossa arcaica legislação para se encostar, prejudicando o bom andamento do serviço. Uma minoria crescerá junto com sua organização e conquistará o seu lugar ao sol.

Oras, estamos repletos de exemplos de professores que não querem ministrar aulas, bancários que nem querem aparecer nos bancos, servidores públicos que preferem ficar em casa – considerável parcela dos citados até agora se encontra, ou na política ou no meio sindical. Já imaginou um militar que não vai ao quartel, um médico que se nega ao exercício da medicina ou padre que não reza a missa? Nesse ranço ideológico/da vagabundagem, estamos criando verdadeiros parasitas, morais e oficiosos.

Generalizando, não temos compromisso nenhum com o trabalho propriamente dito, entenda-se como o exercício da função, nas melhores condições e padrão de excelência. A mentira virou mote, inclusive dentro dos mais altos escalões da República.

Em um bairrismo chinfrim, normalmente os nativos detentores de estereótipos, imediatamente rechaçam qualquer observação que considerem ofensiva. Se não reconhecermos nossas limitações, jamais poderemos adotar uma ação corretiva. Já tive a oportunidade de morar em diversos estados, e pude constatar in loco que muitos dos preconceitos têm razão de existir, infelizmente.

Só elevaremos o padrão da sociedade do conhecimento, se houver a conscientização de que devemos provar que somos capazes.

O compromisso assumido deve ser cumprido, obrigatoriamente! Horários, regras e padrões, idem. Devemos sempre somar, jamais subtrair. Se fizermos a lição de casa, com certeza colheremos frutos, poderemos andar de cabeça erguida e colocá-la no travesseiro, calmamente. Mas, isto é, primeiramente, algo completamente individual e gradativo, de dentro para fora. Afinal homo homini lupus!

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/comprometimento/44348/

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=5207