terça-feira, 6 de julho de 2010

Um País sem Copa


Afonso Vieira

Por fim fomos eliminados da Copa do Mundo na África do Sul. Sinceramente, vejo com bons olhos a saída da Seleção Canarinho. Antes que me acusem de ser antipatriótico ou algo que o valha, deixo claro que também torci e me chateei com a derrota. Mas há uma cultura popular medíocre que precisamos acabar, afinal, jogo do Brasil não é feriado!

Não consigo entender a sanha do funcionalismo público em enforcar o serviço, que - via de regra - já é péssimo. Nas empresas privadas, boa parcela parava apenas na hora do jogo, e retornava ao ofício após seu término. Quem tem obrigações a cumprir, não pode se dar ao luxo de desperdiçar duas horas de sua jornada. O dever vem em primeiro lugar.

Estive conversando com amigos, empresários e profissionais liberais, e a opinião era quase unânime, os dias de jogos atrapalhavam suas produções e compromissos. Nós, brasileiros, temos a cultura futebolística, torcemos e sofremos por nossos times, mas também deveríamos primar pelo cumprimento de contratos e acordos.

Vou citar alguns exemplos que me prejudicaram nesta copa: tinha um material para ser entregue, a previsão era sexta – dia da eliminação da seleção de Dunga -, o “descompromissado” motorista parou o dia todo para se refestelar vendo a derrota de nosso time, como resultado, recebi o material com um dia de atraso. Na outra, algo muito mais absurdo - a meu ver -, quando se compra material fora do estado, temos que pagar o diferencial de alíquota através do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Como uma boa parcela de meus pedidos chegou sexta, e nossos amigos da fiscalização resolveram gazetear todo o dia de serviço, estou até o presente em que escrevo esta crônica, sem o material.

É comum que os estereótipos sejam prontamente rechaçados pelos detentores da má fama, mas será que não há um fundo de verdade? Como é que mudamos uma visão ruim? Somente provando que ela está errada, e não há outro caminho senão a execução de normas e padrões com elevado grau de excelência. Seria interessante que fossem exibidas estatísticas com os valores perdidos a cada jogo televisionado dos “canarinhos”. Tirando bares e distribuidoras de bebidas, creio que a maioria das organizações perde muito. E nem estou falando no absenteísmo nos dias que sucedem tais eventos.

O grosso da população critica pessoas ávidas por trabalho, mas o fato é que, os bem sucedidos e tidos como competentes, jamais deixariam de lado seus afazeres e responsabilidades para se encharcar no “ópio do povo” tupiniquim.

“De longe, o maior prêmio que a vida oferece é a chance de trabalhar muito e se dedicar a algo que valha a pena” - Theodore Roosevelt

*Foto www.band.com.br

2 comentários:

Dom disse...

Mais um clássico exemplo da política de pão e circo, tão antiga quanto eficaz, à despeito dos falsos moralismos de nossos governantes falsos.

Lembro bem de minha mãe nessas horas que impunha uma regras clara para minhas diversões:

"Acabou a lição?"

Se a resposta era um sim, ela pegava o caderno e verificava se apesar de "acabada", estava bem feita e limpa. Se estava, eu podia ir para rua brincar.

E então Brasil, acabou toda sua lição e com capricho? Será que você pode ir para rua brincar?

Klauber Cristofen Pires disse...

Prezado,

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Sds

Klauber C. Pires