quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Liberais


Afonso Vieira

Estamos vivendo uma das maiores crises financeiras de nossa história. Não bastasse a tragédia anunciada já há certo tempo, ainda somos obrigados a ler e ouvir ilações infundadas sobre os pilares do liberalismo econômico; um pouco de cultura e história sobre o assunto não faria mal a ninguém.

Cabe ressaltar que o liberalismo clássico com sua mão invisível - pregado por Adam Smith - perdeu força já no fim do século IXX - com o surgimento dos oligopólios/monopólios - diminuindo ou mesmo sepultando a concorrência nos mais variados setores.

Os governantes Ronald Reagan e Margareth Thatcher foram os grandes expoentes - no fim do último século - como defensores do livre mercado; porém, nenhum deles aboliu meios de controle estatais. Eu gostaria que algum crítico que vocifera contra a livre concorrência, mostrasse em qual Estado inexiste o poder regulador pelo ente público, qual país - tido como liberal - não possui agências reguladoras ou órgãos equivalentes?

Cabe ainda outra questão: se Fernando Henrique Cardoso - auto-proclamado de esquerda - quando criou o Proer para ajudar os bancos em estado de falência era chamado de neoliberal, porque a intervenção norte-americana é sinônimo de sepultamento do mesmo? Há incoerência nos discursos, ou é somente sanha por criticar qualquer que seja o governo que discorde? Lula já disse que não é de esquerda, mas para os louros da fama seus asseclas fingem que ele nunca professou tais palavras.

Noto um rancor tremendo, ou um oportunismo barato nas apreciações. Chamar FHC de “direita” é tão ridículo como dizer que Médici era de esquerda. Mais um pouco de história para embasar melhor o tema: nossos militares eram estatólotras, cerceavam a liberdade, concentravam o mercado e detinham controle de monopólios; seriam eles defensores do liberalismo? É claro que não!

Os conceitos oriundos dos Girondinos e Jacobinos ganharam novas feições, não cabem mais as simplórias definições. Hoje falamos em diversas vertentes - conservadores, liberais, libertários, socialistas, comunistas - todos com pontos de vista particulares; alguns até corroboram com outros em alguns temas, mas divergem totalmente em outros.

A crise do subprime, ao que tudo indica, surgiu de uma má regulação. Mas o que fazer em situação extrema? Alguém acha injusto o governo - que cobra considerável parcela todos os dias em impostos - socorrer o mercado? Oras, se não servisse para situações como esta, então serve para quê?

Não confundam defensores do Estado mínimo com anarco-capitalistas; as escolas de Chicago e Austríaca tinham seus pontos de utopia, porém, sabiam perfeitamente que não há mercado sem governo. O socorro ao sistema ainda não surtiu o efeito desejado, mas as crises servem para o aprendizado e para enxergar gargalos existentes. Perdem investidores, perdem ideólogos utópicos, aprimoramos nossos conhecimentos. Mas pedimos encarecidamente: informem-se sobre o que desejam escrever. Nós, liberais, agradecemos!
Publicado em O Jornal do Vale, 11 de outubro de 2008

2 comentários:

Augusto Araújo disse...

he he

i num é q vc se definiu como liberal mesmo

liberal, libertário, livre-pensador; acho q o importante é ter opinião própria

vai mandar pro Progresso? Poe na DMM, jah num guento mais o ultimo post q tá lá

abs!

Dani disse...

E pra completar: um liberal didátido!
Perfeito!