quarta-feira, 11 de julho de 2007

Eu falei Educação, estúpido!


Afonso Vieira

A bandeira que defendo como solução para nosso país é a da educação; mas quero deixar claro que é a educação de qualidade, ou seja, Educação com "E" maiúsculo. Não o que temos como exemplo na maior parte das escolas e universidades.

É comum vermos pessoas dizendo “ensino público, gratuito e de qualidade” - será? Gostaria de chamar para a seguinte reflexão: a suposta qualidade está na instituição ou nos alunos? Senão, vejamos: as melhores e maiores universidades do país, ou os melhores cursos, são os que possuem os vestibulares mais concorridos e - em conseqüência - os alunos com melhor conteúdo. Será que teriam essa suposta excelência sem esses alunos? Isso sem mensurar a quantidade de estudantes que pode pagar um ensino privado cursando vagas públicas; se colocarmos essa proporção nas universidades realmente de relevância, arrisco que mais de 2/3 possam pagar pelo seu estudo.

Um segundo ponto a deixar claro é o de que universidades possuem extensão e pesquisa, onde se preocupam com particularidades que não a formação acadêmica, mesmo sendo esta o que a maior parte da sociedade procura. Falando com a experiência de quem já estudou em universidade pública e privada, títulos como doutorado e mestrado - dentro de uma sala de aula - não refletem necessariamente a excelência na educação. Já vi péssimos doutores e excelentes bacharéis ministrando aulas, lembrando que a didática é atributo necessário ao educador. De que vale ser detentor de conhecimento, se como mestre não consegue repassá-lo? Se não consegue "ensinar a pensar"?

É comum vermos pedidos para que se abram novos cursos e se ampliem as vagas no ensino superior; de que isso adianta se não possuímos estrutura adequada e professores qualificados para compor o corpo docente das instituições? Em recente estudo do Conselho Nacional de Educação, verificou-se a defasagem de formandos em áreas fundamentais como física, química, biologia e matemática, resultando na falta de profissionais qualificados para ministrarem aulas aos alunos dos ensinos fundamental e médio, que dirá do superior.

Onde está o ensino de qualidade? Na maioria das vezes, nas escolas particulares e nos cursos restritos das grandes universidades - de um modo geral - a qualidade é a mesma em bancos acadêmicos públicos ou privados, sendo o único diferencial o nível do aluno. Cito um exemplo que já presenciei em algumas ocasiões: péssimos professores - que foram demitidos de instituições privadas - ministrando aulas em universidades públicas, prova que nem sempre o concurso seja a solução.

Há ainda a necessidade de estipular um código de ética claro para quem deseje professar um conhecimento, pois as condutas de muitos são dúbias. É comum vermos “profissionais” que não preparam aulas, que se propõem a ministrar um assunto que não dominam, e - para piorar - não possuem humildade para enxergar ou admitir isso.

Não é raro nos depararmos com “ícones” das grandes universidades públicas proferindo besteiras pelos jornais do país. Citando um colega, se “a religião é o ópio do povo, Karl Marx é o ópio dos intelectuais tupiniquins”.

De nada vale a quantidade sem qualidade, chega de produzirmos analfabetos funcionais. É por isso que digo e repito, a solução é a Educação. Se não entende isso, me desculpe, estúpido!

*Publicado em O Jornal, de 16 de julho de 2007.

http://www.portalgrito.com.br/arquivol/arquivol.php?id=47

3 comentários:

Leandro Sarubo disse...

Estudo numa universidade privada do interior de s�o paulo. Os alunos planejam duas medidas neste semestre: abolir a multa na biblioteca e extinguir a cobran�a de mensalidades. O Manifesto deles tenta estruturalmente copiar Marx.

Epa!! disse...

"Eu falei Educação, estúpido. (ou Como Gerar Rodrigos Constantinos)"


Excelente!!
Lembro do meu professor Armando Pilla que não tinha didática alguma e sentava no trono do conhecimento ordenando seus escudeiros e também do professor Nelson Garcia, cujo pai morreu duas vezes no mesmo semestre.

Yascara disse...

Pois eu tive alguns professores, durante minha fase acadêmica, que mereceram esse título. Poucos, que não preenchem juntos uma mão. Mas eram homens aos quais eu nunca consegui me dirigir sem usar a palavre "Mestre" antes, e no meu tom mais reverente...
Esses são os que fazem a diferença na vida de qualquer pessoa.