sexta-feira, 13 de julho de 2007

Dia Mundial do Rock



For Those About To Rock (We Salute You) – AC DC

Aos adoradores das guitarras nervosas, das baterias pesadas, dos baixos raivosos e vocais nada convencionais, brindemos ao Dia Mundial do Rock.

Saudemos os deuses das guitarras e os imortais monstros do rock, vida longa à música de qualidade, desde que a qualidade seja um solo de guitarra, um bumbo ensurdecedor ou um agudo estridente.


[. . .]Brindamos com álcool
Todos os sonhos frustrados
Será preciso mais para nos derrubar
Aperto de mãos, olhos nos olhos
Amigos para uma vida inteira
É o que da força pra continuar[. . .]

Meus irmãos da Banda Katástrofe, música Labirinto da Morte.

Download da música neste link:

http://www.4shared.com/file/19799729/2b7016d8/Katastrofe_-__mp3__-_Labirinto_Da_Morte.html

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Eu falei Educação, estúpido!


Afonso Vieira

A bandeira que defendo como solução para nosso país é a da educação; mas quero deixar claro que é a educação de qualidade, ou seja, Educação com "E" maiúsculo. Não o que temos como exemplo na maior parte das escolas e universidades.

É comum vermos pessoas dizendo “ensino público, gratuito e de qualidade” - será? Gostaria de chamar para a seguinte reflexão: a suposta qualidade está na instituição ou nos alunos? Senão, vejamos: as melhores e maiores universidades do país, ou os melhores cursos, são os que possuem os vestibulares mais concorridos e - em conseqüência - os alunos com melhor conteúdo. Será que teriam essa suposta excelência sem esses alunos? Isso sem mensurar a quantidade de estudantes que pode pagar um ensino privado cursando vagas públicas; se colocarmos essa proporção nas universidades realmente de relevância, arrisco que mais de 2/3 possam pagar pelo seu estudo.

Um segundo ponto a deixar claro é o de que universidades possuem extensão e pesquisa, onde se preocupam com particularidades que não a formação acadêmica, mesmo sendo esta o que a maior parte da sociedade procura. Falando com a experiência de quem já estudou em universidade pública e privada, títulos como doutorado e mestrado - dentro de uma sala de aula - não refletem necessariamente a excelência na educação. Já vi péssimos doutores e excelentes bacharéis ministrando aulas, lembrando que a didática é atributo necessário ao educador. De que vale ser detentor de conhecimento, se como mestre não consegue repassá-lo? Se não consegue "ensinar a pensar"?

É comum vermos pedidos para que se abram novos cursos e se ampliem as vagas no ensino superior; de que isso adianta se não possuímos estrutura adequada e professores qualificados para compor o corpo docente das instituições? Em recente estudo do Conselho Nacional de Educação, verificou-se a defasagem de formandos em áreas fundamentais como física, química, biologia e matemática, resultando na falta de profissionais qualificados para ministrarem aulas aos alunos dos ensinos fundamental e médio, que dirá do superior.

Onde está o ensino de qualidade? Na maioria das vezes, nas escolas particulares e nos cursos restritos das grandes universidades - de um modo geral - a qualidade é a mesma em bancos acadêmicos públicos ou privados, sendo o único diferencial o nível do aluno. Cito um exemplo que já presenciei em algumas ocasiões: péssimos professores - que foram demitidos de instituições privadas - ministrando aulas em universidades públicas, prova que nem sempre o concurso seja a solução.

Há ainda a necessidade de estipular um código de ética claro para quem deseje professar um conhecimento, pois as condutas de muitos são dúbias. É comum vermos “profissionais” que não preparam aulas, que se propõem a ministrar um assunto que não dominam, e - para piorar - não possuem humildade para enxergar ou admitir isso.

Não é raro nos depararmos com “ícones” das grandes universidades públicas proferindo besteiras pelos jornais do país. Citando um colega, se “a religião é o ópio do povo, Karl Marx é o ópio dos intelectuais tupiniquins”.

De nada vale a quantidade sem qualidade, chega de produzirmos analfabetos funcionais. É por isso que digo e repito, a solução é a Educação. Se não entende isso, me desculpe, estúpido!

*Publicado em O Jornal, de 16 de julho de 2007.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=47

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Educação básica de qualidade, a melhor solução

Afonso Vieira

Não é novidade que o país atravessa um momento extremamente ímpar de sua história. De um lado vemos um país emergente, firmando-se como uma economia sólida e respeitada; do outro temos uma crise moral, onde as instituições e representantes chafurdam como “nunca antes neste país” no maior lamaçal, enterrando as virtudes que outrora eram motivos de orgulho e respeito, dando lugar aos mais desprezíveis sentimentos. Qual a solução para uma nação continental e com desigualdades tão grandes? Parece óbvio, mas não é, a resposta está na educação de base, feita com qualidade e responsabilidade.

Digamos assim: se nossas escolas do ensino fundamental e médio fossem equipadas com boa estrutura, professores qualificados e material didático adequado, teríamos certamente universitários críticos e inteligentes, eleitores menos manipuláveis e mais exigentes, profissionais competentes e confiáveis.

Quem é aprovado nas melhores universidades? Pessoas que estudaram nas melhores escolas e com grande acesso à informação. Resta então, à imensa maioria dos estudantes, cursos tidos como “menos importantes” e estabelecimentos de ensino de qualidade duvidosa – sendo que muita universidade pública se enquadra neste grupo.

Quem elege idiotas e reelege corruptos, fazendo campeões de votos seres que já deveriam estar na cadeia? Justamente os eleitores sem informação e sem capacidade de enxergar o que é evidente, a chamada massa de manobra manipulável.

De onde saem os melhores profissionais? Das melhores universidades, onde a seleção exige um alto grau de conhecimento e de interpretação.

Existem exceções, mas a regra geral é o acima exposto. Será que adianta investimento no ensino superior, se o problema vem do berço?

É claro que as universidades precisam manter um certo padrão e aprimorá-los, mas isso seria conseqüência natural caso tivéssemos jovens com elevado grau de conhecimento e noção da realidade. O que costumamos ver no Brasil, é um número astronômico de pessoas com o ensino médio concluso e que mal conseguem escrever um simples texto, que dirá interpretá-lo.

Com ensino fundamental e médio de qualidade, teríamos automaticamente uma melhora a médio prazo de todos os índices decorrentes do processo de formação; essa seria a solução para diversos problemas, incluindo as polêmicas cotas. Colocando todos os estudantes em igualdade de condições para concorrerem em um vestibular, deixaríamos a universidade para os que realmente estão aptos para a vida acadêmica - gerando justiça nos critérios de seleção - universalizando o que hoje é restrito a uma ínfima parcela da população: a excelência acadêmica.

Parafraseando Pitágoras, “educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”. O senso crítico e os moldes do caráter são firmados na infância e juventude, e é onde devem ser focados esforços na busca de mentes esclarecidas e brilhantes, o resto pode vir a ser a simples conseqüência.

Vou a um exemplo prático, é mais fácil ensinar o alfabeto a uma criança do que mudar o pensamento de um adulto, eis uma máxima de difícil contestação.

*Publicado em O Jornal, 12.07.2007.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

“Ismo”, escolha o seu


Afonso Vieira

Segundo o dicionário, em uma conceituação simples, ideologia é: “ciência que trata da formação das idéias e da sua origem; conjunto de idéias, crenças e doutrinas, próprias de uma sociedade, de uma época ou de uma classe, e que são produto de uma situação histórica e das aspirações dos grupos que as apresentam como imperativos da razão; sistema organizado e fechado de idéias que serve de base a uma luta política”. Isto exposto, venho chamar a atenção para o que vem ganhando vulto em alguns setores da mídia.

Há alguns anos, tínhamos um forte apelo às ideologias radicais esquerdistas, onde boa parte dos atuais ocupantes do poder ainda pregava a ditadura do proletariado e outras formas de governo - o que realmente gerava preocupação aos diversos setores, tanto da economia como da política. Passada a fase radical, e com o comprometimento do atual presidente com o cumprimento de contratos e uma política de responsabilidade fiscal nos moldes de seu antecessor, começou a aparecer um vácuo ideológico no que se pode dizer a centro-esquerda nacional. Por outro lado, verifica-se a radicalização do discurso de uma pequena fatia da chamada direita conservadora, onde as mais estapafúrdias teorias conspiratórias ganham fôlego e - pior - adeptos; temos ainda o surgimento de uma pequena vertente de liberais utópicos, que reverenciam o Deus mercado e demonizam o monstro Estado, mas se esquecem das conjunturas da terra brazilis.

Vemos uma infinidade de ideologias - comunismo, socialismo, liberalismo, conservadorismo, anarquismo e outras mais. As vertentes ganham voz nos fóruns de internet, com debates acalorados e representantes caricatos de todos os ângulos. Será que já não está mais do que na hora de aprendermos com a história? Não há hoje país nenhum - que se possa dizer desenvolvido - em que se aplique apenas um tipo de ideologia.

Não há mais espaço para impor uma ditadura do politicamente correto, ou mesmo basear costumes apenas em dogmas religiosos; não há como esperar que o mercado regule tudo, principalmente em paises com desigualdades sociais gritantes como o Brasil; não tem como socializar a propriedade constituída, desrespeitando leis e contratos; não há espaço para qualquer sistema que não respeite o diálogo e fatores externos e internos, tudo deve ser levado em consideração.

As teorias sempre são lindas, porém de aplicações duvidosas. O meio termo, o bom senso e o equilíbrio devem ser buscados, e - quando atingidos - preservados e aprimorados dentro de uma lógica permeada basicamente pela razão.

O mundo é composto por diversas nações, raças, credos, ideologias - enfim - uma infinidade de idéias. As culturas devem ser preservadas e, como sempre, respeitada a pluralidade.

Uns enxergam comunistas até mesmo nos setores mais capitalistas da mídia; outros, vêem um monstro selvagem e explorador na mais inocente empresa; e - a grande maioria dos radicais ideológicos - vê trama da mídia contra tudo e contra todos, digno da mais ridícula teoria conspiratória.

Já eu, vejo que falta amplitude de horizontes, visão da realidade e - principalmente - coerência, muita coerência.

* Publicado em O Jornal, edição 91, de 09 de julho de 2007.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Frase do dia

As principais bases que os Estados têm são boas leis e boas armas. Não podem existir boas leis onde não há armas boas e onde há boas armas convém que existam boas leis.

(Maquiavel)

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Porque ser apartidário

Afonso Vieira
Quantos partidos políticos existem no Brasil? Quantos destes possuem um programa realmente aplicável e que mereça respeito? Quantos partidos não possuem entre seus quadros, membros envolvidos com denúncias de corrupção?
Vale a pena manter uma entidade que nada produz de concreto? Será que já não passou da época e já não evoluímos o suficiente para caminharmos com nossas próprias pernas, sem as amarras de um partido?
O que dizer das contribuições? Mesmo que não existam em estatuto, elas serão cobradas como cargos ou favores. Projetos irrelevantes ou mesmo coisas esdrúxulas são impostas por ser filiado a uma organização partidária que pouco ou nada traz de benefício, seja para a sociedade ou para si próprio. O cidadão comum sabe as conseqüências do voto em lista?
A obrigatoriedade de engolir pessoas que nada agregam, ou a vergonha de ver algo que defendeu jogado na vala comum, enlameado pelas mais espúrias atitudes. Vale a pena um cidadão de bem se manter filiado a uma agremiação? Respondendo, da forma que está, não vale a pena.
A maior parte dos setores da sociedade não perfilam com os partidos existentes, procuram somente para facilitar trâmites burocráticos do sistema vigente, o que por si só já é uma incoerência.
Partidos tendem ao fisiologismo de forma doentia e perniciosa. É um campo farto para a corrupção, um verdadeiro culto ao ilícito. É uma generalização, pode até ser injusta com as raras exceções, mas não deixa de ser o espelho da atual situação. Nada que um partido possa oferecer paga o fardo da imoralidade, da antiética.
Ser apartidário não é o mesmo que ser apolítico, nada impede de ter ideais e de defendê-los, mas é no descolamento das amarras doutrinárias que florescem grandes pensamentos, onde aumenta o senso crítico e a visão realista; é exatamente onde se pode cobrar de todos o compromisso com o dever. O sem-partido é livre para criticar qualquer corrupto, é livre para cobrar soluções dos mais variados temas – é este ser que não precisa ser traído para mostrar a falta de caráter incutida na política. É este ser que pode defender a liberdade econômica e a inclusão social ao mesmo tempo, isento de apreciação desfavorável de qualquer radical ideológico. Os partidos podem até pregar que seus integrantes também possam, mas não é o reflexo da prática.
A história recente é lotada de exemplos de polarizações ideológicas e partidárias, divisões estas que causaram malefícios em todo planeta, com radicalização de ambos os lados. Muitas vezes faltou a coerência nos debates, faltou a “visão” que poderia ser o ponto de equilíbrio da situação – pode ter certeza que filiações partidárias e doutrinações ideológicas, são fatores que contribuíram fortemente para a ausência de conformidade.
Ser apartidário é mais um atributo da liberdade, é poder dizer aos quatro cantos do mundo: “eu não concordo e não contribuo para a situação degradante e com a falência moral de meu país”. Têm coisas que não têm preço.
*O Jornal, 02 de julho de 2007.
http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=45

Relativismo Moral

Afonso Vieira

O que vem a ser um valor absoluto? Acredito que a Lei, mesmo que eu discorde de seu conteúdo, o é - ao menos enquanto não for reformulada ou alterada. Eu, como cidadão ciente de meus deveres, estou sujeito ao estabelecido nas normas jurídicas de uma sociedade e a obrigação de cumpri-las. Tenho ainda, meus princípios éticos e morais permeados pelos costumes e ensinamentos que me foram repassados pelo meio do qual sou fruto.

O que está ocorrendo com diversos segmentos de nossa sociedade? Pergunto isso porque as leis e princípios básicos vêm sendo deturpados diariamente.

Na imprensa dita “de esquerda”, temos tido diversos arroubos com o relativismo propriamente dito. De um lado temos um irmão do presidente envolvido em tráfico de influência, com gravações claras sobre o ilícito; do outro, temos vários articulistas relativizando a irregularidade pelo fato do indivíduo ser “pobre” e irmão de um presidente “perseguido” pela imprensa “golpista”.

No cenário do legislativo, temos os senadores envolvidos em desvios de conduta, e seus pares - que deveriam fiscalizar tais atos - relativizam a situação. A bola da vez, Renan Calheiros, diz-se perseguido, como se seus atos não justificassem a cobrança por parte da sociedade.

Temos ainda os “militontos”, sim, esses projetos de revolucionários que nunca procuraram ler nada que não lhes fosse repassado pelos doutrinadores, frutos de um pseudo-intelectual qualquer. Estes vivem a reclamar da cobrança imposta ao atual governo, e no menor sinal de comprovação de irregularidade, saem com o clichê “os outros também fazem”. Como se o fato de alguém roubar é salvo-conduto para que outro também o faça.

O relativismo é tamanho, que o pai de um dos agressores da doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto, disse que o filho não é bandido. Quer dizer que quem agride e rouba uma pessoa sem motivo algum, que são “crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham” não devem ser responsabilizados por seus atos? A meu ver, o fato de serem de uma classe social mais abastada, serem pessoas com acesso à informação e maior conhecimento, deve ser considerado agravante, e não atenuante.

Não há meio crime, assim como não há pessoa pública isenta de críticas e de “perseguição”. Há, sim, criminosos, isso independe de classe ou origem social. Há, sim, desvios de conduta. Não queiram que pessoas culpadas ou que devem satisfação à sociedade fiquem intocáveis dentro de uma redoma, isso é ruim para a democracia e para suas instituições.

Sou um crítico por natureza, a ponto de ter sido ofendido verbalmente na época do governo FHC pelo termo pejorativo “petista”, o que não aceito. Cobro, assim como todos devem cobrar postura condizente de um cidadão dentro dos limites da lei. Não relativizo crimes e desvios, isso é coisa para cúmplice, coisa que não sou e sei que maior parte da população também não é. Bom seria se os citados no texto também pensassem assim, já seria um bom começo.

*Publicado na Edição 83 de O Jornal, de 29 de junho de 2007.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=44