sábado, 21 de fevereiro de 2009

Saudosismo nostálgico


Afonso Vieira


Eis-me aqui, sentado lendo notícias e curtindo uma tarde de fim de semana. Resolvi ouvir música clássica para acalmar o espírito, em determinado momento escolhi ouvir tenores e me deparei com uma versão de Time to say goodbye, automaticamente passei a recordar de outras épocas, dos amigos distantes, das pessoas queridas que não voltam mais. Enfim, passei a uma fase de saudosismo puro, uma nostalgia estranha, até mesmo gostosa – uma contradição, eu sei.

Como é bom poder olhar para trás e ver que tivemos fases fantásticas, amigos maravilhosos, uma vida intensa. Ver que os erros serviram somente para nortear as novas atitudes, de forma a corrigi-los. Lembrar dos locais, das cidades, das casas, brincadeiras, romances, festas, jantares e tudo mais.

Houve situações banais na época, que nas lembranças atuais se tornam boas e marcantes. Lembrar das brincadeiras de criança, dos contos de fadas, da árvore em que subíamos, da inocência da idade. Como era bom subir na goiabeira e comer seu fruto, lambuzar-se com a manga colhida no pé, sujar toda a cara com a amora, pescar no córrego próximo à sua casa. Éramos crianças “arteiras”, chegávamos a sair de casa pela manhã e retornar só ao fim da tarde.

Lembro-me ainda que tínhamos brinquedos e estes nos acompanham até próximo da idade adulta, às vezes até escondíamos dos amigos mais velhos, com medo da gozação. Definitivamente, nossos filhos não terão a oportunidade de viver com tamanha liberdade que fomos criados.

E as festinhas com “jogo de luz” - quem tem mais de trinta entende do que falo -, era todo mundo esperando a hora da “lenta” para chamar a paquera. Éramos tímidos, ingênuos, mas felizes! O refrigerante, na maioria das vezes, era a bebida oficial. Quando raro, havia um ponche. E o primeiro porre, a ressaca monumental! Quem já se esqueceu do primeiro beijo, da descoberta da sexualidade, do primeiro grande amor?

Fomos para a faculdade, começamos a trabalhar, mudamos de cidade; vieram compromissos e responsabilidades. Todas essas recordações batem no âmago do ser, embriaga com a vontade de revivê-las com o maior prazer possível. Até mesmo estabelecimentos que não costumávamos gostar, vêm à mente numa boa dose de saudade.

As viagens, os acampamentos, as cidades que visitamos. Os excessos que resultaram em problemas, e agora nos traz boas gargalhadas. É possível sentir falta até da chatice de certas pessoas.

As amizades podem se distanciar com o tempo, seguindo o percurso da jornada da vida, mas as memórias permanecem, bem como a consideração.

A vontade que surge é retornar no tempo, passar novamente pelas situações, só para poder apreciar cada fato mais intensamente. Sorte dos que podem recordar somente de coisas boas e agradecer pelo que a vida nos deu.

Momentos de prazerosos de profunda introspecção. . .

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Visão empresarial e qualidade profissional


Afonso Vieira


Muito tenho escutado e também lido sobre a má-qualificação dos profissionais nos mais variados setores, e isto não é particularidade de apenas uma região do país, já trabalhei - tendo inclusive empreendimento próprio - em alguns estados da federação. A reclamação é sempre a mesma. Analisando melhor a questão, vejo que - muitas vezes - não é falta de mão-de-obra qualificada, e sim, ausência de visão empresarial e gerenciamento incorreto dos recursos humanos por parte dos gestores.

Quando se tem uma boa experiência no mercado, é fácil identificar deficiências gritantes na execução das tarefas dos mais variados locais. A qualidade na prestação de serviços nos locais que morei - MS, MT e BA – deixa muito a desejar, é um fato duro de engolir para os bairristas de plantão, e de fácil constatação. Agora faço um questionamento: o problema é somente nos funcionários – detesto o termo “colaborador” -, ou também é falta de valorização do profissional e/ou reciclagem?

Não é raro ver vagas de emprego - solicitando nível superior para cargo de gerência - que oferecem salários medíocres, beirando o ridículo. Mão-de-obra eficaz exige contrapartida, dizer que “as pessoas não querem trabalhar” é menosprezar anos de estudo e dedicação em detrimento de um “lucro” irrisório, que provavelmente ocasionará prejuízo.

Citando Peter Drucker, em artigo de 1963: “Todo produto, toda operação e toda atividade de uma empresa deveriam, portanto, ser submetidos a um teste a cada dois ou três anos.” Isto é um fato, qualquer fundamento administrativo não é absoluto, podemos dizer que a única tese imutável da administração é exatamente a “mudança constante”. Notem que na frase em questão, dá para englobar os recursos humanos. Após anos na mesma função, boa parte se acomoda, poucos levam a “disciplina consciente” a sério. Talvez seja a hora de fazer um rodízio de funções, ou uma reciclagem nos quadros.

Ainda Drucker, agora em 2002: “Todo executivo terá de aprender o que um bom chefe de departamento em uma universidade ou um bom regente de uma sinfônica há muito sabem: que a chave da excelência é descobrir qual o potencial de cada indivíduo e se empenhar em seu cultivo.” Experiência é importante, mas não é primordial, às vezes temos um bom trabalhador desempenhando um cargo satisfatoriamente, que pode ser muito melhor em outra colocação. Por vezes temos dentro da própria empresa alguém com perfil para o ofício, mas por miopia preferimos contratar gente de fora, e ainda exigindo muito tempo na área como pré-requisito, oras, servidores competentes dificilmente estarão disponíveis!

Leio muitas críticas contrárias ao lucro das instituições, isso - normalmente - é gritaria sem embasamento de frustrados incompetentes. Mas tenho que dar o braço a torcer em alguns casos. A tendência é a concentração do mercado, grandes aquisições vêm ocorrendo, e via de regra, o quadros enxugados. Até ai nenhum problema - é sabido que o diferencial hoje é no custo de produção e não no preço final -, mas ainda assim está ocorrendo a redução de salários dentro das próprias funções já exercidas. O resultado podemos verificar in loco nas instituições financeiras e de ensino superior, utilizando apenas 2 exemplos.

Por fim, nem sempre falta qualificação no mercado, ou ainda, as opiniões dos “comandantes” são sempre as corretas. O que tem faltado é visão ampla, abertura nos horizontes e tato na lide com as adversidades do dia-a-dia. A reciclagem acima sugerida, deveria começar pelas cabeças das organizações, nada que uma boa dose de Inovação e Espirito Empreendedor não norteie, ou até mesmo resolva.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sabedoria de vida


Afonso Vieira

Vou tratar no presente ensaio sobre um tema que me fascina, que faz perder horas a fio e aprofundar no mais oculto do meu ser; enxergando possibilidades infinitas em algo que a maioria tem ojeriza, medo, um certo pavor – talvez pela incapacidade de se adaptar, de evoluir dentro de si próprio -, falo da solidão.

Certa vez escrevi um texto sobre o assunto, era uma reflexão semelhante a esta. Sempre verifico que há uma parcela enorme de entes próximos a mim que fazem de tudo para fugir da condição solitária, alguns raros – assim como eu – aprenderam a gostar, a vislumbrar o estado de espírito como algo que dificilmente mereça desapego.


Qual o problema e ter uma vida sociável, cheia de amigos e festas e mesmo assim gostar de um refúgio, de se entocar por vezes ou se fechar no mundo pessoal, usufruindo do que de melhor sua mente possa lhe proporcionar? Muitas das vezes, tais ponderações são extremamente produtivas e benéficas, um aperfeiçoamento de ego necessário e saudável.


Comecei a ler um livro do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. A indicação de uma amiga não poderia ter sido melhor. Em que pese muitas coisas que discorde, especificamente nessa obra, Aforismos para a sabedoria de vida, identifiquei-me com suas divagações.


Filósofos são incompreendidos, muitas vezes seus pensamentos são utilizados de forma vil, mas é respeitável a infinidade de opções que nos põem à mesa. Schopenhauer influenciou Nietzche, que por conseguinte lota os cérebros do mundo até os dias atuais em seus devaneios brilhantes.


O que faz com que pessoas passem a rejeitar certos ambientes, ou não dar muita importância para os locais que frequenta? É algo que tenho me perguntado. Talvez seja uma certa experiência adquirida ao longo dos anos - apesar da aversão à hipocrisia reinante da sociedade -, onde se aprende filtrar e aproveitar a cada momento, descartando o que é supérfluo e banal. Em uma mesa de bar, uma reunião com colegas, ou mesmo dentro de uma casa noturna, nada estará bom se o Eu interior não corroborar com a paz externa. De nada adianta o lugar, a companhia ou a ocasião – é claro que ajudam, mas não é o principal -, se a mente não for sóbria e inteligente.


A condição de eremita não é um fardo ou sacrifício, provavelmente nem é eterna. Mas, na maioria das vezes, pode ser fruto de uma opção individual para o que o momento nos pré-dispôs. Isso não quer dizer necessariamente o isolamento do mundo, pelo contrário, em boa parte das situações é meramente mental, fruto da imaginação, uma decisão pessoal. Condição, diga-se, extraordinária, basta aceitá-la e aprender a apreciar no melhor estilo possível. Ou seja, da forma que melhor lhe convir.


“Na solidão, onde todos se veem limitados aos seus próprios recursos, o indivíduo enxerga o que tem em si mesmo. O tolo em trajes finos suspira sob o fardo de sua própria individualidade miserável, da qual não pode se livrar, enquanto o homem de grandes dotes povoa e anima com seus pensamentos a região mais deserta e desolada” - Schopenhauer

http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=4372

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Inspiração


Afonso Vieira


Sento-me em frente ao computador com a intenção de ler ou escrever algo, paira a dúvida sobre a inspiração que não vem há dias. Sempre admirei a capacidade criativa dos escritores e a erudição dos cultos, mas o que os move? Qual o bálsamo de sua produção? O atrativo do romance é a ficção, a realidade, a filosofia?

Para ler um livro ou escrever uma crônica - ao contrário do que muitos pensam - não basta sentar e começar; dependendo da complexidade da trama ou do nível intelectual, é necessário um envolvimento maior, o que também engloba o poder de concentração, um maior aprofundamento no tema proposto e entusiasmo do executor.

Consegui alguns exemplares de livros que há tempos buscava, aos poucos irei devorá-los, porém, as tarefas do cotidiano e afazeres mais urgentes podem comprometer as metas que costumo estabelecer. Livros filosóficos, polêmicos e baseados em fatos reais me atraem muito mais que histórias de amor ou diálogos monótonos que viram best sellers – até hoje não consigo entender o sucesso de Quando Nietzche chorou.

Os escritos sobre política, economia e educação andam um tanto fora dos pensamentos. Ao ler os clippings diários e as intermináveis discussões sobre a guerra no Oriente Médio, o novo “messias” mundial, Barack Obama e os resultados da crise, vejo que praticamente tudo não passa de repetições toscas e distorcidas de clichês já eternizados. Aprecio quem o faça sem bônus financeiro, já que a monotonia é gritante, assim como a boçalidade da maior parte dos articulistas.

Não tenho o hábito de ler ficções sobre amor, suas tragédias e eternos conflitos. São raríssimos os casos em que não me arrependi de folhear. Fascina-me somente a imaginação dos escribas, que enxergo como eternos apaixonados. Creio a dificuldade em apreciar tais obras advém da própria incapacidade de falar abertamente sobre o tema ou ao fato de relevar sua importância na vida pessoal, o que tem muito mais a ver com a própria personalidade.

As obras filosóficas, estas sim, um emaranhado de pensamentos e divagações que proporcionam ótimos momentos. Às vezes chego a pensar que a tergiversação - que acaba resultando em algo maravilhoso - não poderia ter sido redigida por uma mente sã, não nos moldes de um cidadão normal. Quando se abre um livro e aquele parágrafo necessita de duas ou três vezes de interpretação, não é inaptidão, e sim, sincronizar com a ótica proposta. O prazer é ainda maior quando nos vemos na pele do inventor em perfeita sintonia, como se os manuscritos nos pertencessem, é embriagante!

Ler, assim como escrever, é algo que só tem a agregar à pessoa que o faça. A leitura de um bom texto jamais fará mal a quem aprecia. Os escritos, quando responsáveis, devidamente embasados e amparados, tendem a eternizar e glorificar autor.

A falta de indignação com a realidade pode ser fruto da própria pasmaceira atual, uma descrença ou uma dose grande de ceticismo. Aguardemos a inspiração, mesmo que seja uma imensa dose imaginária de elucubrações no universo das idéias.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Leitura, um ótimo divertimento


Afonso Vieira

Entristece-me muito quando leio que - mais uma vez - a maior autoridade da nação, praticamente se vangloriando da própria ignorância, dizendo que não lê, não se informa e ainda critica a imprensa. Oras, ao contrário do que o presidente diz, a leitura é um ótimo divertimento, um dos caminhos para sairmos do ostracismo e alçarmos a um nível intelectual mais elevado.

São posições como esta que um chefe de Estado deveria guardar para si, pois ele, acima de tudo, é uma instituição e não mero amontoado de carne, osso e ideologia. Esse simplismo começa a cheirar puro marketing político, já que sua aprovação sobe a cada sandice proferida, retratando que a população - com uma parcela vergonhosamente grande de analfabetos funcionais - é o retrato do desconhecimento, do fracasso da nossa educação.

Não vim até aqui falar de política, mas sim, divagar sobre os prazeres da leitura. Neste último fim de semana resolvi ficar em casa, em pleno sábado à noite; a vida tumultuada com compromissos sociais nos últimos dias, levaram-me a decidir pelo isolamento de meu quarto. Sem maiores rodeios abri o e-book de um livro de Mario Vargas Llosa, Guerra do fim do mundo, uma história sobre a guerra de Canudos descrita por um peruano – com uma riqueza de detalhes que me causou inveja por ter morado na região e não conhecê-la tão minuciosamente.

O gosto pela leitura deveria ser incentivado em todas as escolas, pelos nossos educadores e com avaliações sobre os títulos adotados, desde os primeiros anos de ensino escolar.

Dificilmente um filme sai melhor que a obra escrita, o estímulo à nossa imaginação é formidável. Fantasiar as ruas de Salvador, o interior sofrido do Nordeste, ou, muitas vezes, locais desconhecidos, é um ofício saudável e excitante!

Em alguns estudos que li, foi dito que o hábito de ler tem maior influência quando vindo de dentro do próprio lar, o que é algo um tanto quanto óbvio. Mas penso que os docentes deveriam - cada vez mais – pregar esta prática em sala de aula, até mesmo com trabalhos extra-classe. Infelizmente, em muitos casos, os próprios mestres não têm em sua rotina essa nobre particularidade.

Fico imaginando essas mentes brilhantes, que produzem obras maravilhosas, como conseguem tamanha inspiração. Invejo sua erudição, sua inteligência, a capacidade de inventar, fantasiar, criar, até mesmo filosofar. Temos bons escritores no Brasil, mas ainda estão longe da qualidade de seus pares mundo afora. Arrisco a dizer que isso possa ser reflexo de nossos costumes, do culto ao coitadismo e a ignorância, que tristemente é de fácil verificação.

Estou aqui, preparando-me para mais uma dose de férteis palavras sobre um conflito antigo, que mescla dose de realidade e ficção, aos olhos do autor. Tenho plena certeza que as horas destinadas às primeiras páginas do romance, somente agregaram conhecimento e prazer. Se ontem, fosse para a rua beber, talvez eu estivesse com azia agora, mas jamais uma sopa de letrinhas me traria tal infortúnio.

"Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por idéias." (Mário Vargas Llosa)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Preconceito, todos temos!


Afonso Vieira

Se há uma coisa que me irrita, é a hipocrisia politicamente correta de muitos, somente quando lhes convêm. Já notaram a quantidade de ideólogos – defensores da causa alheia – que vivem tomando dores disto e daquilo, mas na menor oportunidade destilam todo seu veneno? Eu tenho preconceitos, dos mais diversos, admito isso e sei perfeitamente que não sou nada “político” em minhas opiniões, exponho-as e as defendo, doa a quem doer.


Notem que as vozes só soam quando é em causa própria. Difícil mesmo é ver os mesmos “ofendidos” se pronunciarem quando desafetos são tratados pejorativamente. Não se trata de classificar esta ou aquela pessoa, credo, raça, agremiação, e sim de cobrar certas posturas para todas as situações.


Tive a oportunidade de morar em Salvador - terra de gente maravilhosa -, a cidade com maior percentual de negros em sua população. Saí do Mato Grosso do Sul, acostumado com os trejeitos locais, onde era quase ofensa chamar um negro de, pasmem!, negro. Sim, isso acontecia, tive um colega de trabalho que não gostava do termo. Achei muito louvável que os soteropolitanos se orgulhassem da própria cor, chegando a exaltá-la. As negras baianas estão entre as mulheres mais lindas que já vi. Certa vez, fui infeliz em chamar uma garota de morena, no ato ela me repreendeu: “meu filho, sou negra!”; até explicar que pelas bandas do MS isso poderia ser considerado ofensa, perdi muita saliva.


Estamos acompanhando o conflito na Faixa de Gaza, onde ambas as partes cometem excessos e possuem lá suas razões. Mas a quantidade de biltres que deixam aflorar seu anti-semitismo no menor sinal de guerra, é impressionante. Não dá para defender a morte de inocentes, de nenhum dos lados! Não há racionalidade nisso, assim como não há muita ética em uma guerra, só estando em combate para tomar decisões, muitas delas nada amistosas para a visão do público em geral. Ao se condenar a ação de Israel, também se deve condenar o terrorismo do Hamas, caso contrário é relativismo moral, rasteiro e da pior espécie.


Outro dia li um artigo de um indígena criticando o termo bugre, o autor fez o maior rodeio para se dizer ofendido com tal alcunha, oras, isso é mero estereótipo. Provavelmente, nada que ele faça irá mudar esse apelido grotesco que já está enraizado na cultura local. Tenho ainda, absoluta certeza, que há coisas infinitamente mais importantes para um índio se preocupar.


Onde quero chegar? Quero dizer que, na maior parte das vezes, o preconceito está muito mais na cabeça do suposto ofendido, do que na do provável ofensor. E que os “paladinos morais”, “guardiões da ética”, não passam de relativistas; são energúmenos que só se pronunciam quando a água bate na canela. Só para citar, os mesmos que choram mortes de palestinos, não escreveram uma vírgula sobre as milhares de mortes que ocorrem diariamente no Sudão. Deve ser porque são negros matando negros e não são os EUA financiando o governo local, como se a vida tivesse menos valor na África . . .


Sou preconceituoso: contra anarquistas, marxistas, petistas, corintianos, pagodeiros e radicais de qualquer espécie, porém, não deixo de tê-los no meu círculo mais próximo de amizade, do convívio diário. Não passam de estereótipos que se limitam a campos específicos, que não prejudicam a vida de ninguém. Para os ruminantes fundamentalistas, lembro que normalmente são eles que querem classificar pessoas por cor, credo e classe social, muitas vezes até mesmo por politicas públicas; são os mesmos que acentuam as rixas e fomentam conflitos, dos mais diversos.


http://www.campogrande.news.com.br/canais/debates/view.php?id=4316

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=336492

http://www.matogrossomais.com.br/?id=6762&nome=ARTIGOS%20DO%20INTERNAUTA&categoria=13&opcao=noticias


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Festas e reflexões


Afonso Vieira

Abro a primeira cerveja da noite desta segunda, 22 de dezembro, no mesmo momento em que começo a escrever este texto – repor as calorias após os 10 Km no Imaculada não é fácil. Não sou muito fã do natal, nunca fui, porém, acho válido como momento de reflexão. Bom, depois continuo, estão buzinando no portão.

Voltei, e faço questão de registrar isso no texto, iniciei o presente ensaio ainda nos desatinos da corrida diária, onde o pensamento vai longe, muito além da mera inspiração para escrever. Quando comecei a colocá-lo no papel, fui interrompido por um amigo, saímos pela “Golden City”, ruas cheias, nem todos os bares abertos e as mesmas figuras carimbadas nos botecos.

Voltando ao assunto de festas de fim de ano, quem me conhece sabe que sou praticamente ateu, conheço boa parte das igrejas de freqüentá-las, como discordei de quase tudo que ali é pregado, restou-me o agnosticismo. Não acredito em nada que não tenha inicio no mérito pessoal, trabalho e persistência. O natal, data de celebração cristã, serve para refletir, para muitos é momento de compaixão, arrependimento e aflorar bons fluídos. Vejo como um acerto de contas com nossa consciência, de rever nosso comportamento, aprendendo com os erros e aprimorando os acertos. É um momento também de muita hipocrisia por parte da sociedade, como se todas as ações incorretas ou omissões fossem justificadas ou enterradas em uma única data, simplesmente com um presente. Não, não é, o caráter se mede diariamente, a cada ato, correção e reconhecimento dos propósitos.

O ano que se encerra foi muito produtivo para minha pessoa, de conquistas pessoais e profissionais, com algumas decepções – o que faz parte do jogo da vida.

Politicamente falando, vejo que ainda temos muito que melhorar, o país cresceu no ranking da corrupção, a desfaçatez e o mau-caratismo peculiar dos políticos, que em tempo de crise tentam colocar milhares de inúteis nas câmaras municipais da nação, continua em combate. Algumas ações afirmativas e de cunho “social”, poderão acarretar uma piora considerável, ao contrário que alardeiam os defensores do “frascos e comprimidos”.

Economicamente, estávamos relativamente bem, mas ao contrário que uma besta propagou, a crise mundial é inevitável, e não tem nada de marola. Devido a ações do Presidente do Banco Central - que sempre foi alvo de críticas por parte de integrantes do primeiro escalão governamental – estamos um tanto menos suscetíveis a suas conseqüências.

Poderia escrever um artigo mais formal, com intuito de publicação em algum jornal, mas prefiro agregar tudo em um só, afinal, estou filosofando sobre tudo em uma espécie de balanço geral.

No quesito pessoal, estou plenamente feliz em ter retornado para minha terra amada, após 13 anos fora. Cresci intelectualmente, profissionalmente e com os pés no chão, mais do que nunca. Pretendo ler muito mais no ano vindouro, crescer mais ainda e permanecer satisfeito. Paixões foram, vieram e continuarão aparecendo, mas meu flerte com a solidão continua um elo firme, um libertário tem seus dogmas pessoais, ainda que todos os conceitos sejam relativos e passíveis de revisão.

A vantagem de ter terminado esta crônica somente hoje, terça-feira, foi que tive a oportunidade de ver um vídeo postado por um colega de comunidade do orkut, como não estou conseguindo postá-lo, procure no youtube pelo vídeo 'Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me"', é excelente! Não deixe de conferir por completo.

Como estou fechando a conta do ano que finda, aproveito mais uma vez para cumprimentar todos meus amigos - que sabem perfeitamente que eu não os saúdo apenas no fim do ano - eu brindo com álcool todos os dias possíveis a grande quantidade de pessoas que posso dizer verdadeiras. Neste ponto, creio que sou um privilegiado como poucos.

Fica registrado meu muito obrigado pelas companhias; se errei e ainda não o reparei, fica o pedido de desculpas - que deveria ter ocorrido no ato - anote-se. Faço votos que todos sejamos melhores em 2009, que nosso convívio seja ainda mais prazeroso e saudável. Boas festas, um excelente ano novo!