segunda-feira, 9 de julho de 2007

Educação básica de qualidade, a melhor solução

Afonso Vieira

Não é novidade que o país atravessa um momento extremamente ímpar de sua história. De um lado vemos um país emergente, firmando-se como uma economia sólida e respeitada; do outro temos uma crise moral, onde as instituições e representantes chafurdam como “nunca antes neste país” no maior lamaçal, enterrando as virtudes que outrora eram motivos de orgulho e respeito, dando lugar aos mais desprezíveis sentimentos. Qual a solução para uma nação continental e com desigualdades tão grandes? Parece óbvio, mas não é, a resposta está na educação de base, feita com qualidade e responsabilidade.

Digamos assim: se nossas escolas do ensino fundamental e médio fossem equipadas com boa estrutura, professores qualificados e material didático adequado, teríamos certamente universitários críticos e inteligentes, eleitores menos manipuláveis e mais exigentes, profissionais competentes e confiáveis.

Quem é aprovado nas melhores universidades? Pessoas que estudaram nas melhores escolas e com grande acesso à informação. Resta então, à imensa maioria dos estudantes, cursos tidos como “menos importantes” e estabelecimentos de ensino de qualidade duvidosa – sendo que muita universidade pública se enquadra neste grupo.

Quem elege idiotas e reelege corruptos, fazendo campeões de votos seres que já deveriam estar na cadeia? Justamente os eleitores sem informação e sem capacidade de enxergar o que é evidente, a chamada massa de manobra manipulável.

De onde saem os melhores profissionais? Das melhores universidades, onde a seleção exige um alto grau de conhecimento e de interpretação.

Existem exceções, mas a regra geral é o acima exposto. Será que adianta investimento no ensino superior, se o problema vem do berço?

É claro que as universidades precisam manter um certo padrão e aprimorá-los, mas isso seria conseqüência natural caso tivéssemos jovens com elevado grau de conhecimento e noção da realidade. O que costumamos ver no Brasil, é um número astronômico de pessoas com o ensino médio concluso e que mal conseguem escrever um simples texto, que dirá interpretá-lo.

Com ensino fundamental e médio de qualidade, teríamos automaticamente uma melhora a médio prazo de todos os índices decorrentes do processo de formação; essa seria a solução para diversos problemas, incluindo as polêmicas cotas. Colocando todos os estudantes em igualdade de condições para concorrerem em um vestibular, deixaríamos a universidade para os que realmente estão aptos para a vida acadêmica - gerando justiça nos critérios de seleção - universalizando o que hoje é restrito a uma ínfima parcela da população: a excelência acadêmica.

Parafraseando Pitágoras, “educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”. O senso crítico e os moldes do caráter são firmados na infância e juventude, e é onde devem ser focados esforços na busca de mentes esclarecidas e brilhantes, o resto pode vir a ser a simples conseqüência.

Vou a um exemplo prático, é mais fácil ensinar o alfabeto a uma criança do que mudar o pensamento de um adulto, eis uma máxima de difícil contestação.

*Publicado em O Jornal, 12.07.2007.

5 comentários:

jamil ribeiro salomao disse...

penso assim!
enquanto não houver a dita educação na base,desde que nasce um ser preposto HUMANO nada mudara.

Pois eu acreditei em collors,dieceus enfim e tai a resposta deste pseudo politico.

Ninguem fala em base em FORMAR verdadeiro homens,talves alguns destes que ai estão até possam ter sido do bem,mas o sistema os mudam e como mudar o sistema,dando plena condição de estudo a QUALQUER UM, não criando cotas que alias esta é a maior forma escondida de racismo so não as ve quem quer ficar com vendas eternas nos olhos!

Porem não sou otimista, estou com 45 anos e meu pai quando eu tinha 8 anos vivia dizendo ISSO(BRASIL) VAI MUDAR!


Tai o que penso!

Blogildo disse...

É por aí mesmo, Cachorrão. O problema é que investir nisso não dá "IBOPE". Um exemplo foi o C.Buarque e seu mantra "Educação! Educação! Educação! Educação!"

Mas o exemplo da Coréia do Sul é prova clara que a educação dá resultados. Até no curto prazo.

Jarina disse...

Concordo com o que vc disse...no entanto dou mais créddito a família.
A questão da educação que vc trata no texto é sem duvida fundamental...mas prefiro chamá- la de instrução. Entendo a habilidade de ler, interpretar e saber expressar opiniões em forma de palavras escritas ou ditas um canal de comunucação entre o cidadão e a sociedade, os seus representantes e etc, sendo a educação, aquela que recebemos (ou não) de nossos país uma forma de realmente sair deste caos. Parece obivio mas não é. O nível de educação que recebemos de nossos pais não esta tão relacionado ao grau de educação formal, ou instrução, como prefiro chamar. Questões como respeito ao próximo, ética, cooperação e até o significado de uma palavrinha que aprendi a pouco: alteridade. Estes são valores fundamentais e que estão se perdendo em meio a tantas falcatruas que vemos hj, e em meio ao desfacelimento da instituição mais antiga, mais até que o nosso congresso porcalhão: a família.


Jarina
(conheci seu blog pela minha irmã, a Waleska)

Afonso Vieira disse...

Jarina, concordo que a família é a base para a formação moral, mas, infelizmente é uma instituição que anda em baixa nos dias atuais.

Creio que temos um problema ainda maior, muitos pais têm transferido a responsabilidade da formação dos filhos para as escolas, o que é um absurdo.

Diante do cenário atual, só nos resta investir na educação de qualidade, com profissionais realmente capacitados e com uma estrutura digna, o resultado com certeza será melhor do que o que presenciamos atualmente.

Lembrando que sempre há exceções, conheço pessoas fantásticas oriundas de famílias conturbadas, mas como disse, são exceções.

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado