segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Chamem o Batman!

Há poucos dias houve uma polêmica a respeito da foto de uma criança vestindo farda, segurando algemas e empunhando um cassetete. Tivemos inclusive reação negativa vinda de um coordenador dos direitos humanos do estado de São Paulo. Há algo de podre no reino!

Em dezembro, no Mato Grosso do Sul, uma operação da polícia local revistou jovens próximos a um shopping da cidade, apreendendo drogas, bebidas, cigarros e outros produtos proibidos para menores. Também houve a cantilena por parte de alguns “defensores” dos DH.

Não venho aqui fazer juízo de valor de outras publicações, mas acredito que um país só se torna maduro e respeitável com instituições sólidas e com credibilidade. A segurança pública é um dos pilares de uma sociedade ordeira, civilizada e avançada, pelo visto não é o que algumas pessoas creem, e pior, ainda tentam denigrir.

É fato inconteste que tivemos um amadurecimento de nossas instituições – mesmo que muitos tenham tentado sucateá-las por anos, incluindo governantes -; as Polícias se modernizaram, criaram padrões de seleção mais rígidos e adotaram metas e maior fiscalização, e isso em todas as esferas da federação; o Ministério Público é mais atuante; o Poder Judiciário tem aprimorado seus métodos e tenta diminuir seus gargalos, e por ai vai.

Note, ainda precisamos evoluir muito, mas isso é gradativo e necessita do apoio do poder público e da sociedade. Não há milagres!

A quem interessa taxar órgãos de segurança como opressivos, racistas e criminosos? No meu entendimento, somente interessaria a marginais, pessoas ignorantes e manipuladas e os mal-intencionados.

Cresci na periferia da minha cidade, andávamos em bando, fazendo arruaça e cometendo pequenos delitos, coisa de moleque, nada grave. Fui abordado diversas vezes pela Polícia Militar e nunca, nenhuma vez fui maltratado ou ameaçado. Todos os colegas que tiveram problemas, estavam cometendo ilícitos ou tinham contas com a justiça.

É claro que há abusos por parte de policiais. Autoridades corruptas. Juízes e promotores indignos com o cargo que abraçaram. Mas isso é minoria no universo que os cerca. Generalizar e dizer que todos são desonestos é o mesmo que dizer que todo favelado é bandido. Basta o mínimo de honestidade intelectual para enxergar o óbvio, a parte podre da sociedade é minoria! Quem infringe a Lei deve ser punido, independente de quem for, ponto.

Queiram ou não, uma pessoa fardada inspira sim, valores cívicos e morais. É justamente nas instituições fardadas que se cultuam valores que andam em baixa em nosso país, como honra, patriotismo e disciplina. Entre tantos outros.

Curiosamente tenho visto maior reconhecimento do trabalho das polícias por parte das pessoas do meu convívio, acredito que isso decorra do amadurecimento tanto pessoal como coletivo. Via de regra, cidadãos corretos não têm problemas com a justiça. Quem deveria ter medo de polícia é bandido!


Aos que insistem em enxergar um inimigo naqueles que na verdade não o são, que também não reclame quando criminosos e malfeitores subtraírem seus bens e direitos, quem sabe chamem o Superman, ou ainda, o Batman!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lemmy Kilmister, o rock perde um pouco de sua essência

Acordo meio atordoado em minhas férias, de cara abro as redes sociais e ligo o celular, de onde vem a notícia triste da morte de Lemmy Kilmister, o lendário frontman da banda Motorhead.

Pessoas que não são muito fãs de rock pesado, provavelmente não conhecem o artista e sua banda pelo nome, mas é quase certo que já viram seu rosto estampado em alguma página ou cartaz da internet, ou ainda em algum programa televisivo.

Lemmy viveu intensamente sua carreira, antes mesmo de ter sua própria banda, já podia se dizer um agraciado no meio musical, afinal, não é qualquer pessoa que pode ter a honra de ter sido roadie de Jimi Hendrix – outra lenda do cenário do rock.

O vocalista é o que posso chamar de um libertário no sentido pleno da palavra: viveu como sempre quis, não se privava de nada que tivesse vontade, sem dogmas e valores absolutos que cerceassem sua liberdade. A tríade sexo, drogas e o rock’n roll tem em sua pessoa a personificação do mito nele enraizado. A voz rouca, visual e atitude ímpar o faziam diferenciado dos demais.

Dentro do mainstream musical, nunca se dobrou a tendências e se manteve firme em suas convicções. Motorhead ainda é uma das poucas bandas autênticas do planeta! Ouvir as músicas do início de carreira e as atuais só confirma esse diagnóstico.

Algumas pessoas criticam o estilo de vida dos ícones do rock’n roll, mas será que eles seriam esses ídolos se fossem pessoas normais? Não creio que certas letras e notas musicais seriam compostas por mentes comuns, alguns escritores escreveram seus melhores livros se esbaldando no uísque, só por ai já podemos tirar uma média.

Já perdi amigos músicos que eu achava que eram geniais. Alguns precocemente, outros nem tanto, mas o baixista lendário viveu até os 70 anos! Morreu apenas 4 dias após completar as sete décadas; viveu muito para o estilo de vida que levava, faleceu vítima do câncer - essa doença maldita que teima em levar nossos entes queridos.

Nascido Ian Fraiser Kilmister, Lemmy eternizou uma postura, influenciou milhares de bandas dos anos 70, 80, 90 e atuais. É considerado por muitos um dos criadores do thrash metal. Se outrora já era considerado uma lenda, agora passa à posteridade para se tornar um deus do rock mundial.


If your head's alright, ya don't need binoculars to see thelight - (Don't Need) Religion, Motorhead

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

CPMF - Carta aberta aos deputados e senadores

Prezado(a) Deputado(a)/Senador(a)

Venho por meio deste texto solicitar sua posição sobre o aumento de impostos anunciado pelo Governo Federal, gostaria de saber se Vossa Excelência é a favor ou contra a volta da CPMF?

É justo que nós, cidadãos que já pagamos impostos exorbitantes - que estão entre os mais caros do mundo e com o pior índice de retorno em serviços públicos do planeta -, ainda tenhamos que arcar com mais essa despesa, que nada mais é que reflexo da inoperância e incompetência de nossos gestores para com o Erário?

A famigerada contribuição, que se sugere “provisória”, também foi criada no governo tucano com esse mesmo título e só não se tornou permanente porque houve uma falha – mais uma – do Planalto em trabalhar pela sua aprovação. O(a) senhor(a) realmente crê que alguém ainda acredita na palavra da Presidente da República, após todos esses desmentidos que ela vergonhosamente tem protagonizado?

Em 2012 a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou uma pesquisa, nela se estimava que R$ 50 bilhões por ano eram desviados pela corrupção; agora em 2015, o procurador geral da República, Deltan Dallagnol, disse que esse montante beira a R$ 200 bilhões anualmente. Cabe exaltar que esse valor é bem mais do que o rombo que o atual governo quer cobrir, R$ 30,5 bilhões.

O governo não fez o dever de casa, não cuidou de gastar menos do que arrecada; sua gestão – com raríssimas exceções – é conhecida pelo descaso com a Lei de Responsabilidade Fiscal. As contas do governo até agora não foram aprovadas pelo TCU. O trato da contabilidade foi feito de forma grotesca, maquiando índices e números, tanto é que as tais pedaladas fiscais tiram o sono da mandatária mor da nação até hoje.

Este que vos escreve não possui nenhum vínculo partidário, não entra no coro de radicais pedindo o impeachment da presidente antes que se tenha algo concreto contra ela. Também não me cola a pecha de mero antipetista, já que critico todos os partidos, sem exceção! Exerço simplesmente meu direito e o dever de cobrar nossos representantes pelos atos para que foram eleitos.

Teoricamente teremos um corte de gastos públicos, após anos esbanjando sem o menor controle, e acredito que será muito pouco ainda. A quantidade de ministérios e secretarias beira ao ridículo. Temos um Estado inchado, corrupto e ineficaz, a quantidade de parlamentares e cargos de confiança também precisa ser revista urgentemente, e para baixo!

Mais uma vez, peço encarecidamente que me responda este texto deixando clara sua posição sobre mais esse tributo, pretendo divulgar seu nome e sua posição em hora oportuna, em coluna de opinião por mim assinada em mídia eletrônica.

Obrigado!


Afonso Vieira

Cidadão

PS. Texto enviado nominalmente a todos os deputados e senadores do MS e RS

domingo, 23 de agosto de 2015

A falência do debate

O célebre dramaturgo Nelson Rodrigues dizia que uma das características da juventude era a estupidez, de fato não estava errado; mas pelo visto a estupidez deixou de ser meramente inerente a juventude, está enraizada nos radicais, que insistem em não amadurecer com a idade.
Estamos passando por um acirramento ímpar no ânimo da população. A suposta diminuição da desigualdade, fomentando o preconceito de classe, divisão por raça, credo, ideologia e alhures, tem feito surgir duas novas e perigosas facções:
- de um lado uma militância radical, que quer defender o governo a todo custo. Não importa a quantidade de ilícitos apontados, de nada vale condenações na justiça. De nada vale o previsto na Lei. Tudo é justificável se feito pelo partido e tudo que o denigre é oriundo de uma elite branca, golpista que não suporta um governo “popular” (?);
- do outro vem o opositor radical, que quer derrubar o governo a todo custo. Vale até mesmo se aliar a qualquer crápula que apareça, desde que o “bem maior” seja alcançado e o governo extinto. Querem atropelar trâmites legais, impor sua agenda. Todos que não são a favor do impeachment da Presidente são comunistas, fazem parte do Foro de São Paulo e deveriam se mudar para Cuba.
Nota-se o nível em que se chegou no debate político do país. Infelizmente esses radicais tem afastado a ala moderada e pensante das discussões. Curiosamente, quando se procura aprofundar em qualquer assunto, já se identifica que a radicalização causa cegueira automática no interlocutor. De nada valem títulos acadêmicos, posição social, cargo que ocupa ou erudição se eles não concernem senso crítico; se não são usados com inteligência!
Se agarrar em qualquer maluco que escreve ou fala, só porque ele cita o que você quer ouvir, é muito perigoso. Achar bonito um senhor de idade ficar mandando seus opositores “tomar naquele lugar” é sintoma de que algo está muito errado, e não é com o adversário. Crer que quem é contra cotas é racista – muitos contrários são negros - é ser muito infantil.
A tolerância com o contraditório chegou praticamente a zero. Vemos que, por mais que o mundo evolua, que ideologias tenham sido sepultadas e comprovadamente inaplicáveis, ainda vão existir viúvas do muro de Berlim, da ditadura, anarcocapitalistas, xenófobos e demais cidadãos que vomitam intolerância, desequilíbrio e despreparo.
A virtude está no meio! Teorias sempre existirão, mas devem buscar comprovação empírica. Os fatos ai estão, não adianta subterfúgios para tentar defender o indefensável, provar algo que nunca existiu ou deu certo, por mera simpatia.
Mandar uma pessoa estudar história, chamá-la de racista, fascista, nazista, comunista, et caterva, diz muito mais a respeito de você mesmo do que de outrem. E não faz ninguém ganhar debate ou chegar a lugar algum.
A falência de nosso sistema educacional é gritante há décadas, agora chegamos na falência intelectual das discussões. Sai a massa encefálica cinzenta e entra uma borrada, tendendo ao marrom, que nem sempre se encontra no cérebro . . .

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nós e as leis

Venho notando recentemente certo comportamento nas pessoas, sempre criticando a postura das autoridades quando aumentam a fiscalização ou cumprem seu dever legal. O fato é que uma crítica embasada e construtiva é primordial para o aprimoramento das instituições, mas vejo que nem sempre elas seguem essa ótica.

Há um claro aumento na fiscalização do trânsito em diversas cidades do país, em vários estados é comum vermos notícias a esse respeito, assim como aumento das críticas, que chegam a ser infantis sobre variados temas.

Primeiro, dentro daquilo que está previsto na Lei, no Código de Trânsito Brasileiro e resoluções do Contran: não existe indústria das multas! Oras meus caros, todos sabemos que temos que pagar o IPVA/Seguro Obrigatório, que temos que obedecer limites de velocidade, que não se pode ultrapassar sinal vermelho e temos que manter nossos veículos em condições de uso e não desacatar autoridades.

Sinto lhes dizer, mas se você está criticando uma fiscalização que vai coibir maus motoristas, inadimplentes e veículos que deveriam estar no ferro velho, você está contribuindo para a corrupção e descaso que tanto abomina!

Particularmente, não gosto do governo. Não vejo com bons olhos um  Estado me monitorando; acredito que pagamos impostos demais com retorno de menos. É fato que os recursos públicos são muito mal aplicados, que são desviados em larga escala, mas isso não é justificativa para desrespeitar as Leis. A meu ver o Estado deveria se ater a setores essenciais e agir somente em situações de extrema necessidade, mas ele continua sendo um “mal necessário”.

Qual é o único valor absoluto independente de credo ou ideologia? No meu entendimento são as Leis, elas devem existir para a manutenção de um Estado de Direito, mesmo que seja mínimo! É uma espécie de imperativo categórico formal. Se não concordamos com elas, temos mecanismos para contestá-las com base em processos legais, qualquer coisa fora disso é passível de sanção.

Vejo pessoas criticando a ação das polícias, dos agentes investidos de autoridade para averiguar determinados setores, imputando muitas vezes culpa a quem nada tem a ver com a causa do problema. Oras senhores, todos temos plena consciência de nossos deveres, se estamos em dívida com algum encargo, temos que batalhar para quitá-la e não depreciar um trabalho que está sendo feito. Por mais que a intenção de um órgão público seja meramente monetária, se estivermos em dia com nossas obrigações, não seremos afetados. Não estamos falando de situações pontuais de desvio de servidores, frise-se!

Curiosamente, eu que não gosto de um Estado inchado e bisbilhoteiro, não tenho problema algum com autoridades, blitz, multas e outros recursos estatais que visam coibir atos considerados infracionais. O fato de ser um libertário não me dá o direito de infringir as Leis, ponto! Da mesma forma, muitos progressistas criticam ações policiais por cumprirem o seu dever de manutenção da lei e da ordem, não enxergam que se estão sendo cerceados de alguma forma, é porque estão cometendo um ilícito.

Por pior que as nossas instituições sejam – na maioria das vezes por causa de maus funcionários -, elas devem ser preservadas. Bem ou mal, são elas que ainda não deixaram cairmos num caos absoluto, haja vista a completa incapacidade e inépcia de nossos representantes e gestores públicos.


Você pode ter sua utopia, visão política, seus conceitos morais, mas o preceito de alguém que se autodeclara idôneo, é cumprir com seus deveres para poder cobrar direitos. Caso contrário você não passa de mais um hipócrita, de um grande relativista moral!

domingo, 19 de julho de 2015

Um brinde a lucidez!

Poucas coisas na vida me são tão caras como a amizade, esse laço de afeto que nem todos conseguem perpetuar, é um dos pilares que faço questão de cultivar por onde passo, incomodo e irrito com minha insignificante existência.
 Poderia citar frases dos meus autores favoritos sobre o tema, mas prefiro divagar nas próximas linhas com minha própria verve. Às vezes é muito simples divagar sobre aquilo que nos faz bem, ou que nos motiva.
 Como cavaleiro errante que sou, já morei por várias cidades, alguns estados e conheci parcos países. Curiosamente, sempre consegui nutrir afeto com nativos desses locais. Nada melhor que enxergar a natureza humana nos seus detalhes, entender que cada ser é único, e que seus defeitos acabam por se tornar suas qualidades, sua marca e assinatura.
 Existem pessoas fúteis, vulgares e desinteressantes. Há ainda os seres que não se conformam com a felicidade alheia, sua incapacidade de chamar atenção - de se postar como ícone que pensa ser – o faz infeliz, frustrado. Alguém que procura somente defeitos, não qualidades ou virtudes, que dentro de sua mediocridade, crê ou pensa crer que todos somos iguais. Baseia sua régua por baixo, quer limitar expoentes à sua estatura. Pessoas tristes, dignas de pena e condolências. Por sorte, não fazem parte de meu convívio.
 A virtude moral no sentimento de afeto nada mais é que amar sem esperar retorno, sem desejar recompensa. Creio que a verdadeira amizade se baseia justamente nos defeitos e não nas qualidades. Gostamos das pessoas pela sua chatice, seu ego, sua personalidade forte e impositiva. Agregar pessoas em seu entorno e que lhes seguem não é tarefa para amadores!
 Talvez o dito popular de que não se enche a mão com amigos verdadeiros possa ter seu fundo de verdade, mas não é meu caso. Seja na Nova Zelândia, na Inglaterra, Canadá, nos diversos Estados da Federação Brazuca e dentro desta partícula de poeira cósmica chamada Terra, temos tido a felicidade de ter pessoas confiáveis, capazes de nos doar um pouco de sua existência.
 Em nossa loucura diária, sempre vem a lucidez gritante quando somos surpreendidos por aqueles que nos querem bem, que conseguem nos cercear quando necessário e nos apoiar quando mais precisamos. Enfim, um brinde a todos que nos aturam, nos rodeiam e nos são tão preciosos. Podem ter certeza que ainda terão que nos suportar e se conformar com nossa ignorância irritante por um bom tempo!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sobre a redução da maioridade penal

Muito tem se falado sobre a redução da maioridade penal, assunto este em que a maioria das opiniões publicadas em veículos de comunicação, jornalistas e artistas em geral, é terminante rechaçada. Vindo como sempre contra a corrente, teço a visão contrária, por ser a favor da redução.
Primeiramente, temos que dividir essa discussão em temas distintos:
- Redução da maioridade: é fato inconteste que temos criminosos sádicos de todas as idades, porém nos crimes cometidos em grupo sempre quem assume a autoria é o menor; a legislação o beneficia;
- Qualidade de nossas prisões: nosso sistema carcerário, quase totalidade, é algo medonho e pouco recomendável para qualquer cidadão. O que não quer dizer que devemos soltar os criminosos e deixá-los livres em nosso meio;
- Ressocialização: da forma que temos nosso sistema e as casas destinadas aos menores, do modo que são nossos costumes/sociedade, isso chega a ser utópico. Estima-se que 70% dos presos brasileiros são reincidentes; não há pesquisas realmente críveis sobre menores – segundo o CNJ era próximo de 50% em 2013 -, mas basta verificar as notícias dos delinquentes e ver que quase todos não estão cometendo seu primeiro ilícito.
São três temas que andam juntos, mas que devem ser analisados separadamente. A redução não vai mudar o adolescente infrator, mas vai coibir e retirar esses criminosos do nosso meio. Boa parcela da opinião dos contrários a redução que li e ouvi, baseiam-se em suposições completamente fora da realidade e em estatísticas duvidosas.
Cresci nos anos 80 e 90 na periferia da minha cidade, naquela época já sabíamos quem seria marginal e quem viria a ser um cidadão decente, e tínhamos 13 ou 14 anos! Todos que tinham boa índole assim permaneceram, os que já eram desajeitados ou foram para a cova ou passaram inúmeras vezes por delegacias e prisões. Note, não adianta dar escolas e boas condições se a maior parte dos bandidos são formados em casa e não nas ruas, estas só vêm a lapidar o lado sombrio de uma mente atormentada. Frise-se que a maioria esmagadora dos moradores das periferias não são ladrões/assassinos, ou como querem alguns “intelectuais”: vítimas da sociedade!
Nossos estabelecimentos penais possuem um número 2 ou 3 vezes maior que sua capacidade. Em torno de 20% dos detentos trabalham, pouca ou nenhuma atividade extra é realizada, quase não há profissionalização e a maioria nem quer participar de cursos e ter maiores afazeres, o mesmo é válido para casas que atendem menores – que também são em número insuficiente. A tão sonhada ressocialização chafurda e o sistema faz exatamente o oposto, aprimorando a mente doentia e perturbada do recluso.
Falar em educação de qualidade, de medidas socioeducativas e outras sugestões, como se isso fosse resolver o problema, carece de visão empírica. Mesmo nos países desenvolvidos, com elevado nível de educação e melhor qualidade de vida, os menores cometem crimes - em torno de 10% -, novamente não há dados críveis no Brasil sobre isso e tudo leva a crer que tende ser maior que o percentual citado.
Importante ressaltar que o menor no Brasil é apreendido e pouquíssimo ou nenhum tempo fica detido, sua ficha é limpa quando atinge a maioridade, com se uma pessoa de bem o fosse. De nada adianta boas escolas se o caráter da pessoa é formado basicamente no seio familiar; o problema é muito mais amplo e não se resolve com meros clichês.
De imediato o que nos resta é tirar essa pessoa do convívio da sociedade, não dá para tratar um assassino frio como um cidadão normal! É necessária uma reforma prisional? sim, é! Mas lugar de marginal é na cadeia, longe de inocentes e deixá-los livres só servirá para aumentar os índices de criminalidade e sensação de insegurança.

Ps. No início dos anos 90, dois irmãos – que eu conhecia bem - mataram um amigo meu para roubar. Quem apertou o gatilho tinha 18 anos, quem assumiu a culpa foi o irmão menor. Esses dois continuaram roubando e fazendo ilícitos por muito tempo e já faziam anos antes do ocorrido.